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      InícioGrande ChinaEnviado chinês mostra esforços da China para tornar-se potência global, dizem analistas

      Enviado chinês mostra esforços da China para tornar-se potência global, dizem analistas

       

      A chegada de um enviado chinês a Kiev esta semana sintetiza os esforços de Pequim para afirmar a sua liderança nos assuntos internacionais, visando contrariar a ordem estabelecida por Washington, que considera hostil aos seus interesses, apontam analistas.

       

      O enviado chinês Li Hui está em Kiev desde terça-feira e até ontem, e deverá também visitar a França, a Alemanha e a Rússia, com vista a “uma resolução política da crise ucraniana”, segundo Pequim. Li, o representante especial para os assuntos euro-asiáticos encarregado de discutir a resolução da guerra russa contra a Ucrânia, deverá ainda visitar Varsóvia na sexta-feira para discutir a situação na Ucrânia, segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros polaco.

      Desde Março passado, o Presidente chinês, Xi Jinping, recebeu em Pequim os líderes do Brasil, Espanha, Singapura, Malásia, França e União Europeia, enquanto altos funcionários chineses viajaram para a Europa, Ásia Central ou sudeste asiático.

      Durante o mesmo período, Irão e a Arábia Saudita anunciaram, em Pequim, um acordo para restabelecerem as relações diplomáticas. A China expressou ainda a disponibilidade para mediar as negociações para um acordo de paz entre Israel e Palestina. Na Ucrânia, Pequim diz querer negociar um acordo político que ponha fim à guerra, que dura há 15 meses. “A China está a entrar no oceano”, disse metaforicamente o coronel reformado chinês Zhou Bo, numa entrevista à revista Time. “Não há como voltar atrás”, apontou.

      Este esforço surge numa altura em que o país está a emergir de três anos de isolamento, imposto pela estratégia ‘zero covid’, para um ambiente externo mais hostil, à medida que os Estados Unidos solidificaram as suas alianças de segurança na região da Ásia Pacífico e Europa. “É óbvio: A China quer contrariar a pressão de Washington para isolar o país”, escreveu Tianyi Wu, especialista da Universidade de Oxford nas relações entre China e Estados Unidos.

      Em causa estão também considerações económicas, à medida que fricções geopolíticas motivaram os principais parceiros comerciais da China a procurar alternativas para reduzir as vulnerabilidades nas cadeias de fornecimento. Wu frisou, no entanto, uma visão mais ampla por detrás dos esforços da diplomacia chinesa: promover uma ordem mundial multipolar, que afrouxe o domínio norte-americano estabelecido após a II Guerra Mundial.

      Nos últimos anos, Pequim avançou com fóruns e organizações multilaterais próprias, incluindo a Iniciativa “Faixa e Rota”, o Banco Asiático de Investimento em Infraestruturas ou a Iniciativa de Segurança Global, que visa construir uma “arquitetura global e regional de segurança equilibrada, eficaz e sustentável”, ao “abandonar as teorias de segurança geopolíticas ocidentais”.

      A China vai “promover uma nova forma de relações internacionais”, proclamou Xi Jinping. “Ao avançar no seu processo de modernização, a China não vai trilhar o caminho antigo da colonização e pilhagem, nem o caminho sinuoso escolhido por alguns países para alcançar a hegemonia”, assegurou o líder chinês, no mês passado, na apresentação de mais uma iniciativa, designada Civilização Global. Advertiu outros países para se “absterem de impor os seus próprios valores ou modelos aos outros”, numa referência à ordem democrática liberal liderada por Washington.

      Num relatório entregue ao Congresso dos EUA, Nadège Rolland, analista de questões de segurança, lembrou que a “actual ordem internacional está enraizada em normas intrinsecamente antagónicas aos princípios organizadores nos quais o sistema do Partido Comunista Chinês (PCC) se baseia” e que, portanto, é “vista como uma ameaça permanente à legitimidade do regime”.

      Num artigo de opinião publicado pelo Global Times, jornal oficial do Partido Comunista Chinês, John Pang, pesquisador da Academia Perak, na Malásia, defendeu que a ideologia liberal é “inerentemente unipolar e extremista”. “O liberalismo reconhece apenas a sua própria legitimidade”, notou. “Qualquer outra forma de governo é rotulada como ‘autocracia’ e marcada para uma mudança de regime”, observou. “O desenvolvimento da China demonstra que existem outros caminhos para a modernização”.

      A China nunca condenou publicamente o Presidente russo, Vladimir Putin, pela invasão da Ucrânia, lançada em 24 de fevereiro de 2022. Pequim apresenta-se como uma parte neutra e pretende desempenhar um papel de mediador, mesmo que a posição de parceiro económico e diplomático próximo de Moscovo a desqualifique aos olhos de algumas capitais europeias.

      A guerra contra a Ucrânia mergulhou a Europa naquela que é considerada a crise de segurança mais grave desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Lusa

       

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      Redacção do Ponto Final Macau