Se por um lado, Macau obteve bons resultados na prevenção e controlo da hepatite B nas crianças, tendo em 2008 se tornado numa das duas primeiras regiões da Região do Pacífico Ocidental onde a doença foi controlada com sucesso, em relação à hepatite C, os Serviços de Saúde já iniciaram uma série de trabalhos de prevenção e controlo da doença crónica. Desde 2020, as autoridades sanitárias do território têm implementado as orientações da Organização Mundial de Saúde.
Tanto a hepatite B como a hepatite C estão a ser devidamente monitorizadas pelas autoridades sanitárias da RAEM. Num comunicado emitido pelos Serviços de Saúde, o organismo lembra que Macau obteve bons resultados na prevenção e controlo da hepatite B nas crianças, “tendo em 2008 se tornado numa das duas primeiras regiões da Região do Pacífico Ocidental onde a doença foi controlada com sucesso” a par da Coreia do Sul. Já no que diz respeito à hepatite C, o Governo já iniciou uma série de trabalhos de prevenção e controlo da doença crónica
Refere o mesmo comunicado que, em relação à hepatite B, para a qual existe uma vacina, “alta taxa de cobertura reduziu a taxa de infecção de crianças com idade inferior a cinco anos para menos de 1%”. “A partir de 2020, os Serviços de Saúde têm implementado as orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS). Para as grávidas com antigénio de superfície da hepatite B positivo, foram realizados exames de HBV DNA, avaliação da situação clínica e tratamento preventivo pré-natal, a fim de eliminar a transmissão da doença entre mãe e filho”, afirmaram os Serviços de Saúde, acrescentando que, para além do reforço activo da sensibilização e educação, “tem sido promovido o teste periódico, o tratamento oportuno e o estilo de vida saudável dos doentes”.
No que concerne ainda à hepatite C, e incluindo o tratamento, “as medidas de prevenção e controlo para as pessoas que solicitam a desintoxicação, o exame da hepatite C da população em geral e as medidas de segurança no sangue, entre outros”. “Estes esforços visam reduzir o risco de transmissão da hepatite C e proteger a saúde pública”, enfatizaram ainda as autoridades de saúde do território.
A hepatite B é transmitida principalmente de mãe para filho, ou através de sangue, podendo causar doenças graves como a cirrose hepática e o cancro hepático, sendo um problema de saúde pública importante a nível mundial. Para o efeito, a OMS definiu como objectivo a eliminação da hepatite e Macau correspondeu ao respectivo apelo, desenvolvendo o trabalho de prevenção e controlo da hepatite B crónica através dos meios de prevenção, detecção e tratamento. “De acordo com o inquérito sobre a saúde de Macau de 2016, “a taxa de positividade do antigénio da superfície da hepatite B entre os adultos residentes de Macau é de 7,6%” e, conforme as informações da OMS, “Macau é uma região com epidemia moderada de hepatite B”.
Os Serviços de Saúde relembram a população que a principal forma de prevenção da hepatite B é a administração da vacina contra a doença. “Após a conclusão das três doses da vacina contra a hepatite B, mais de 95% dos bebés, crianças e jovens adultos produzem anticorpos que podem atingir um nível de protecção que dura pelo menos 20 anos, havendo possibilidade de durar para sempre”. “Em Macau, todos os bebés nascidos no território foram vacinados contra a Hepatite B após o nascimento, e tem sido mantida uma alta taxa de cobertura (cerca de 98%) entre as crianças com 1 ano de idade que completaram as três doses iniciais da vacina anti-hepatite B, protegendo eficazmente os bebés contra a infecção pelo vírus da hepatite B após o seu nascimento”, sublinharam os Serviços de Saúde, que consideram que “exames médicos regulares para monitorizar o estado de saúde, incluindo exames sanguíneos de HBVDNA e exames imagiológicos abdominais”, são ferramentas essenciais de prevenção.
TAXA DE POSITIVIDADE DE ANTICORPOS HEPATITE C NOS TOXICODEPENDENTES É DE 60%
A hepatite C é transmitida principalmente por via sanguínea, especialmente através da partilha de seringas, o que pode causar doenças graves como a cirrose hepática e cancro hepático, constituindo um problema sério de saúde pública a nível mundial. Neste sentido, a OMS definiu o objectivo de eliminação da hepatite e “Macau também responde a este apelo, desenvolvendo os trabalhos de prevenção e controlo da hepatite C crónica através dos mecanismos de prevenção, detecção e tratamento”. De acordo com o inquérito sobre a saúde de Macau, em 2016, “entre os residentes adultos de Macau, a taxa de positividade de anticorpos hepatite C é de 0,3%, o que reflecte uma baixa percentagem da população em geral que foi infectada/exposta ao vírus de hepatite C”. No entanto, acrescentam os Serviços de Saúde, “no exame efectuado a indivíduos que solicitam a desintoxicação, verificou-se que a taxa de positividade dos anticorpos de hepatite C é de 60%, o que demonstra que os toxicodependentes são pessoas de alto risco de serem infectados pelo vírus de hepatite C”.
Actualmente, existem medicamentos antivirais eficazes para a cura da hepatite C crónica, pelo que o tratamento pode eliminar a fonte de transmissão da hepatite C na comunidade, admitiram os Serviços de Saúde, acrescentando que os mesmos fármacos também podem “prevenir a ocorrência de casos de cirrose hepática e de cancro hepático, reduzindo assim os futuros encargos médicos”. Até Dezembro de 2022, 212 doentes com hepatite C crónica foram submetidos a tratamento com medicamento antiviral oral.
Atendendo à alta taxa de positividade de anticorpos de hepatite C nos indivíduos que recorrem à desintoxicação, a partir de Agosto de 2020, os Serviços de Saúde, em colaboração com a divisão de Tratamento da Toxicodependência e Reabilitação do Instituto de Acção Social (IAS), “proporcionaram serviços de teste de hepatite C e de encaminhamento de casos para tratamento a indivíduos que solicitam a desintoxicação”. Até Dezembro de 2022, “foram detectados 52 casos de infecção pelo vírus de hepatite C nos referidos serviços, tendo os mesmos sido encaminhados para tratamento médico”.
A par disso, desde 2005 e 2008, o Instituto de Acção Social (IAS) lançou, respectivamente, o serviço de tratamento de manutenção com metadona e o programa de troca de seringas limpas, em colaboração com a Associação de Reabilitação de Toxicodependentes de Macau (ARTM), e continua a prestar serviços de redução do consumo de drogas aos toxicodependentes e promover o uso seguro de seringas junto dos mesmos.











