Um caça chinês aproximou-se a menos de três metros de um bombardeiro norte-americano B-52 que sobrevoava o Mar do Sul da China, quase provocando um acidente, informou o Exército dos Estados Unidos.
Durante a interceção nocturna, o caça bimotor Shenyang J-11 aproximou-se do avião da Força Aérea dos Estados Unidos a uma “velocidade excessiva e descontrolada, voando por baixo, à frente e a menos de três metros do B-52, colocando ambas as aeronaves em risco de embate”, afirmou o Comando para o Indo-Pacífico dos EUA, em comunicado. “Estamos preocupados com o facto de o piloto não ter consciência de que esteve muito perto de provocar um embate”, lê-se na mesma nota.
O Governo chinês ainda não reagiu, mas, num incidente semelhante em Maio, Pequim rejeitou as acusações norte-americanas e exigiu que Washington pusesse fim a esses voos sobre o Mar do Sul da China.
Nos últimos anos, Pequim construiu ali ilhas artificiais capazes de receberem instalações militares, num avanço contrário às pretensões do Vietname e das Filipinas, ambos com reivindicações na zona, tal como Brunei, Taiwan e Malásia.
Na semana passada, um navio da guarda costeira chinesa e uma embarcação que o acompanhava abalroaram um navio da guarda costeira filipina e um barco de abastecimento militar ao largo de um banco de areia contestado na via navegável.
Os EUA e os seus aliados efectuam regularmente manobras marítimas no Mar do Sul da China e também sobrevoam regularmente a área com aviões para sublinhar que as águas e o espaço aéreo são internacionais.
O B-52 estava “legalmente a realizar operações de rotina sobre o Mar do Sul da China no espaço aéreo internacional” quando foi interceptado pelo J-11 na terça-feira, disseram os militares dos EUA.
As intercepções são comuns: os EUA afirmaram que se registaram mais de 180 incidentes deste tipo desde o outono de 2021.
As intercepções não costumam ser tão próximas quanto o incidente de terça-feira, no entanto. Com as tensões já altas entre Pequim e Washington, um embate poderia resultar numa escalada.
As Forças Armadas norte-americanas afirmaram no comunicado que o incidente não vai alterar a sua abordagem. “Os Estados Unidos vão continuar a voar, navegar e operar – de forma segura e responsável – onde a lei internacional permitir”, afirmaram os militares.













