O Governo reservou 650 milhões de patacas para investir em diversas iniciativas destinadas a incentivar a retoma do sector turístico no decurso deste ano. No primeiro semestre, deste montante foram gastos 37,34 milhões de dólares de Hong Kong em promoções de bilhetes de jetfoil para atrair mais visitantes da cidade vizinha. Entretanto, prosseguem alguns pacotes promocionais de bilhetes de avião e hotéis para alguns países asiáticos. O deputado Lei Chan U quer saber o que está a ser feito com o resto do montante.
O deputado Lei Chan U, recordando que nas Leis de Acção Governativa ficou decidido que este ano se utilizaria 650 milhões de patacas para diversas iniciativas destinadas a incentivar a retoma do sector turístico, fez referência ao montante, querendo na sua interpelação saber qual é o uso actual destes fundos. “Como é que as autoridades vão efectivamente atribuir a utilização dos fundos relevantes?”, perguntou.
Em 2022 tinha sido anunciado que este montante seria utilizado em promoções de passagens aéreas e hotéis para atrair mais turistas. No início do ano, a Direcção dos Serviços de Turismo (DST) lançou uma campanha promocional “2 pelo preço de 1”, em que visitantes de Hong Kong podiam adquirir bilhetes de barco de jetfoil e usufruir desse desconto. Na altura, ficou assente que estas “concessões tarifárias de e para Hong Kong e Macau destinadas ao mercado de Hong Kong iriam expirar no final de Junho e que, se o orçamento for esgotado, não está prevista a introdução de novas concessões”, destacou o deputado e também vice-presidente da Direcção da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM).
Entretanto, a DST também criou outras ofertas promocionais destinadas aos turistas internacionais da Coreia de Sul e outros países asiáticos, na expectativa de que a proporção de viajantes internacionais possa ser restabelecida ao nível de 60% a 70% anterior ao surto da epidemia, recordou o deputado, sublinhando que estas promoções foram prorrogadas até ao final de Dezembro deste ano.
“As autoridades indicaram que durante o período compreendido entre 13 de Janeiro e 31 de Maio deste ano, as concessões tarifárias de que beneficiam os viajantes de Hong Kong e internacionais registaram um total de cerca de 250 mil reservas, com um valor total estimado de cerca de 37,34 milhões de dólares de Hong Kong” destacou Lei Chan U. No entanto, este valor “ainda está muito aquém” do montante total de 650 milhões de patacas, previsto pelo Governo para dinamizar o turismo, daí a pergunta que o deputado está a levantar: onde se está a utilizar o resto deste montante?
Lei Chan U aproveitou na sua interpelação para averiguar a situação actual dos guias turísticos e de Hengqin, depois de, com a reabertura das fronteiras, se ter autorizado os guias turísticos de Macau a exercerem actividade em Hengqin. O deputado da FAOM gostaria de saber o que está a acontecer em concreto, e quais são “os progressos no turismo ‘multidestino’ Macau+Hengqin”.
Recorde-se que durante os três anos da epidemia, o número total de visitantes que chegaram a Macau em 2020, 2021, e 2022 foi de cerca de 19,3 milhões, o que representou apenas 49% do número total de visitantes nos 19 anos anteriores à epidemia. Desde a reabertura das fronteiras no início deste ano, as autoridades procuraram promover e acelerar a recuperação económica. Os números mostram que, no primeiro semestre deste ano, registaram-se 11,64 milhões de chegadas de visitantes, 57,4 por cento do mesmo período de 2019, das quais 474 mil foram chegadas internacionais, apenas 27,2 por cento do mesmo período de 2019. Em Julho, o número de visitantes estrangeiros em Macau recuperou para 56% do nível registado em 2019, e a entrada de turistas registou no dia 5 de Agosto um novo recorde diário desde a pandemia, com a chegada de 140 mil visitantes.











