Rocha Vieira considera que Portugal deve fazer mais pela Escola Portuguesa de Macau  

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De visita ao território, onde ficará por uma semana, o último Governador de Macau, que é também curador da Fundação da escola, defendeu “mais interesse e maior diálogo” por parte do Executivo liderado por António Costa. O general referiu ainda aos jornalistas que as boas relações com a República Popular da China são “um trunfo” para Portugal.

 

O último Governador de Macau está de visita à RAEM até ao próximo sábado. O general Vasco Rocha Vieira veio receber um doutoramento honoris causa da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST), que lhe havia sido atribuído em 2022, correspondente a 2021, mas que só foi agora entregue devido às restrições criadas pela pandemia de Covid-19.

Da agenda, preenchida, consta uma reunião e jantar com o Chefe do Executivo, Ho Iat Seng, um encontro com o cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, Alexandre Leitão, um encontro com os órgãos sociais da delegação da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa (CCILC), uma visita a Hengqin, entre outras coisas, estando, no sábado, programado um almoço no Club Lusitano em Hong Kong.

Aos jornalistas, à margem da cerimónia de entrega do doutoramento honoris causa, Rocha Vieira destacou as “boas relações históricas” com a República Popular da China que, segundo o último Governador de Macau durante a Administração Portuguesa, são “um trunfo para Portugal”, que pode ajudar a melhorar, por exemplo, “os laços entre Pequim e a União Europeia”.

O general, que foi Chefe do Estado-Maior do Exército de Julho de 1976 a Abril de 1978, sublinhou que a história de Macau deu “um conhecimento privilegiado” da China a Portugal, que pode “influenciar, dar opiniões e aconselhar” Bruxelas na relação a Pequim.

Aos 83 anos, o último governador de Macau notou que a China é “uma superpotência em afirmação” e que o Governo português pode “contribuir para que haja respeito, progresso e paz”, num mundo marcado por “uma instabilidade muito grande”, fazendo alusão, essencialmente, à questão entre a Rússia e a Ucrânia, mas também às instabilidades sempre existentes entre os Estados Unidos da América e a própria China.

Rocha Vieira referiu ainda que Portugal devia mostrar mais interesse pela Escola Portuguesa de Macau (EPM). O militar, que é igualmente curador da Fundação da escola, defendeu “mais interesse e maior diálogo” por parte do Governo liderado por António Costa, uma vez que, considera, a EPM é “a mais importante instituição de matriz portuguesa” na RAEM. “Da parte de Portugal tem que haver mais interesse pela EPM porque o português está a afirmar-se no mundo e a China está interessada que o português se desenvolva”, destacou.

Recorde-se que, em Fevereiro último, o presidente da direcção da EPM, Manuel Machado, descreveu “uma situação de esgotamento” e sublinhou que a escola “não pode continuar a crescer, sob pena de diminuir a qualidade do seu serviço educativo se não houver condições”.

Para Rocha Vieira, a EPM é fundamental. “A China está interessada em que o português se desenvolva (…) também para poder ter, através de Portugal, uma relação mais estreita com os países de língua portuguesa”, salientou o último Governador de Macau (1991-1999), enfatizando que isso é, na verdade, “um outro grande trunfo” para Portugal.

Quase 24 anos depois, o general Rocha Vieira considerou ainda “que o território está munido de características únicas” que devem ser aproveitadas para o desenvolvimento do projecto da Grande Baía, “mais até do que no projecto da ‘Faixa e Rota’”, apontou.

 

MUST atribuiu grau de doutor Honoris Causa a “13 personalidades eminentes”

 

No âmbito da comemoração dos 23 anos da instituição, a Universidade de Ciência de Tecnologia de Macau (MUST) atribuiu ontem, no Complexo Académico Bloco R do campus da universidade, grau de doutor Honoris Causa a “13 personalidades eminentes”. Para além do último Governador de Macau, durante a Administração Portuguesa, Vasco Rocha Vieira, a universidade agraciou ainda, entre outros nomes, o escritor japonês Haruki Murakami; o imunologista australiano e Prémio Nobel em 1996, Peter Doherty; o engenheiro norte-americano Robert Samuel Langer; o artista de Hong Kong, Chua Lam; o cientista chinês Shum Heung-Yeung; o economista norte-americano e Prémio Nobel em 2001, Michael Spence; o antigo presidente do Conselho de Segurança da ONU, Kishore Mahbubani, entre muitos outros. Robert Samuel Langer e Michael Spence receberão os seus doutoramentos em data oportuna. Na cerimónia, a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, Elsie Ao Ieong, destacou o papel da MUST desde a sua fundação em 2000. “A MUST tem atendido às necessidades de desenvolvimento de Macau e do Estado e, em articulação com as linhas de acção governativa do Governo da RAEM, persistido em dar igual importância ao ensino e à investigação científica, tendo obtido um desenvolvimento significativo no âmbito de formação de quadros qualificados e de investigação científica. A MUST é, hoje em dia, uma universidade abrangente que tem influência não só em Macau, mas também no Estado e no mundo. Em 2023, foi ainda classificada entre as 250 melhores universidades mundiais, conforme lista publicada pela revista Times Higher Education”, ressalvou a governante.