O primeiro-ministro espanhol está de visita à China e, em declarações feitas na Universidade Tsinghua, instou Pequim a reforçar o seu papel no sistema multilateral, defendendo maior pressão para o cumprimento do direito internacional e o fim de conflitos como os do Médio Oriente ou da Ucrânia.
O primeiro-ministro espanhol instou a China a reforçar o seu papel no sistema multilateral, defendendo maior pressão para o cumprimento do direito internacional e o fim de conflitos como os do Médio Oriente ou da Ucrânia.
Pedro Sánchez fez estas declarações na Universidade Tsinghua, em Pequim, no arranque da visita oficial ao país, sublinhando que sem a cooperação das grandes potências não será possível alcançar um sistema multilateral equilibrado.
“A China faz muito, e saudamos isso, mas pode fazer mais, exigindo, como tem feito, que o direito internacional seja respeitado e que cessem conflitos como os do Irão, Líbano, Cisjordânia ou Ucrânia”, afirmou.
O chefe do Executivo espanhol insistiu que “o direito internacional é a base de tudo” e apelou a um maior envolvimento de Pequim para promover a estabilidade global.
IMPRENSA CHINESA DIZ QUE VISITA DE SÁNCHEZ É EXEMPLO DA RELAÇÃO DESEJÁVEL COM EUROPA
A imprensa estatal chinesa destacou a visita do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, apresentando-a como exemplo das relações que a China pretende manter com a Europa.
“Europa e China voltam a ver-se ao espelho espanhol”, titula um editorial do jornal oficial Global Times, que descreve Espanha como uma “ponte vital” entre o país asiático e a Europa e sustenta que “ainda hoje é evidente o espírito duradouro da ligação com Madrid”.
Segundo o editorial, a aproximação de Espanha à China “não representa de forma alguma um afastamento da Europa nem uma tentativa de demonstrar que Madrid mantém melhores relações com Pequim do que os seus vizinhos”.
Pelo contrário, “o pragmatismo e a abertura espanhóis demonstram uma corrente positiva e de longa data nas relações China – Europa que é actualmente abafada pelo ruído político: a disposição para aceitar a complexidade do outro e procurar consensos e benefícios através da interação”, lê-se no editorial do Global Times.
“Ao traçar o futuro das relações entre a China e a Europa, talvez devêssemos olhar além das mesas de negociação em Bruxelas e espreitar o ‘espelho espanhol’”, vincou o jornal.
Num tom semelhante, o China Daily e o Diário do Povo destacaram a visita de Sánchez, sublinhando as quatro deslocações ao país asiático em quatro anos e a solidez da relação bilateral.
A imprensa chinesa deu também destaque à agenda privada do chefe do Executivo espanhol e da esposa durante o fim-de-semana, quando foram vistos – e filmados por vários transeuntes – a passear por locais emblemáticos de Pequim, como o Palácio de Verão e bairros tradicionais (‘hutong’) em torno das históricas torres do Tambor e da Campainha.
O principal foco político da visita está previsto para hoje, quando Sánchez se reunirá com o Presidente chinês, Xi Jinping, o primeiro-ministro, Li Qiang, e o presidente do Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional, Zhao Leji, além de presidir à assinatura de acordos bilaterais com este último.
SÁNCHEZ CONSIDERA QUE DÉFICE COMERCIAL COM A CHINA É INSUSTENTÁVEL
Sánchez afirmou que o défice comercial de Espanha com a China “é insustentável para as nossas sociedades a médio e longo prazo”.
Sánchez, que realiza a quarta visita à China em quatro anos, assegurou que Espanha “precisa que a China se abra para que a Europa não tenha de se fechar”, numa altura em que o défice comercial entre Madrid e Pequim ultrapassou os 42 mil milhões de euros em 2025 e persistem disputas tarifárias entre a União Europeia e o país asiático.
O chefe do Executivo espanhol defendeu, num discurso na Universidade Tsinghua, em Pequim, a necessidade de “corrigir” esse desequilíbrio e de “construir conjuntamente uma economia globalizada, equilibrada, que gere prosperidade partilhada”.
Segundo Sánchez, a ordem multipolar exige “uma economia mais horizontal e mais justa, em que não haja regiões perdedoras e outras vencedoras”.
O primeiro-ministro indicou que a multipolaridade “não é uma hipótese, nem um desejo, é já uma realidade” e que Espanha “opta por abraçá-la”.
A ideia de que “aprofundar determinadas relações implica renunciar a outras” é, segundo Sánchez, uma leitura “errada” e “perigosa”.
SÁNCHEZ OFERECE ESPANHA PARA PROJECTOS DE COOPERAÇÃO TECNOLÓGICA
O primeiro-ministro espanhol visitou também a sede da tecnológica Xiaomi e destacou o ecossistema industrial e logístico “competitivo” que Espanha oferece para novos projectos de cooperação tecnológica com empresas chinesas.
Sánchez deslocou-se à sede da Xiaomi no âmbito da agenda oficial da sua visita à China, que tem entre os objectivos atrair mais investimento para Espanha e reforçar a colaboração com empresas chinesas no sector tecnológico.
Acompanhado pela esposa, Begoña Gómez, o chefe do executivo visitou uma exposição dos produtos mais inovadores da empresa, tendo previamente mantido uma reunião com o fundador, Lei Jun.
Nesse encontro, segundo o Governo espanhol, Sánchez sublinhou que Espanha reúne as condições adequadas para uma cooperação ao mais alto nível, destacando as capacidades tecnológicas, o talento e a fiabilidade do tecido industrial espanhol para explorar novos projectos com a Xiaomi.
O primeiro-ministro salientou ainda o papel crescente de Espanha como polo europeu de infraestruturas digitais, centros de dados e projectos de inteligência artificial.
A tecnológica chinesa já colabora com empresas espanholas líderes nos sectores automóvel e da indústria avançada, o que, segundo Sánchez, confirma a competitividade e fiabilidade do tecido industrial espanhol em processos de elevado conteúdo tecnológico.
Lei Jun felicitou Sánchez pelo crescimento económico de Espanha, que classificou, segundo o executivo espanhol, como “muito rápido e positivo”.
Durante a visita à exposição, Pedro Sánchez e Begoña Gómez conheceram os mais recentes modelos de veículos eléctricos da empresa, bem como uma casa inteligente com sistemas domóticos integrados e uma área dedicada a componentes automóveis, como chassis, motores eléctricos e baterias.
Lusa













