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      Plataformas online da DST ineficazes na divulgação da oferta culinária local, critica deputado  

      Os turistas chegam a Macau e não sabem onde ir comer os pratos publicitados, constatou um deputado da Assembleia Legislativa. Mapas sem referência aos pratos mais famosos de Macau, listas de restaurantes que só incluem restaurantes Michelin, e não recomendam restaurantes mais “autênticos” e “comunitários”, são algumas das lacunas das plataformas promocionais da DST, acusa Ngan Iek Hang.

       

      Macau, classificada pela UNESCO como “Cidade Criativa em Gastronomia”, apesar de ser rica em diversidade culinária e com centenas de restaurantes à escolha, é um local que deixa a desejar em termos de clareza de informações sobre os estabelecimentos de restauração. Ngan Iek Hang interpelou as autoridades sobre detalhes das campanhas promocionais da Direcção do Turismo de Macau (DST), denunciando falhas na forma como a informação é disponibilizada.

      O deputado considera que, quando os típicos pratos locais são promovidos com fotografias e descrições, falta haver uma lista de locais onde os turistas podem ir experimentar essas iguarias, e, inversamente, a lista de restaurantes da cidade que está na página criada pela DST não explicita que pratos são servidos nesses estabelecimentos: “a aplicação móvel ‘Experience Macao’ lançada pelas autoridades dispõe de um ‘Mapa da Gastronomia’, mas há poucas informações sobre os pratos”, diz. Quanto às “páginas publicitárias onde se exibem os pratos locais de Macau, embora haja uma divisão por estilos de culinária, nomeadamente, pratos com características sino-portuguesas, ‘Série da Cozinha Macaense’, ‘Sabores de Macau’, etc., o conteúdo limita-se à apresentação e às fotografias da comida, sem nenhuma ligação aos respectivos restaurantes”. Isto leva a que os turistas tenham de fazer “esforços adicionais para pesquisar mais informações”, uma situação que tem de ser melhorada pelas entidades responsáveis, alerta o deputado.

      Atendendo às suas preocupações, Maria Helena de Senna Fernandes explicitou que a “DST apresenta vários tipos de informação sobre alimentação através da página eletrónica da promoção turística de Macau, da aplicação móvel “Experience Macao” e da aplicação inteligente de planeamento de viagens “Macau Fun””, e que na página electrónica são referidas “mais de 300 pontos de venda de especialidades gastronómicas em Macau, incluindo as ‘Lojas de Especialidades’”, informações que também podem ser consultadas através da aplicação “Experience Macau”, e na conta WeChat da DST.

      O deputado gostaria de ver a secção da página da DST com informação dos restaurantes actualizada e organizada por zonas da cidade, e por categorias de tipos de culinária. Deviam ser descritos os “pratos característicos e uma lista de restaurantes consoante os diversos bairros comunitários, como, a titulo exemplificativo, comida sudeste-asiática nos ‘Três Candeeiros’,  comida portuguesa na periferia da Taipa, etc., categorizando os pratos em pequeno-almoço chinês, cozinha ocidental, pratos do sudeste-asiático, cafés, cozinha de fusão, comida de mercado, ceia em tasquinhas”, algo que na sua perspectiva iria auxiliar os visitantes a “encontrar mais facilmente as informações relativas às nossas delícias culinárias”.

      Em resposta a estas sugestões, a directora da DST refutou as observações do deputado, sustentando que o seu departamento está a “fazer bom uso das redes sociais oficiais”. Na página da DST, diz, existem reportagens e entrevistas a “internautas estrangeiros” que fizeram diversas visitas a bairros e restaurantes da cidade, para dar a conhecer as lojas especiais, a comida de rua e as refeições de qualidade em vários bairros, bem como histórias humanas interessantes”, vídeos que o PONTO FINAL confirmou estarem disponíveis na página www.gastronomy.gov.mo.

       

      FERNANDO FORA DO MAPA

       

      Quanto ao Mapa de Restaurantes criticado pelo deputado, Maria Helena de Senna Fernandes prometeu que este continuará a “ser enriquecido por visitas a restaurantes em diferentes distritos em cooperação com os internautas locais”, mas não quis responder directamente às sugestões do deputado. Na página da DST na secção dedicada à restauração, o PONTO FINAL confirmou que embora exista um mapa com 190 sugestões de estabelecimentos de comida, estes não fazem referência a pratos, nem estão organizados por zonas de tipos culinários, embora haja a opção de procurar as ofertas por estilo de cozinha ou categoria de restaurante (se se localiza fora ou dentro de um hotel, se é para ‘refeições simples’, ou ‘comidas e bebidas’).

      O nosso jornal também encontrou algumas falhas de critério na escolha dos 190 restaurantes, já que faziam parte da lista cadeias internacionais de restauração de pizzaria ‘fast food’, mas, por outro, faltavam estabelecimentos icónicos como o Restaurante Fernando, em Coloane, ou uma das casas de sopas de fitas cantonense mais antigas do Leal Senado, a Wong Chi Kei.

      Outra das críticas levantadas pelo deputado Ng Ngan Iek Hang foi a falta de referência a “lojas com características próprias” na aplicação para telemóveis “Experience Macao”, que este diz se dedicar principalmente aos restaurantes com estrelas e aos famosos ‘bloggers’ da área da gastronomia”, algo que a seu ver limita as escolhas dos turistas. A responsável da DST garantiu que vão ser aumentadas as referências na página, e que “a informação será revista e actualizada oportunamente”, indicando que em 2014 foi criado o “Programa de Reconhecimento de Serviços Turísticos com Estrelas”, cuja lista dos comerciantes premiados é publicada anualmente na página da DST, e que em 2022 foram ainda introduzidos “quatro prémios temáticos especiais para incentivar o desenvolvimento do sector nas áreas das características locais, operações inovadoras, alimentação ecológica e serviços de assistência”.

       

      COZINHA LOCAL POUCO FAMOSA

       

      Apesar de louvar as iniciativas “Turismo + Gastronomia”, como o “Fórum Internacional de Gastronomia, Macau”, o lançamento da Base de Dados da Cozinha Macaense, e as recentes “Demonstrações de Cidades de Gastronomia” durante a 11.ª Expo Internacional de Turismo (Indústria) de Macau na última semana de Junho, Ngan Iek Hang considera que há falta de aplicação concreta destes esforços promocionais. “São poucas as exposições sobre comida, as competições, os workshops, etc., e algumas actividades limitam-se às convenções e exposições”, sustenta. A responsável da DST referiu que se vai continuar a organizar “várias feiras de viagens em países estrangeiros, com elementos gastronómicos como foco principal”, e a “convidar o sector turístico e os meios de comunicação social estrangeiros a visitarem Macau para conhecerem os mercados locais, bazares e restaurantes”. Quanto a intercâmbios culinários, durante a 11.ª Exposição Internacional da Indústria Turística de Macau, a DST organizou a “Mostra de Culinária das Cidades Gourmet”, que contou com a participação de 23 “Cidades Criativas da Gastronomia” da UNESCO, incluindo Macau. chefes de cozinha do Japão, Colômbia, México, Tailândia, Portugal e Estados Unidos, bem como equipas de chefes de cozinha de empresas locais de turismo e lazer integrado e de hotéis, trocaram os seus conhecimentos culinários e apresentaram neste “Showcase”, esclareceu ainda a responsável.