Habitação económica é essencial para atrair residentes de Macau a viver e abrir negócios em Hengqin  

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A Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin abriu oficialmente há quase dois anos, com inúmeros avanços. Para Lao Pun Lap, presidente da Associação Económica de Macau, deve-se olhar para cidades como Shenzhen, e disponibilizar um número suficiente de habitações económicas, caso contrário não haverá uma “comunidade de consumidores” local, e os residentes mais qualificados de Macau não se vão querer instalar e montar empresas em Hengqin.

 

Até Abril deste ano, havia 7.418 residentes de Macau a trabalhar e viver na Zona de Cooperação Aprofundada e destes, apenas 1.130 possuíam qualificações para exercerem actividades em Hengqin. Para incentivar mais residentes a investir e residir naquela zona, tem de se aumentar ainda mais a oferta imobiliária, e facilitar a circulação de pessoas entre Hengqin e Macau. Estas ideias foram defendidas pelo presidente da Associação Económica de Macau, Lao Pun Lap, num estudo publicado na Revista da Administração Pública de Macau.

O autor do texto “Situação Actual, Questões e Sugestões Referentes ao Desenvolvimento da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin” considera que, apesar de tudo, são insuficientes as várias iniciativas de dinamizar os sectores industrial, da finança moderna, da alta tecnologia e desenvolvimento científico e tecnológico, do design de alto nível, da medicina tradicional chinesa, e das convenções, exposições e eventos comerciais e turísticos. Até mesmo os benefícios fiscais concedidos não bastam, argumenta, isto porque uma das grandes questões da Zona de Cooperação Aprofundada é a falta de pessoas e o número de residentes de Macau que optam por lá viver e a permanecer, que é “relativamente reduzido”, constata Lao Pun Lap. O projecto Novo Bairro de Macau, que vai providenciar habitação a mais de 10 mil residentes, e que está “equipado com instalações de bem-estar, tais como jardim de infância, escola primária, posto de saúde, centro de serviços integrados de apoio à família”, é a chave para incentivar mais residentes de Macau a residir e viver em Hengqin:  o Novo Bairro de Macau deve servir como “experiência piloto”, e “deve-se estudar uma melhor forma de promover, em Hengqin, serviços com padrões adoptados em Macau, de educação, de saúde, de cuidados aos idosos e de bem-estar, e promover a articulação, de forma célere, entre os serviços públicos e o sistema de protecção social de Hengqin e Macau, disponibilizando um novo espaço de vida de qualidade aos residentes de Macau”.

O presidente da Associação Económica de Macau reiterou que a “Zona de Cooperação Aprofundada se encontra numa fase inicial de construção”, e que a oferta actual não corresponde às necessidades dos quadros qualificados e dos trabalhadores dos níveis médio e básico. Estes “regressam, depois do trabalho, a zonas tais como Gongbei e Doumen, onde as instalações de bem-estar são mais completas e as rendas da habitação são mais acessíveis”, comportamentos que, a seu ver, fazem com que haja uma “falta de uma comunidade de consumidores na Zona de Cooperação Aprofundada”.

Na óptica de Lao Pun Lap, deve-se tomar como referência a experiência das cidades como Shenzhen, e disponibilizar “um número suficiente de habitações económicas, com qualidade relativamente elevada, aos trabalhadores dos diversos níveis”, fazendo assim com que os trabalhadores dos níveis médio e básico residam na Zona de Cooperação Aprofundada com uma renda mais acessível e os quadros qualificados de alto nível comprem habitações a um preço mais baixo”. Estas medidas podem atrair os vários tipos de trabalhadores a viver, a trabalhar e a criar os seus negócios na Zona de Cooperação Aprofundada, aumentando assim uma comunidade dos consumidores, e criando um ambiente favorável para que as pequenas e médias empresas desenvolvam as suas actividades.

Acelerar o trânsito transfronteiriço é, também na perspectiva do doutorado em Economia, igualmente urgente, se queremos que mais pessoas em Macau se mudem para Hengqin.  “A facilitação do trânsito transfronteiriço entre Hengqin e Macau constitui um dos factores decisivos para os residentes de Macau desenvolverem as suas carreiras e viverem na Zona de Cooperação Aprofundada”. O autor do texto sugere que se acelere a “construção das infra-estruturas de trânsito transfronteiriço, incluindo o prolongamento da linha de Metro Ligeiro de Macau até Hengqin, ou o estudo da ligação e da coordenação de funções entre o aeroporto de Macau e o de Zhuhai.”

Recorde-se que, desde Agosto de 2022, foi cancelado o limite de quotas para a circulação de veículos ligeiros de passageiros de Macau sem fins comerciais em Hengqin, e o prémio dos seguros comerciais para os veículos de matrícula única foi reduzido até 30%. Os veículos de Macau podem ainda estacionar mediante o sistema de pagamento sem contacto. Lao Pun Lap sugere ainda que, “após a entrada em funcionamento do controlo da passagem transfronteiriça da ‘segunda linha’, deverá procurar permitir-se que todos os veículos de Macau possam circular na Ilha de Hengqin”, sem serem obrigados a parar e a ter de fazer a passagem fronteiriça, como acontece actualmente.

 

SUGESTÕES PARA AS INDÚSTRIAS

 

Quanto às sugestões para as quatro indústrias, e para a medicina tradicional chinesa de Macau, o autor considera que se devem simplificar os procedimentos do lançamento dos medicamentos tradicionais chineses de Macau no mercado da Grande Baía. Para que mais entidades financeiras locais e estrangeiras se instalem na Zona de Cooperação Aprofundada, poderiam oferecer-se mais fundos de oferta privada de Hengqin para que estas fizessem mais investimentos internacionais em Macau. Lao Pun Lap gostaria de ver mais empresas de tecnologias a colaborarem com o Instituto de Microelectrónica da Universidade de Macau e o Laboratório de Referência do Estado em Circuitos Integrados, para desenvolverem a cooperação indústria–universidade– investigação.

Por último, relativamente às indústrias culturais e turísticas, de convenções e exposições e de comércio,  o presidente da Associação Económica de Macau recomenda que se agilize a  “emissão de vistos de múltiplas entradas e saídas aos indivíduos que participam nas convenções e exposições e aos visitantes a Macau, para poderem atravessar livremente Zhuhai e Macau através do posto fronteiriço de Hengqin, no sentido de promover mais projectos 134  de marcas desportivas a nível internacional e nacional a instalarem-se na Zona de Cooperação Aprofundada, de impulsionar a articulação e a partilha das fontes dos visitantes e os recursos turísticos de Macau e de Hengqin, construindo um óptimo destino de lazer e de turismo internacional em Macau e Hengqin”, salientou.