Numa interpelação escrita, a deputada Ella Lei pede a melhoria de políticas para promover o desenvolvimento e procura de emprego dos quadros qualificados locais, através dos dados de talentos recolhidos pela Comissão de Desenvolvimento de Talentos de Macau. A deputada apontou que o sistema do Registo de Informações de Talentos não providencia acompanhamento suficiente dos talentos registados na plataforma, esperando ainda que atraia de forma mais consistente o regresso de profissionais residentes que trabalham no estrangeiro.
O Governo deve reexaminar as políticas destinadas ao desenvolvimento de quadros qualificados e a respectiva eficácia da implementação, defende a deputada da Assembleia Legislativa Ella Lei, que considera que as autoridades devem dar início aos trabalhos de revisão da pesquisa sobre a situação de talentos de Macau, o sistema de registo de talentos e as medidas para o regresso de residentes.
A deputada notou que há uma contradição no mercado de emprego local, que enfrenta agora uma escassez de talentos em diferentes indústrias. Ao mesmo tempo, muitos residentes com qualificação académica e experiência têm certa dificuldade em encontrar empregos adequados para si.
Numa interpelação escrita apresentada ao Governo, Ella Lei recordou que a Comissão de Desenvolvimento de Talentos foi estabelecida em 2014 e já funciona há quase dez anos, sendo que a entidade tem como objectivo planear a organização estratégica para reforçar a formação e reserva de quadros qualificados em Macau.
Salientou que, correspondendo às exigências do desenvolvimento social e económico, Macau necessita de mais talentos profissionais e experientes, de forma a cooperar com as apostas nas quatro indústrias e na diversificação económica. Assim, considera a deputada, é necessário o Governo promover o trabalho de cultivar, orientar e colocar adequadamente os talentos locais, apontou a deputada.
De acordo com Ella Lei, a Comissão de Desenvolvimento de Talentos realizou há alguns anos uma pesquisa em dez indústrias principais, incluindo jogo, hotéis, convenções e exposições, construção e finanças, entre outras, tendo elaborado posteriormente uma lista sobre a procura de profissionais. O organismo, por outro lado, criou os sistemas de Registo de Informações de Talentos e de Plataforma para o Regresso de Residentes de Macau, servindo para compreender a reserva de talentos em Macau, atraindo especialistas da indústria, académicos seniores e pessoal de gestão, que trabalham no exterior, a regressarem ao território para contribuir para o desenvolvimento de Macau.
“Muitos cidadãos que utilizaram o Registo de Informações de Talentos relataram que há pouco acompanhamento ou interacção por parte das autoridades após o registo do sistema. Esperam que o Governo faça bom proveito de dados para contactar e descobrir os quadros qualificados”, denunciou a deputada ligada à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM).
Recorde-se que, até Outubro do ano passado, inscreveram-se mais de 19 mil pessoas no sistema de Registo de Informações de Talentos, cuja maioria são jovens adultos com idades compreendidas entre 21 e 40 anos. Mais de 80% delesvivem actualmente em Macau e os demais vivem em Hong Kong, no interior da China, Taiwan, nos Estados Unidos, Reino Unido e Portugal. Entre os que estão no exterior, trabalham principalmente em educação, sector financeiro e assistência médica e social.
Sobre a Plataforma para o Regresso de Residentes de Macau, que visa atrair peritos da indústria, académicos e pessoal de administração que trabalham no estrangeiro, EllaLei solicita que o Governo explique a avaliação dos respectivos efeitos. “Para além da promoção de emprego, que outras medidas específicas estão a ser lançadas para encontrar e emparelhar os quadros qualificados nos postos correspondentes? Como atrair de forma mais eficaz o regresso dos residentes que estão a viver e trabalhar no estrangeiro?”, questionou.











