Sete casos de contrabando no ano passado envolveram estudantes

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Não foi detectado este ano nenhum caso de contrabando que esteja ligado a estudantes, mas no ano passado foram registados sete casos relevantes, revelaram os Serviços de Alfândega. As autoridades afirmam que estão altamente atentas ao contrabando, tendo sido realizadas sessões de divulgação de conhecimento jurídico aos jovens. Segundo o Gabinete do Secretário para a Segurança, o Governo também reforçou a sensibilização dos jovens contra os esquemas de procura de emprego durante as férias de Verão.

 

Os Serviços de Alfândega (SA) detectaram no ano passado um total de sete casos envolvendo estudantes que praticaram contrabando entre as fronteiras de Macau e do interior da China, tendo o organismo notificado de imediato a situação às respectivas escolas para acompanhamento. Este ano, de Janeiro até Maio, não foi descoberto nenhum caso relevante.

Como forma de aumentar o combate às práticas de contrabando por parte de estudantes, nomeadamente os alunos transfronteiriços, as autoridades estabeleceram em 2021, em conjunto de várias escolas da Zona Norte da cidade, um mecanismo de notificação de actividades de contrabando, para que sejam notificados os estabelecimentos escolares e as entidades oficiais quando forem descobertos casos do género.

As informações foram dadas pelo Gabinete do Secretário para a Segurança, em resposta a uma interpelação escrita do deputado Lam Lon Wai. Os Serviços de Alfândega, citados pelo Gabinete de Wong Sio Chak, indicaram que “têm prestado elevada atenção às actividades de contrabando e estão a reforçar a repressão às actividades ilegais”. Os trabalhos incluem divulgação das informações sobre as práticas ilegais através de notícias, sites e plataformas das redes sociais, visando aprofundar a sensibilização do público, bem como “ter um efeito de alerta e dissuasão sobre aqueles que pretendem envolver-se em actividades contrabandistas”.

Na sua interpelação apresentada à Assembleia Legislativa, o deputado Lam Lon Wai abordou a necessidade de intensificar as acções de prevenção criminal e de burla destinadas aos jovens nas férias escolares de Verão.

“No ano passado, descobriu-se que alguns grupos criminosos se aproveitavam de alunos menores para a prática de contrabando. Para os jovens, a retribuição da prática de contrabando é elevada, mas trata-se de um acto que não é permitido por lei e que pode mesmo ter um impacto negativo nos juízos de valor dos jovens”, ressalvou.

Segundo o Gabinete do Secretário para a Segurança, em virtude de evitar que os jovens participem em actividades de contrabando durante as férias escolares, a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude convidou os SA a realizar cursos de formação para o pessoal docente das escolas primárias e secundárias. “Para apresentar as funções do departamento e as acções contra o contrabando, de forma que os professores forneçam educação e orientação aos alunos no ensino quotidiano”, enfatizou.

A Alfândega enviou, ao mesmo tempo, pessoal às escolas locais para dar palestras sobre a matéria, incluindo a nocividade desse tipo de actividades e as respectivas responsabilidades legais.

Recorde-se que, segundo o Corpo de Polícia de Segurança Pública, uma grande diferença de preços entre os produtos de Macau e do interior da China e o conveniente desalfandegamento entre Macau e Zhuhai são os motivos que fazem com que haja cada vez mais praticantes de contrabando. A situação tornou-se mais grave desde o surto epidémico, dado que os produtos, que originalmente entravam no interior da China através de outras regiões, passaram a entrar no Continente através de Macau, que tem mantido a circulação transfronteiriça ao longo do tempo da pandemia.

Para além disso, Lam Lon Wai, que também é docente numa escola, mostrou-se preocupado com os esquemas sobre emprego durante férias de Verão, uma vez que “há delinquentes que se aproveitam da falta de experiência social dos jovens e da sua ânsia de arranjar emprego” e recorrem a falsos recrutamentos e burlas.

O Gabinete de Wong Sio Chak avançou que as autoridades policiais realizaram, até Maio, um total de oito palestras sobre a prevenção de armadilhas de procura de emprego, onde partilharam com cerca de 2.200 alunos os conhecimentos contra burlas, estando ainda a formular estratégias de publicidade antifraude mais direccionadas aos jovens.