Primeiros-ministros de Portugal e Coreia do Sul salientam valores e visão comuns

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FOTOGRAFIA GONCALO LOBO PINHEIRO

Os primeiros-ministros de Portugal e da Coreia do Sul defenderam ontem que os dois governos partilham valores comuns e uma ordem mundial baseada na democracia, no Estado de Direito e na livre iniciativa económica.

 

Estas posições foram transmitidas por António Costa e Han Duck-soo no início da reunião entre ambos, na sede do executivo sul-coreano, em Seul, à qual se seguirá uma cerimónia de assinatura de instrumentos jurídicos.

Numa breve intervenção, o líder do executivo português considerou que Portugal e a Coreia do Sul “têm uma tradição de boas relações” diplomáticas e políticas, e “partilham uma visão comum e valores comuns” no que respeita à ordem política internacional.

“Nesta base comum, temos de reforçar e desenvolver as nossas relações económicas. Na terça-feira e esta manhã tive a oportunidade de me encontrar com alguns dos mais importantes empresários sul-coreanos e de lhes apresentar as oportunidades de investir em Portugal”, disse.

De acordo com António Costa, o mundo “enfrenta grandes desafios”, estando em curso uma dupla transição ao nível do digital e da energia. “A crise da covid-19 foi um momento para se abrir os olhos no sentido de compreender o quanto eram frágeis as nossas cadeias de abastecimento e sobre os riscos resultantes de uma escassez de matérias-primas e de falta de componentes críticos, como os microchips e semicondutores. Temos de caminhar juntos para reorganizar estas cadeias de abastecimento e aumentar a resiliência das nossas economias”, advertiu.

Na perspectiva do primeiro-ministro português, Portugal e a Coreia do Sul “estão numa boa posição para isso”. “A Coreia do Sul é uma das mais importantes economias do mundo e Portugal é um dos países mais seguros do mundo. Somos a porta de entrada para mercados de 500 milhões de pessoas”, disse, numa alusão à União Europeia e aos países de língua portuguesa, “desde Timor-Leste ao Brasil”.

Perante Han Duck-soo, Costa insistiu na ideia de que Portugal “é campeão na transição energética e é o único país com conexões por cabo de fibra ótica com todos os continentes”.

“Estamos em boa posição para cooperar com as empresas coreanas, num momento em que o mundo precisa de enfrentar grandes desafios”, declarou, já depois de Han Duck-soo ter lembrado que a visita de António Costa é a primeira de um chefe do Governo português ao fim de 23 anos. “Tivemos sempre boas relações entre os dois países. Com a sua visita, acreditamos que as nossas relações serão reforçadas e irão mais longe no futuro, na economia, na cultura e no comércio. Após a pandemia da covid-19, está a aumentar o intercâmbio entre estudantes e os jovens são o nosso futuro”, observou o primeiro-ministro sul-coreano.

Do ponto de vista das relações internacionais, Han Duck-soo deixou a seguinte mensagem: “Portugal e a Coreia partilham os valores universais simbolizados na democracia, no Estado de Direito, no mercado livre, e estão empenhados no cumprimento dos Direitos Humanos”.

De acordo com o primeiro-ministro sul-coreano, com base nesses valores comuns, os dois países mostram-se empenhados na resolução dos principais problemas ao nível mundial, “estabelecendo uma ordem mundial assente no Direito Internacional”. “A sua visita será um ponto de viragem em relação aos principais indicadores da cooperação bilateral”, acrescentou.

 

Portugal e Coreia do Sul acordam parcerias em países terceiros e universidades

 

Portugal e a Coreia do Sul assinaram ontem um memorando para a formação de parcerias em países terceiros, para promover estratégias de desenvolvimento sustentável, e um acordo para a difusão e ensino da língua portuguesa. Estes dois instrumentos jurídicos foram assinados na presença dos primeiros-ministros de Portugal, António Costa, e da Coreia do Sul, Han Duck-soo, após uma reunião entre ambos na sede do executivo sul-coreano, em Seul.

Pela parte do executivo português, os acordos foram assinados pelo secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, Francisco André.

O memorando de entendimento entre o Camões – Instituto da Cooperação e da Língua e a Agência de Cooperação Internacional Coreana (KOICA, na sigla em inglês) sobre cooperação triangular em países terceiros prevê o estabelecimento dos “princípios e das orientações a partir das quais se possam criar linhas de trabalho para uma resposta eficaz aos desafios do desenvolvimento”.

Os dois países propõem-se desenvolver uma estratégia coordenada “dos respetivos recursos financeiros, técnicos e humanos, promovendo o desenvolvimento económico, social e ambiental dos países parceiros e contribuindo para o alcance dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável” das Nações Unidas. “As actividades de cooperação tocarão áreas como a educação, a saúde e a digitalização”, acrescenta-se no texto do memorando de entendimento.

Os governos dos dois países assinaram ainda um protocolo entre o Camões e a Universidade Hankuk de Estudos Estrangeiros, situada em Seul, para a colocação de um Leitor de Língua e Cultura Portuguesa.