Crimes relacionados com o jogo duplicam no primeiro semestre

0
46
RODRIGO DE MATOS

A criminalidade no âmbito do jogo acompanhou a tendência geral e, ao longo dos primeiros seis meses deste ano, também cresceu. Aliás, a criminalidade ligada ao sector do jogo mais que duplicou. No primeiro semestre do ano, as autoridades registaram 422 inquéritos criminais, um aumento de 113% face ao período homólogo do ano passado.

 

A criminalidade ligada aos casinos também teve uma tendência de aumento no primeiro semestre de 2023. Nas estatísticas da criminalidade divulgadas ontem por Wong Sio Chak, secretário para a Segurança, verifica-se que o número de inquéritos criminais cresceu 113% para 422. No entanto, em comparação com os 968 processos do mesmo período do ano de 2019, antes da epidemia, regista-se uma redução de 546 casos e de 56,4%.

“No primeiro semestre deste ano, depois de a epidemia ter abrandado e as medidas de passagem fronteiriça terem sido abrandadas, o número de turistas subiu consideravelmente e a indústria do jogo recuperou gradualmente, por outro lado, as actividades ilegais relacionadas registaram, inevitavelmente, um certo aumento”, justificou o secretário para a Segurança, ressalvando que o número de casos foi “significativamente inferior” ao registado em 2019, o que, para Wong Sio Chak, reflecte “as medidas e os reforços anteriormente adoptados, focados na aplicação da lei pela polícia, os quais alcançaram reconhecido êxito na redução das actividades ilegais associadas”.

As estatísticas mostram que as situações de burla totalizaram 95 casos, representando um aumento de 41 casos e de 75,9%, em comparação com o mesmo período do ano anterior, mas uma redução de 57 casos e de 37,5%, em comparação com o período homólogo de 2019.

Relativamente aos furtos, estes totalizaram 77 casos, representando um aumento de 64 casos e de 492,3%, em comparação com o mesmo período do ano anterior, e em comparação com o período homólogo de 2019, registou-se uma diminuição de 19 casos e de 19,8%. As situações de violação da interdição de entrada nos casinos totalizaram 56 casos, verificando-se um aumento de 38 casos e de 211,1%, em comparação com o período homólogo do ano anterior, e em comparação com o período homólogo de 2019, registou-se um aumento de nove casos e de 19,1%.

As situações de apropriação ilegítima totalizaram 50 casos, um aumento de 28 casos e de 127,3%, em comparação com o mesmo período do ano anterior, e uma redução de 15 casos e de 23,1%, em comparação com o período homólogo do ano 2019. Quanto ao crime de usura (agiotagem), este totalizou 31 casos, representando um aumento de 11 casos e de 55%, em comparação com o mesmo período do ano anterior, e um decréscimo de 264 casos e de 89,5%, em comparação com o mesmo período do ano 2019.

As estatísticas mostram que os infractores eram maioritariamente do interior da China (327). Outros 98 suspeitos eram residentes de Macau, 35 de Hong Kong, 14 estrangeiros e um de Taiwan. Quanto às vítimas, 41 são residentes de Macau, 207 são do interior da China, 23 são de Hong Kong, dois são de Taiwan e oito são estrangeiros.

As autoridades aproveitaram ainda para esclarecer que, tendo em conta as estatísticas, “não se verifica uma relação directa do aumento dos crimes de jogo relacionada com uma taxa de desemprego relativamente elevada, a qual antes preocupava a sociedade”. Além disso, “não há actualmente sinais de que os funcionários do jogo se voltem para actividades criminosas devido ao desemprego”.