Macau vai presidir Comissão Executiva da UCCLA até 2028

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Macau acolheu pela quarta vez a Assembleia-Geral da União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA), num encontro que visou promover a cooperação e o intercâmbio entre os países e cidades do mundo lusófono. Nesta 43.ª reunião, a RAEM foi eleita presidente da Comissão Executiva da UCCLA para o biénio 2026-2028, enquanto a cidade de Guimarães foi escolhida para receber a assembleia do próximo ano de 2027.

Macau acolheu esta segunda-feira a 43.ª Assembleia-Geral da União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA), que decorreu no Complexo da Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa. O evento reuniu 35 delegações de autarcas e empresários das cidades lusófonas que compõem a associação e culminou com a eleição da RAEM como presidente da Comissão Executiva para o biénio 2026-2028.

O Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, encontrou-se na manhã de anteontem com a delegação da UCCLA, num evento que contou com a presença de membros do Governo e de mais de 20 representantes da união. De acordo com um comunicado divulgado pelo Gabinete de Comunicação Social, o governante começou por saudar a decisão da UCCLA de realizar pela quarta vez a sua assembleia-geral em Macau, depois de edições anteriores em 1997, 2001 e 2007, e realçou o papel do território enquanto um dos fundadores da organização. Disse, também, esperar que a visita dos membros ao território permita que comprovem, presencialmente, “os resultados significativos e as profundas mudanças que a RAEM alcançou nos últimos 26 anos desde o seu estabelecimento”.

Ainda reflectindo sobre o progresso de Macau após a transferência de soberania, em 1999, o Chefe do Executivo considerou que o território “concretizou uma estabilidade social e prosperidade económica” com resultados “evidentes para todos”, apesar da sua pequena dimensão. Nos últimos anos, tal como reconhecido pelo Presidente chinês Xi Jinping na sua visita a Macau no final de 2024, têm sido aprofundadas as relações cooperativas com os países de língua portuguesa e a abertura ao exterior, sendo “inquestionável” o posicionamento de Macau enquanto plataforma sino-lusófona.

Na mesma ocasião, o presidente do Conselho Municipal de Maputo e dirigente da 43.ª Assembleia-Geral, Rasaque Silvano Manhique, agradeceu a hospitalidade do Governo da RAEM e reconheceu os contributos “significativos” de Macau no que respeita à transmissão dos valores de multiculturalidade e ao estreitamento de relações entre a China e as cidades de língua portuguesa. O político moçambicano afirmou ainda que a UCCLA “continuará a aprofundar as relações de cooperação com o território”, com a intenção de “criar em conjunto uma rede de cooperação mais estreita entre cidades de língua portuguesa”.

ASSEMBLEIA DE 2027 TERÁ LUGAR EM GUIMARÃES

Na manhã de anteontem, segunda-feira, a Comissão Executiva da UCCLA reuniu-se no edifício do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) para debater as actividades desenvolvidas no último ano. Seguiu-se a Assembleia-Geral da UCCLA, onde a RAEM foi eleita presidente da Comissão Executiva até 2028 e Ricardo Araújo, presidente da Câmara Municipal de Guimarães, foi escolhido como vice-presidente da organização. Guimarães foi também a cidade eleita para acolher o encontro de 2027 – precisamente um ano antes da celebração dos 900 anos da Batalha de São Mamede.

Terminada a reunião, o secretário-geral da UCCLA, Luís Campos Ferreira, considerou que as cidades lusófonas “têm muito a aprender com a China”, um país “muito útil” e com “muito conhecimento a transmitir”. O antigo secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação do XIX Governo Constitucional, entre 2013 e 2015, defendeu         que a comunicação já existente entre as cidades lusófonas nos campos económico e cultural deve reforçar-se e expandir-se para outras áreas. “O que sentimos é que há uma vontade de colaborar ainda mais, de as cidades partilharem conhecimento umas com as outras, para responder melhor às necessidades dos cidadãos”, afirmou, citado pela Lusa.

Outro dos convidados de destaque foi Isaltino Morais, que participou pela primeira vez numa assembleia da UCCLA. À Lusa, o presidente da Câmara Municipal de Oeiras explicou a importância da cooperação com outras cidades – incluindo chinesas – para o desenvolvimento e a optimização de municípios portugueses e a qualidade de vida das populações. “Oeiras representa cerca de 10% do PIB [Produto Interno Bruto] português”, notou, em entrevista com a Lusa. “O que nos interessa é tudo o que tenha a ver com desenvolvimento tecnológico, biomedicina, biotecnologias e tecnologias de informação, áreas em que a China tem experiência e capacidade de investimento”.

A visita dos representantes da UCCLA foi ainda pretexto para a realização de uma série de actividades ao longo de três dias, conforme descreve um comunicado do IAM. No primeiro, os participantes visitaram o Pavilhão de Exposição da Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa e “Macau Ideas”, ao que se seguiu um jantar oferecido pelo secretário para a Administração e Justiça, Wong Sio Chak. No segundo dia, teve lugar um Fórum Empresarial sob o tema “Infra-estruturas e Cidades Inteligentes” e uma visita de cerca de 100 participantes e empresários à Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin. Por fim, o terceiro dia ficou marcado por uma visita à cidade de Macau.

Fundada em 1985, a UCCLA integra actualmente 106 membros associados, incluindo cidades e empresas de países como Angola, Brasil, Cabo Verde, China (Macau), Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.