Macau, Guangdong e Hong Kong procuram travar poluição do ozono, a única que subiu em 2022  

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FOTOGRAFIA GONCALO LOBO PINHEIRO

O relatório da qualidade do ar do Delta do Rio das Pérolas para 2022 revelou que os níveis dos cinco poluentes estão a baixar, numa tendência a longo prazo que vai continuar a descer, garantem as autoridades das três regiões. A excepção é o ozono, com níveis que subiram 39% desde 2006. Os compostos orgânicos voláteis e todos os poluentes estão sob a mira dos três departamentos ambientais, que continuam a apertar o cerco às indústrias, veículos e químicos que afectam a qualidade do ar na região.

 

A Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA) acaba de publicar o relatório de 2022 sobre a qualidade do ar no Delta do Rio das Pérolas. De acordo com o documento, a qualidade do ar da região que abrange Macau, Hong Kong e Guangdong “tem vindo constantemente a melhorar”, sendo que “todos os cinco poluentes atmosféricos mostram uma tendência de diminuição de longo prazo”.

Comparando com 2006, os valores médios anuais de concentração de dióxido de enxofre, partículas PM10 e dióxido de azoto verificados em 2022, desceram 86%, 52% e 45%, respectivamente. Em comparação com 2015, os valores médios anuais de concentração de monóxido de carbono e de partículas PM2,5 registrados em 2022, diminuíram 16% e 38%, respectivamente.

A única excepção é a dos níveis de ozono, que em 2022 aumentaram 39% relativamente ao ano de 2006, revelando que “a poluição fotoquímica na região precisa ser melhorada”, alertou a DSPA em comunicado. O Ozono ou ozónio é um poluente com características bastante singulares, porque não é emitido directamente pelas fontes, formando-se antes na própria atmosfera através de reacções químicas entre óxidos de nitrogénio e compostos orgânicos voláteis, activadas pela luz solar. A compreensão de como esse gás se forma, e as acções de controle que podem evitar o aumento da sua concentração nas regiões metropolitanas é uma preocupação que afecta muitas cidades mundiais, e a região do Delta das Pérolas não é excepção.

Para fazer face a este problema e desenvolver estratégias conjuntas, os Governos da região elaboraram um “estudo relativo às metas de redução de emissão de poluentes atmosféricos e aos níveis de concentração para as regiões após 2020”, e também se continua a procurar compreender as origens dos precursores de O3 na Grande Baía, o mecanismo de formação de O3, e a forma como este é “transportado” entre regiões, num esforço de proceder a uma “caracterização da deslocação regional e inter-regional de O3”, e de “fornecer uma base científica à elaboração de estratégias de controlo de ozónio”, indicaram as autoridades.

Em termos de monitoração, os governos das três regiões estão a ponderar formas de fazer o controlo regular de compostos orgânicos voláteis (COV), que são precursores da formação do ozónio ao nível do solo. O Governo de Hong Kong encontra-se em vias de construir um laboratório de qualidade do ar, e uma superestação para fornecer serviços de monitoramento de poluição regional do ar, assim como de serviços de previsão meteorológica.

 

ESTRATÉGIAS DAS TRÊS REGIÕES

 

Das várias iniciativas de melhoria da qualidade do ar na RAEM, a DSPA destacou as novas normas de emissão de gases de escape aplicadas aos novos veículos importados e veículos em circulação, assim como os esforços de incentivar os proprietários a abater os motociclos e ciclomotores obsoletos poluidores através de apoios financeiros, para além da promoção do uso de veículos eléctricos,  e melhoria das instalações complementares.

As autoridades da RAEM também impuseram novos limites de emissão de poluentes atmosféricos, e novos regulamentos de fiscalização para estabelecimentos industriais e comerciais, adoptando medidas de controlo da importação de tintas arquitectónicas que contêm elevados níveis de COV, e continuando a investir em estudos sobre a regulamentação de outros produtos que contêm elevados COVs. Na mesma linha, o Governo da Hong Kong também tenciona alterar a legislação relevante com vista a restringir os limites de COVs de 22 tipos de tintas arquitectónicas regulamentadas, e estender a regulamentação de COVs aos produtos de limpeza, revelou o mesmo comunicado.

Nos esforços de melhoria da qualidade do ar em Hong Kong, as autoridades da cidade vizinha implementaram diversas medidas de controlo das emissões de poluentes atmosféricos produzidos pelo tráfego marítimo e terrestre, pelas centrais eléctricas, e por máquinas móveis não rodoviárias. Em 2021, o Governo de Hong Kong lançou o “Roteiro para a Popularização de Veículos Elétricos de Hong Kong”, o “Plano de Ar Limpo para Hong Kong 2035”, e o “Plano de Acção Climática de Hong Kong 2050”, apresentando medidas que conduzirão Hong Kong a desenvolver esforços para atingir a meta de zero emissões antes de 2050, alcançando a neutralidade carbónica. Em termos concretos, as autoridades da cidade vizinha estão a implementar gradualmente “as medidas apresentadas no roteiro e nos planos, entre elas, a promoção do uso de veículos eléctricos e veículos de outras novas energias, transportes verdes, energia de carbono zero e outras medidas de protecção ambiental, que ajudará, assim, a aumentar ainda mais a qualidade geral do ar de Hong Kong”, indicou ainda o comunicado da DSPA.

Quanto a Guangdong, o governo daquela região procurou controlar a emissão de COVs em zonas industriais, e a forma como se armazenam e transportam produtos químicos e petrolíferos, procurando reduzir a emissão de óxidos de nitrogénio, e implementando ainda diversas iniciativas de reduzir a poluição industrial: promoveu o controle das caldeiras industriais e dos fornos, a supervisão de camiões movidos a diesel nas principais empresas de uso de veículos, a inspecção de conformidade para novos veículos, e a gestão de emissões das máquinas móveis não rodoviárias. As entidades responsáveis implementaram ainda inspecções periódicas de amostragem de qualidade de produtos de óleo para máquinas das obras, verificando o estado de emissão das mesmas.

A DSPA, a Direcção dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos de Macau, o Departamento de Ecologia e Ambiente da província de Guangdong, e o Departamento de Protecção Ambiental de Hong Kong responsabilizam-se, respectivamente, pela coordenação, gestão e funcionamento das estações de monitorização instaladas nas três regiões. A rede de monitorização do ar da região é constituída por 23 estações instaladas na província de Guangdong, Hong Kong e Macau, visando monitorizar os seis principais poluentes atmosféricos: dióxido de enxofre, dióxido de azoto, ozono, Partículas PM10, Partículas PM2,5 e monóxido de carbono.

As entidades governamentais publicaram também a síntese estatística dos dados de monitorização trimestral da região do Delta do Rio das Pérolas, dos resultados de monitorização durante todo o ano, e das análises de tendências de longo prazo da poluição do ar. As informações pormenorizadas respeitantes ao relatório anual e ao resumo estatístico trimestral sobre a qualidade do ar regional encontram-se disponíveis para consulta nas páginas electrónicas dos respectivos departamentos.