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      InícioLusofoniaParceria China-Angola com "perspectivas amplas" mas também riscos, diz investigador chinês

      Parceria China-Angola com “perspectivas amplas” mas também riscos, diz investigador chinês

       

      O investigador do Kwenda Institute João Shang defendeu que a parceria estratégica entre China e Angola tem “perspectivas amplas”, mas na relação existem oportunidades e riscos.

       

      Segundo o investigador, do lado das oportunidades para Angola está aquilo que a China pode ajudar na diversificação da economia angolana e na criação de emprego, sobretudo para os jovens, um dos grandes problemas do país africano.

      Do lado da China, Angola é um país de oportunidades, nas áreas da mineração, energias renováveis, agricultura, pesca e como produtor de petróleo também e “um importante parceiro” em África.

      Porém, João Shang não nega que há riscos nesta relação, não ao nível dos Governos, mas dos dois povos, admitindo que a língua é um obstáculo e que os problemas laborais entre alguns investidores chineses e os seus trabalhadores ou mesmo com a comunidade não têm facilitado a relação entre os dois países. Também a questão da desvalorização da moeda angolana, que preocupa os investidores chineses.

      Quanto à economia angolana, considerou que ao país falta “estrutura industrial, estrutura de distribuição de rendimentos e estrutura do comércio de importação”.

      O consenso de quase todos os economistas é que a dependência de Angola a longo prazo das exportações de petróleo resultou numa estrutura económica “única, fraca capacidade de inovação independente e dependência excessiva da economia externa”, afirmou o investigador.

      Assim, num processo de formulação de políticas e modelos de desenvolvimento económico, o Governo “deve apoiar vigorosamente a entrada da economia privada”, defendeu Shang, para incentivar o desenvolvimento de empresas privadas que “podem resolver quase 65% de desemprego dos jovens”.

      Para o investigador, é ainda importante que Angola “abandone o pensamento xenófobo e introduza uma política aberta”, nomeadamente para “conhecer as vantagens das políticas económicas dos países vizinhos”.

      Quando a economia nacional “está mais difícil, o Governo precisa adoptar medidas de reforma mais abertas e inclusivas; as pessoas precisam trabalhar com o Governo para resolver os problemas existentes, em vez de resolver o problema pela violência”, realçou.

      Alertando que quando os governos não conseguem fornecer emprego, o autoemprego e a descoberta de novas oportunidades de emprego são a única saída para a pobreza. “Esperamos que Angola consiga riqueza no futuro para os jovens”, concluiu.

      O investigador foi um dos oradores do III Congresso Internacional de Angolanística, que está a decorrer na Biblioteca Nacional em Lisboa, uma iniciativa da Rede de Investigação Científica de Angola (Angola Reseach Network).

      Como um importante parceiro estratégico da China em África, Angola tornou-se o segundo maior parceiro comercial do gigante asiático e um importante destino de investimento em África. Ao mesmo tempo, “a China é o maior parceiro comercial de Angola”, sublinhou Shang na sua intervenção.

      As empresas chinesas têm investido na construção de parques industriais, agricultura e pescas, comunicações e outras áreas, que “têm desempenhado um papel importante no reforço da capacidade de desenvolvimento independente e sustentável e na promoção do emprego em Angola”, realçou. “Nos últimos 40 anos de relacionamento, estabelecemos um exemplo de benefício mútuo entre a China e a África. A cooperação pragmática China-Angola tem sido continuamente desenvolvida e consolidada, formando um padrão de interesses entrelaçados de amizade e cooperação”, salientou.

      Em Angola, as empresas chinesas construíram 2.800 quilómetros de ferrovias, 20.000 quilómetros de estradas, mais de 100.000 conjuntos de habitação social, mais de 100 escolas e mais de 50 hospitais, apontou.

      A Central Hidroeléctrica de Kaculo Kabaça, o Novo Aeroporto Internacional de Agostinho Neto, a Nova Cidade de Kilamba Kiaxi e Zango 5, o Caminho-de-ferro de Benguela, o Porto de Caio, a Central do Soyo e “muitos outros projetos de cooperação foram implementados com sucesso”.

      Existem mais de 350 empresas de financiamento chinês a operar em Angola, investindo principalmente na agricultura, água potável, pescas, industria transformação, comércio, imobiliário e outras áreas, com foco na construção, comércio, imobiliário e fabricação. Lusa

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      Redacção do Ponto Final Macau