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      Empresas de Macau deveriam ser incluídas no mercado de crédito de carbono de Cantão, diz especialista  

      A académica Lan Hong esteve ontem na abertura do Fórum Verde (MIECF) para discursar sobre a sua especialidade: finanças verdes. Esta forma de incentivar e beneficiar empresas e indivíduos a contribuírem para conversão energética e redução da emissão de carbono tem várias aplicações, e Macau pode e deve ser englobada nas várias iniciativas actualmente em curso na China central, como o mercado de crédito de carbono, ou a campanha de Inclusão de Carbono. O PONTO FINAL falou ainda com a especialista sobre energia nuclear, e como as temperaturas elevadas estão a levar os cidadãos a quererem contribuir para alcançar de neutralidade de carbono que a China prometeu atingir em 2060.

       

      O Fórum e Exposição Internacional de Cooperação Ambiental de Macau (MIECF, na sigla inglesa), arrancou ontem no centro de convenções do Venetian, e termina no dia 20, domingo.  A professora Lan Hong foi a convidada especial para o arranque do “Fórum Verde”, partilhando a sua experiência como especialista na área das chamadas finanças verdes. No seu discurso intitulado “Aprofundar a Cooperação em Finanças Verdes para Alcançar Conjuntamente a Neutralidade de Carbono”, apresentou a sua visão sobre como a China está a conseguir reduzir as emissões de carbono através das finanças verdes, que também criam novas oportunidades de desenvolvimento. Lan Hong é vice-directora do Centro de Pesquisa em Finanças Ecológicas da Universidade Renmin da China, vice-directora da Filial de Finanças Verdes da Sociedade de Ciências Ambientais da China e vice-directora da Comissão dos Profissionais de Finanças Verdes da Associação Chinesa da Indústria de Protecção Ambiental.

      As finanças verdes são instrumentos financeiros de incentivo à transição energética, em que através de apoios financeiros, subsídios, empréstimos, ou outros benefícios se estimula indústrias e empresas a adoptar novos padrões de produção mais sustentáveis. A China tem feito diversos esforços nesse sentido através de estratégias como a da Inclusão de Carbono, um mecanismo para incentivar e recompensar comportamentos que emitem menor teor de carbono, estimulando as empresas a reduzirem as suas emissões, contribuindo assim para a ‘dupla meta de carbono’. A Inclusão de Carbono tem sido adoptada na China também como forma de educar os consumidores e reforçar a participação nos objectivos ecológicos das autoridades.

      Aos membros da comunicação social presentes, a académica Lan Hong, convidada especial vinda do Interior da China, defendeu que Macau devia adoptar esta campanha da Inclusão de Carbono, de mecanismos que incentivam e recompensam o uso de baixo teor de carbono. Outra contribuição, já que Macau é uma cidade de turismo, seria também ser promovido o uso de produtos ecológicos como utensílios de mesa nos hotéis, e aumentarem o número de veículos elétricos na cidade.

      As transacções de carbono são outra estratégia das finanças verdes: as empresas que não conseguiram atingir as metas de redução de emissões, podem trocar créditos com outras empresas que conseguiram reduzir as suas emissões. “Actualmente existe em Cantão um mercado de transacções de carbono, e penso que este mercado pode ser mais alargado e englobar toda a província de Cantão, e também os projectos de Macau neste mercado”, sugeriu a professora.

      O turismo sustentável, ecológico, na perspectiva da especialista, pode ser combinado com as finanças verdes. “Macau, sendo uma plataforma de turismo, pode abranger ou explorar novas áreas de finanças verdes, e de como prestar serviços nesta área específica. E quando os turistas chegam ou visitam Macau eles também podem explorar estes produtos novos de finanças verdes, daí o benefício destas duas áreas estarem conjuntas”.

       

      ENERGIA NUCLEAR TEM VANTAGENS

      Ao PONTO FINAL, Lan Hong falou sobre fontes de energia alternativas. “A energia eólica e fotovoltaíca são muito populares nestes dias.” E a energia nuclear? A especialista diz que este “é um tema muito complexo, porque a energia nuclear pode ajudar a reduzir a emissão de carbono, mas ela também acarreta riscos. É um tema complicado, mas a China na mesma quer continuar a investir neste tipo de energia, porque também tem as suas vantagens, por ser uma energia que não polui. Estamos a falar de uma produção enorme de energia, diferente da eólica ou solar, que não consegue produzir assim tanta”, sublinhou. “As outras energias alternativas são instáveis e dependem das condições climatéricas, ao passo que a energia nuclear é fiável: nós conseguimos decidir, em um ano quanta energia conseguimos produzir, é uma fonte estável”. Haverá possibilidade de se reduzir a dependência da China na energia nuclear? “Porque a crise climática é muito urgente, para já a China vai continuar a recorrer a esta fonte”, admitiu, frisando que quanto aos riscos, “as autoridades estão muito atentas, em como controlar, como fazer com que as centrais sejam mais seguras, e penso que com as melhorias técnicas, agora as coisas são muito mais seguras”.

      Perguntámos a Lou Hong se considera que os chineses estão sensibilizados para as questões ambientais, e se estão dispostos a mudar os hábitos de consumo, e sacrificar certas comodidades. A professora foi buscar um livro, mostrando-o. “Escrevi um livro sobre esses temas para uso do público geral. Este livro não é para dirigentes, ou empresários, é para as pessoas aprenderem mais sobre as alterações climáticas, e como tomar várias acções que possam reduzir as emissões de carbono: a forma como tomamos banho, usamos carros, ou até a questão do vestuário”. A professora referiu também a existência dos produtos ecológicos “que foram produzidos com o cuidado de reduzir as emissões, e as pessoas ao comprarem estes produtos, podem receber incentivos do Governo”.  De resto, no geral, Lou Hong considera que as autoridades da província de Cantão, Pequim, Xangai, ou Chengdu, e muitas outras cidades chinesas estão focadas em educar as pessoas. “Na China há sempre informação a ser publicada nos jornais, ou são destacados representantes para as ruas e para as escolas para divulgar estas informações, e explicar-lhes o que é preciso ser feito”.

      A académica, entusiasmando-se, quis falar sobre o aquecimento global e as temperaturas elevadas registradas nos últimos anos. “As pessoas estão a sofrer, estão a sentir fisicamente, e percebem a urgência da situação. Já não é só uma situação de ouvir falar, trata-se de algo que os afecta directamente. As pessoas estão a sentir os efeitos do aquecimento global, e querem fazer algo, querem contribuir”. Mostrando-se confiante com o desempenho do seu país, Lou Hong considera que “a China pode mesmo fazer muito, não apenas o Governo, indústrias, empresas ou académicos, mas todas as pessoas, até as crianças”, mencionou.