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      “A Room of One’s Own – Hermaphroditus”, o espectáculo que explora a multiplicidade das relações humanas

      Visando explorar as subtilezas das relações, bem como despertar e transmitir o amor, a peça que combina dança, música ao vivo e poemas “A Room of One’s Own – Hermaphroditus” vai estrear-se este fim-de-semana. Os coreógrafos e dançarinos Tina Kan e Jay Zheng, ouvidos pelo PONTO FINAL, disseram esperar trazer ao público um trabalho terno que mostra o amor, sendo elo e expressão de bondade de seres humanos. O espectáculo é uma continuação do projecto do Festival Literário de Macau, e é inspirado pela escritora pioneira Virginia Woolf e a noção proposta da androginia, considerada como “ressonante e porosa”.

       

      O espectáculo de dança e música “Hermaphroditus”, baseado no conceito da “androginia” proposta pela da escritora britânica Virginia Woolf na sua obra “A Room of One’s Own”, será apresentado ao público pelo Rota das Letras – 12.º Festival Literário de Macau durante dois dias consecutivos neste fim-de-semana no Albergue SCM. Sendo a segunda parte do projecto plurianual de “A Room of One’s Own” do Festival Literário de Macau, a peça artística vai ser uma transformação da interpretação literária a uma combinação de dança, música ao vivo, poemas e cenografia.

      Tina Kan e Jay Zheng, coreógrafos, realizadores e também dançarinos de “Hermaphroditus”, esperam que o trabalho, além de “explorar as subtilezas e a impermanência da natureza humana nas relações”, possa “transmitir o amor e trazer esperanças para todos”.

      “Na verdade, o tema, bem como o sentimento a expressar neste trabalho nosso, é muito terno. É um apelo para o amor, para todos poderem sentir que o amor ainda existe”, explicou Jay Zheng, dançarino experiente baseado em Pequim e antigo dançarino principal do grupo Beijing Contemporary Ballet.

      Em declarações ao PONTO FINAL, ao destacar a pressão acrescente na vida metropolitana, Jay Zheng disse acreditar ser importante mostrar ao público a “comunidade de vidas” e “a luz e o sol”, através da representação artística e da literatura.

      Na perspectiva do dançarino, o amor é um sentimento e atitude manifestados em relação ao mundo e à cosmologia. Nesse sentido, o amor não se limita em se ver um comportamento ou imaginação, mas uma expressão de bondade de emoções humanas. A peça artística, entretanto, contrasta ainda as emoções da solidão ou depressão, sendo também uma parte da realidade da nossa vida.

      Segundo a apresentação, “A Room of One’s Own – Hermaphroditus” é uma narrativa inspirada pela obra revolucionária do feminismo de Virginia Woolf, bem como da análise e discussão literárias de sessões de debate, workshop e concerto realizados no Festival Literário de Macau do ano passado.

      A representação do trabalho conta com a participação de quatro dançarinos – Tina Kan, Jay Zheng, Helen Ko e Karen Hoi, incorporando a banda de música electrónica, Evade. A actuação será acompanhada ainda por interpretações do poeta Ezaak Ez e do poeta local M. Chow, com recitação de poemas e citações da obra de Virginia Woolf, em chinês, inglês e português.

      “De facto, o trabalho ao vivo é bastante desafiador. Temos de coordenar todos os elementos de actuação e assim as exigências do trabalho são elevadas e a precisão é muito delicada”, admitiu o coreógrafo, mostrando simultaneamente a gratidão de ter oportunidade e apoio para concluir o trabalho.

      Tina Kan, por sua vez, destacou que opta por actuar com a música ao vivo dado que “a combinação entre a música e a dança é extremamente importante”. A dançarina de Macau salientou que os músicos mostram a emoção e o ritmo próprio na récita ao vivo, pois oferecerá um resultado distinto do espectáculo.

      Os dois coreógrafos assinalaram que o trabalho revela uma forte possibilidade com a espontaneidade [dos artistas], enquanto o público terá a maior liberdade de admiração ao espectáculo. “A arte está em todo o lado, desde que esteja disposto a mostrar uma atitude e espírito artísticos”, afirmou Jay Zheng. Já Tina Kan prosseguiu que o conceito de base neste trabalho da “androginia” não é demonstrado unilateralmente pelos dançarinos, mas também pelos poemas, música, luz e pelo público, e a árvore com duplo tronco no pátio do Albergue SCM. “O local de actuação é um corpo que criámos para o público e todos nós somos as células que fluem nesse corpo aqui, colidindo, intercambiando e interligando”, frisaram.