A curadora Chang Chan e o artista Wong Weng Cheong vão representar o território na Exposição Internacional de Arte – Bienal de Veneza, que está agendada para Abril do próximo ano. O Pavilhão de Macau da Bienal na Itália vai assim acolher “Above Zobeide”, trabalho inspirado na obra literária ‘As Cidades Invisíveis’, que retratará um cenário pós-apocalíptico que dá a entender o deslocamento espiritual.
O trabalho “Above Zobeide”, da autoria da curadora Chang Chan e do artista Wong Weng Cheong, foi seleccionado para representar Macau na Bienal de Arte que decorrerá em Veneza, Itália, em Abril do próximo ano. Na passada terça-feira, recorde-se, foi anunciado o resultado da selecção para a “60ª Exposição Internacional de Arte de La Biennale di Venezia – Evento Colateral de Macau, China”, que é organizada pelo Museu de Arte de Macau (MAM), do Instituto Cultural (IC).
Inspirado no famoso romance ‘As Cidades Invisíveis’ (Le città invisibili), publicado pelo escritor italiano Italo Calvino, a proposta vencedora procura, “através de um cenário mundial fictício, apresentar intuitivamente a crise de mutação na civilização humana, que tem sido deliberadamente ignorada”, indicou o organismo, acrescentando que a obra mostra uma série de cenas pós-apocalípticas estranhas que implicam “um deslocamento espiritual das pessoas”.
“Numa atmosfera impressionantemente árida, a proposta expressa preocupação com o desenvolvimento da civilização humana, e articula com a profunda ansiedade da época, demonstrando uma imaginação, visão e originalidade excepcionais, tendo sido bem recebido pelo júri e estando em consonância com o tema ‘Estrangeiros em Todo o Lado’ (Foreigners Everywhere) da Bienal deste ano”, assinalou o IC, numa nota de imprensa.
A obra literária ‘As Cidades Invisíveis’ publicada em 1972, recorde-se, apresenta os relatos de viagem que Marco Polo fez a Kublai Khan, imperador mongol. As 55 cidades descritas na conversa ficcionada são, por sua maioria, “invisíveis” porque são cidades de imaginação. Já Zobeide é a quinta cidade no grupo de “as cidades e o desejo”.
De acordo com as autoridades organizadoras, entre os membros da equipa seleccionada, Chang Chan é uma curadora independente baseada em Macau e em Londres, formada no curso de Mestrado em Gestão Cultural e da Arte no King’s College de Londres, tendo sido curadora de várias exposições em Londres e Macau.
Wong Weng Cheong, por sua vez, é um jovem artista de Macau, licenciado em Belas Artes pela Goldsmiths, Universidade de Londres. Dedicando-se à Arte Intermédia, Wong é também especializado na criação de experiências imersivas por meio das tecnologias informáticas como a inteligência artificial e gráficos 3D, tendo realizado exposições individuais e participado em exposições colectivas em Londres, Kyoto e Macau.
A selecção de propostas para o Evento Colateral de Macau, China da 60ª Exposição Internacional de Arte de La Biennale di Venezia foi realizada após um concurso aberto ao público, realizado pelo IC e pelo MAM entre Maio e Julho, para “promover a arte contemporânea de Macau junto do palco internacional”.
A Comissão de júri é composta por Fan Bo, director da Academia de Belas-Artes de Cantão, Peng Feng, director da Escola de Belas-Artes da Universidade de Pequim, Zhu Qingsheng, historiador de arte e professor da Universidade de Pequim, Wong Ho Sang, artista de Macau, e Susana Un, directora do MAM e representante do IC. A selecção foi concluída após duas rondas de avaliação e entrevista rigorosas, e o projecto “Above Zobeide” foi eleito como vencedor.
Sendo a mais antiga e maior plataforma para o intercâmbio de arte contemporânea, a Exposição Internacional de Arte – Bienal de Veneza foi fundada em 1895. O curador-geral Adriano Pedrosa explora o conceito de ‘outsiders’ através do tema “Estrangeiros em Todo o Lado”, centrando-se nas pessoas marginalizadas e na condição humana dos deslocados.
Desde 2007 que o Museu de Arte de Macau tem participado, sob a designação Macau, China, nas oito edições da Exposição Internacional de Arte – Bienal de Veneza. O trabalho representante de Macau na Bienal de Veneza de 2022 foi a “Alegoria dos Sonhos”, dos artistas Guilherme Ung Vai Meng e Chan Hin Io, com curadoria de João Miguel Barros.
“Desta vez, o MAM organiza uma equipa para participar novamente neste evento internacional, na esperança de continuar a brilhar e a mostrar os encantos diversificados da arte contemporânea de Macau ao mundo exterior”, sublinhou.












