Alvarás expirados e a saída de condutores do sector durante a pandemia foram as causas principais para as dificuldades sentidas na indústria de táxis para responder à procura de transportes na cidade com o regresso de turistas. O presidente da Associação de Mútuo Auxílio de Condutores de Táxi de Macau salienta que o sector tem vindo a sofrer uma carência de profissionais e esse problema tem sido particularmente óbvio com o aumento do número de visitantes durante os feriados do Ano Novo Lunar.
Na opinião de Tony Kuok Leong Son, o levantamento das restrições antiepidémicas foi “muito rápido” e a pressa de abertura colocou pressão no funcionamento do sector, uma vez que as perdas contínuas de condutores nos últimos três anos fizeram com que a indústria ficasse incapaz de lidar com o fluxo de turistas.
O responsável, em declarações à emissora Rádio e Televisão de Hong Kong, adiantou que as licenças de centenas de táxis caducaram nesses três anos de pandemia, pelo que menos táxis estão a circular na cidade. Além disso, muitos motoristas de maior idade optaram por aposentar-se durante a pandemia. “Os filhos não os deixaram trabalhar como taxistas porque o risco de infecção ou de contacto próximo é elevado, e assim centenas de trabalhadores desistiram dessa profissão”, explicou.
Tony Kuok acrescentou que houve condutores mais jovens que se juntaram ao sector durante a pandemia, no entanto, havia um sentimento pessimista devido à falta de clientes. Nesse sentido, muitos taxistas novos também mudaram para trabalhar como pessoal de entrega de comidas, serviço muito procurado durante a pandemia, particularmente durante o confinamento. “Eles nem têm tempo suficiente para se demitir do emprego actual para retomarem o posto de imediato. Para as plataformas de ‘takeaway’, os trabalhadores devem apresentar a demissão com duas semanas de antecedência”, realçou.
Segundo os dados mais actualizados da Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego, existiam, até Maio de 2022, 1.700 alvarás de táxi válidos em Macau, permitindo, cada um, a exploração de um táxi. A concessão de alvará realiza-se por concurso público do Governo, tendo as licenças um prazo de validade de 8 anos.
Há dois anos, o Executivo também aprovou a prorrogação pelo período de seis meses da validade das licenças de táxis, sendo uma das medidas para aliviar o impacto epidémico no sector. Segundo o responsável, muitos táxis estavam estacionados no auto-silo da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau e sem motoristas a conduzi-los.
Tony Kuok destacou que o rendimento dos taxistas recuperou em milhares de patacas em média com a retoma de turismo em Macau, e o negócio de alguns também voltou a 70% do nível pré-epidémico. Assim, o responsável espera que o futuro optimista do sector possa atrair novos taxistas à indústria, e que os antigos condutores voltem a trabalhar na profissão.
Frisando que o sector precisa de pelo menos meio ano para ajustar a situação de operação dos táxis para que possa retornar gradativamente a sua capacidade de atendimento pré-epidémica, o representante sublinhou ainda que o negócio pode ficar mais tranquilo após o Ano Novo Lunar e os motoristas deverão avaliar o regresso ao trabalho com mais cautelas.
Por outro lado, Tony Kuok avançou que o número de infracções de táxi registadas durante o Ano Novo Chinês deste ano reduziu significativamente em 90% comparativamente ao tempo antes da pandemia, com a entrada em vigor do novo regime jurídico do transporte de passageiros em automóveis ligeiros de aluguer, em 2019.
Recorde-se que o Corpo de Polícia de Segurança Pública instaurou 16 casos de infracção de táxi durante esta Semana Dourada, envolvendo recusa de embarque e sobretaxa, tendo a Direcção dos Serviços de Turismo recebido, segundo noticiou a Rádio Macau em língua chinesa, 14 reclamações de turistas.











