Homem de Hong Kong suspeito de falsificar patrocínios para eventos de Macau desde 2004  

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FOTOGRAFIA PEDRO ANDRE SANTOS

 

Um indivíduo de Hong Kong terá burlado vários indivíduos e entidades locais através de um esquema de patrocínios para grandes eventos de Macau. Segundo as autoridades policiais, o esquema terá começado em 2004, tendo o suspeito arrecadado 400 mil patacas ao longo dos anos, a título de publicações comemorativas do Grande Prémio, Regatas de Barcos-Dragão e outros eventos. O responsável de um centro de informação desportiva admitiu ainda que tinha produzido alguns boletins para enviar aos patrocinadores, a fim de aumentar a credibilidade do esquema.

 

A Polícia Judiciária (PJ) deteve um homem de Hong Kong por suspeitas de burla a cidadãos e entidades comerciais em 400 mil patacas através da falsa angariação de patrocínios de publicidade relativa a eventos desportivos em Macau. O indivíduo de 68 anos terá pedido patrocínios desde 2004 para o alegado lançamento de livros comemorativos de eventos a grande escala em Macau.

O caso levou ao prejuízo de sete lesados, com idades compreendidas entre 25 e 65 anos, que sofreram prejuízos entre três mil e 115 mil patacas ao longo de cerca de duas décadas.

A polícia começou a investigar o caso após uma queixa apresentada pelo Instituto do Desporto (ID) no mês passado, quando o organismo recebeu um pedido de informação sobre o alegado patrocínio. Recorde-se que o ID verificou em meados de Março que houve uma entidade que pretendia, através de cartas, angariar patrocínios de publicidade junto dos cidadãos e de entidades comerciais para os Jogos Desportivos para Pessoas com Deficiência de Macau 2023.

De acordo com as autoridades, a entidade em questão é um centro de informações desportivas no Bairro de San Kio, cujo responsável apresentou-se como encarregado de publicação comemorativa dos Jogos Desportivos para Pessoas com Deficiência de Macau. No entanto, o centro de informação e o seu responsável não pertencem a organizações desportivas locais, e o Governo e os co-organizadores do evento não autorizaram este centro a produzir publicações especiais.

A PJ contactou posteriormente sete particulares e empresas vítimas do caso, que afirmaram ter recebido propostas de patrocínio do centro. Os lesados disseram que os folhetos do centro mencionaram repetidamente o ID e a Associação Recreativa dos Deficientes de Macau, fazendo-os crer que era verdade, pelo que decidiram oferecer patrocínios em valores que variavam entre mil e 100 mil patacas.

O suspeito autor do esquema foi chamado à investigação policial na semana passada. Durante o interrogatório, o indivíduo admitiu ter cometido a burla, segundo as autoridades, confessando que tinha produzido livros comemorativos sob diferentes títulos desde 2004, incluindo o Grande Prémio, Regatas de Barcos-Dragão de Macau, Dia Comemorativo do Estabelecimento da RAEM, os Jogos da Ásia Oriental e entre os outros, de forma a convidar patrocinadores de publicidade.

Além disso, o homem afirmou que depois de receber o patrocínio, produzia um pequeno montante de boletins falsos para enviar a patrocinadores individuais e grupos, de forma a continuar o esquema, ficando com o resto do valor que recebeu.

Com cada patrocínio pedido, o suspeito terá arrecadado até agora um total de 400 mil patacas. Segundo a polícia, entre o valor total, 50 mil patacas foram conseguidas em falsos patrocínios para os Jogos Desportivos para Pessoas com Deficiência deste ano, sendo que 10 mil patacas deste montante foram utilizadas para a produção de 100 publicações especiais, e o conteúdo do boletim foi todo retirado de fotografias e notas de imprensa emitidas pelo ID.

O detido foi encaminhado para o Ministério Público na passada quinta-feira, com acusação de crime de burla de valor consideravelmente elevado, que pode ser punido com pena de prisão até 10 anos nos termos da lei vigente.