Número de centros de saúde com cuidados de saúde mental duplicou em dez anos

0
69

A alta pressão no estado psicológico entre os residentes motiva a crescente procura de serviços de saúde mental, o que foi também a razão de os Serviços de Saúde terem duplicado o número de centros de saúde a fornecerem consultas externas de cuidados de saúde mental. As autoridades sanitárias alertam para a sobrecarga psicológica dos cidadãos. Os Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude, entretanto, disseram que os pedidos de ajuda emocional dos alunos mantiveram-se estáveis antes e durante a pandemia.

 

Os Serviços de Saúde (SSM) admitem que os residentes de Macau sofrem de pressão psicológica devido às mudanças da sociedade e, devido a uma maior procura de serviços médicos, o número de centros de saúde que disponibilizam consultas externas de cuidados de saúde mental duplicou em dez anos, de quatro para oito centros.

“Com as rápidas mudanças económicas dos últimos anos e após três anos de pandemia, os residentes sofreram vários graus de pressão psicológica e podem surgir problemas de saúde mental”, assumiu Kwok Wai Tak, chefe substituto do Serviço de Psiquiatria do Centro Hospitalar Conde de São Januário, em declarações ao canal chinês da Rádio Macau.

Frisando que a saúde não só se refere ao estado físico de ter doenças ou ser forte, mas também ao estado psicológico, o médico considera que Macau agora está equipado com um “sistema bastante optimizado e conveniente” sobre a saúde mental.

Kwok Wai Tak indicou que os SSM e mais departamentos competentes criaram um mecanismo de prevenção conjunta de quatro níveis, bem como atribuiu financiamento às associações comunitárias para fornecer consulta psicológica gratuita aos cidadãos.

Actualmente, os oito centros de saúde que preveem acesso a serviço de saúde mental incluem os do Tap Seac, do Fai Chi Kei, da Areia Preta, da Ilha Verde, dos Jardins do Oceano, de Nossa Senhora do Carmo – Lago, da Praia do Manduco e de Seac Pai Van.

A saúde mental voltou a ser abordada ontem no programa Fórum Macau. Em resposta a uma chamada de um residente, de apelido Ng, a relatar a pressão de trabalho e priorização da qualidade de sono, Kwok Wai Tak reconheceu que o ambiente de trabalho hoje em dia é “altamente stressante” e muitas pessoas estão sobrecarregadas (‘burnout’).

“À medida que os residentes se tornam mais conscientes dos problemas emocionais, maior é a procura de serviços psiquiátricos, mas algumas pessoas sentem vergonha de consultar um psiquiatra e tendem a resolver os seus problemas por conta própria”, alertou o médico.

 

PEDIDOS DE AJUDA DOS ALUNOS

 

O número de pedidos de ajuda apresentados pelos alunos às autoridades durante a pandemia foi “semelhante” ao de antes da pandemia, indicou a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ), ao falar sobre os casos recebidos pelo organismo no seu “Grupo de trabalho para o acompanhamento da saúde mental e física dos jovens – Transportar o amor”.

Choi Man Chi, chefe da Divisão de Ensino Primário e de Ensino Infantil destes Serviços, revelou que os solicitantes de ajuda ao grupo são principalmente adolescentes estudantes, no período de puberdade, destacando que os problemas emocionais dos alunos variam e podem ter origem nas relações com colegas ou familiares, ou adaptação ao ambiente de estudo.

Recorde-se que, no ano passado, as autoridades avançaram que 87 casos de alto risco estavam a ser acompanhados pelo referido grupo de trabalho. “A DSEDJ estabeleceu um ‘canal verde’ através do qual os alunos necessitados podem ser encaminhados para ter a sua primeira consulta médica ou para marcar com antecedência para consulta de acompanhamento”, afirmou.

Por sua vez, na mesma ocasião, Wong Pak Kei, representante da Equipa de Coordenação dos Serviço do Instituto de Acção Social (IAS), destacou que o trabalho do IAS foca agora na educação sobre o reforço da “resiliência psicológica” do público diante das dificuldades, “que deve ser cuidada e aumentada no dia a dia e não só quando se encontrarem perturbações”.

Wong Pak Kei realçou ainda que a linha “Esperança de Vida” de apoio emocional recebeu mais de 5.000 chamadas no primeiro semestre deste ano, acrescentando que está a ser prestado ainda serviço online de aconselhamento psicológico, nas redes sociais, como Facebook, Instagram, Whatsapp e Wechat, cujo serviço também está disponível 24 horas por dia.