A chegada de visitantes já retomou cerca de 60% do nível pré-epidémico, e o número de turistas de Hong Kong superiorizou os 90% em relação a 2019. Helena de Senna Fernandes está optimista de que o turismo local possa recuperar totalmente no próximo ano. No entanto, segundo a directora dos Serviços de Turismo, os transportes continuam a ser obstáculos para o sector. A responsável assumiu que a capacidade de transporte aéreo não recuperou totalmente e é um “ponto de estrangulamento” de captação de turistas estrangeiros.
A indústria de turismo de Macau deve receber uma restauração total no próximo ano, mas o problema da carência de transportes condiciona este processo, admitiu Helena de Senna Fernandes. A directora dos Serviços de Turismo (DST) afirmou que a recuperação total do desempenho turístico só pode ser alcançada depois de se resolver o obstáculo principal de transportes aéreos e terrestres.
Helena de Senna Fernandes, numa entrevista dada ao canal Television Broadcasts Limited (TVB), de Hong Kong, apontou que a maior fonte turística de Macau continua a ser o interior da China, seguindo-se Hong Kong, enquanto os turistas internacionais representam menos de 10%. “As visitas de turistas internacionais a Macau não são as esperadas, sendo que a maior dificuldade é o facto de a capacidade do transporte aéreo não ter sido totalmente recuperada” em relação ao período antes da pandemia.
“Não é possível que um piloto possa ser treinado hoje e estar pronto para assumir o cargo e trabalhar amanhã. Alguns [dos pilotos] podem precisar de formação novamente antes de serem colocados ao serviço. Tanto as companhias aéreas como os aeroportos precisam de tempo para recuperar. E penso que esse será o maior ‘ponto de estrangulamento’ para o ritmo da recuperação dos visitantes internacionais”, realçou.
Além da capacidade dos aeroportos e dos voos, Helena de Senna Fernandes confessou que os problemas de transporte na cidade também afectam o progresso da retoma turística, frisando que muitos turistas se queixaram que era “difícil encontrar táxis” durante a época alta das férias de Verão.
Helena de Senna Fernandes assegurou que as autoridades de transporte também “estão a trabalhar muito” para atenuar o problema actual da falta de transporte. “Por um lado, esperamos aumentar o número de táxis. Por outro lado, espero que todos possam tentar utilizar diferentes meios de transporte, como autocarros”, salientou.
Reiterou que, no futuro, o desenvolvimento dos turistas estrangeiros é a prioridade dos trabalhos do organismo, destacando que vão rever periodicamente as necessidades de mão-de-obra da indústria. Nesse sentido, estima que a indústria do turismo de Macau possa recuperar totalmente em 2024.
Além disso, a directora manifestou-se satisfeita com o desempenho global das actividades turísticas após a reabertura da cidade desde o início do ano, dado que Macau recebeu mais de 11,6 milhões de turistas no primeiro semestre, representando 60% do volume antes da pandemia, enquanto que a taxa de ocupação hoteleira deverá ultrapassar os 90% em Agosto.
Ao enfatizar que são resultados “muito bons”, Helena de Senna Fernandes indicou que “os amigos de Hong Kong apoiam bastante Macau”, referindo que em Junho os números turísticos relacionados com a cidade vizinha superiorizaram os 90% em relação ao nível de 2019.
A responsável, por outro lado, expressou a esperança do Governo de Macau tornar-se mais diversificado ao longo do seu desenvolvimento. Já o desenvolvimento das fontes turísticas do exterior é o “maior indicador chave de desempenho” (KPI, key performance indicator, em inglês) da referida diversificação. “Todos vêem que Macau está a acolher muitos concertos, ou actividades artísticas, até alguns eventos desportivos de renome”, acrescentou Helena de Senna Fernandes, defendendo que as autoridades atribuem grande importância à integração interdisciplinar do turismo.
Recorde-se que o Executivo também exigiu o desenvolvimento de elementos não-jogo quando as seis concessionárias renovaram a sua licença de jogo no ano passado, tendo as operadoras prometido investir mais de 100 mil milhões nos próximos dez anos para desenvolver projectos do desporto, arte e turismo cultural.
DST vai deixar de lançar pacotes promocionais de voos e hotéis no próximo ano
As campanhas promocionais de voos e hotéis aos turistas de Macau deverão durar apenas até ao final deste ano, ficando os planos de desconto suspensos a partir do próximo ano. A informação foi afirmada pelo subdirector dos Serviços de Turismo (DST), Cheng Wai Tong, em declarações à Rádio Macau em língua chinesa. Recorde-se que o organismo reservou 650 milhões de patacas para diversas iniciativas destinadas a incentivar a retoma do sector turístico, incluindo pacotes promocionais de bilhetes de avião e alojamento. Cheng Wai Tong explicou que os descontos são medidas de curto prazo para estimular a recuperação. “Quando tudo voltar ao normal, os recursos serão usados para construir uma plataforma de promoção turística, formação, visitas de estudo e investir nos trabalhos promocionais de KOL (‘Key Opinion Leaders’)”, revelou Cheng, frisando que a DST, no próximo ano, continuará a realizar eventos de grande escala. Os turistas que visitam Macau também apresentam uma tendência de serem pessoas mais jovens e turistas individuais. Cheng Wai Tong indicou que as excursões turísticas representam apenas 4,5% dos turistas, sendo que esta fatia estava nos 20% antes da pandemia. “Após a epidemia, menos turistas querem viajar com estranhos e optaram por não participar em grupos turísticos”, apontou. Neste caso, o organismo criou conteúdos online, como dicas de viagens nas redes sociais, para os turistas as tomarem como referência.











