Os Serviços de Saúde admitiram que, com o actual modelo de gestão epidémica, é difícil conhecer o número exacto de infecções por Covid-19 em Macau, justificando que não divulgam os dados de casos e sintomas leves ou assintomáticos de forma a não confundirem a população sobre a situação epidémica.
“Desde o início da prevenção e controlo da pandemia, as autoridades nunca ocultaram nenhuma situação. No entanto, com a abordagem actual, é difícil para nós percebermos completamente o número de casos positivos, ou seja, não há agora testagem em massa e a maioria dos residentes usa os testes rápidos de antigénio para confirmar a infecção”, explicou Alvis Lo, director dos Serviços de Saúde.
O responsável salientou que, a menos que vão a consultas externas e declarar para obter atestados médicos, é praticamente impossível verificar pessoas infectadas com sintomas leves e até sem sintomas. Desse modo, “a divulgação precipitada de números relevantes pode ter o efeito oposto, fazendo com que os residentes se sintam que estamos no pico da epidemia, ou que até já passou o pico”.
No programa Fórum Macau no canal da Rádio Macau em língua chinesa de ontem, Alvis Lo voltou a enfatizar que Macau está a seguir a política antiepidémica do Governo Central, estando no período de transição, pelo que é mais importante saber se os recursos e o sistema de cuidados de saúde podem satisfazer as necessidades médicas do público após infecção, em vez de tentar perceber quantas pessoas já estão infectadas.
As autoridades de saúde prevêem que o pico da pandemia possa ser atingido dentro de uma ou duas semanas, realçando que o ritmo depende também da velocidade da contaminação na comunidade, que está relacionada com a auto-protecção dos residentes e a situação do funcionamento das instituições sociais.
De acordo com as estatísticas dos Serviços de Saúde, os casos novos registados diariamente fixam-se entre 80 a 90 pessoas, cujo número deverá ainda aumentar nos próximos dias. É de destacar que o Governo decidiu optar por não divulgar o número de casos assintomáticos desde a semana passada, sendo os dados ireferentes apenas ao número de doentes que foram internados nas instalações de cuidados médicos do Governo, por serem de alto risco – idosos, crianças, grávidas ou portadores de doenças – ou com doenças graves.
Alvis Lo disse ainda que a gestão médica implementada tem desempenhado um papel eficaz, tendo registados actualmente uma taxa de ocupação de 6% nas instalações de isolamento, onde conta cerca de 6.600 camas.
Além disso, o médico indicou que as variantes prevalentes da variante Ómicron em Macau são a BF.7, proveniente de Pequim, e a BA5.2, da província Guangdong. “Sem dados científicos que mostrem qual a estirpe que causa reacções mais severas, é possível que os sintomas da infecção pela BF.7 sejam mais graves devido ao clima frio e seco da região norte”.
DEZ POR CENTO DO PESSOAL MÉDICO INFECTADO
O director dos Serviços de Saúde revelou ontem que cerca de 10% do do pessoal médico da linha da frente já foi infectado neste período de transição, pelo que o organismo está a adoptar a triagem para aliviar a pressão dos serviços de urgência dos hospitais.
Ao lançar novamente um apelo à vacinação, enquanto os vacinados apresentam maior risco de doenças graves e até morte, Alvis Lo adiantou que existem actualmente mais de 300 pessoas internadas, cem casos dos quais representam doenças graves e 80% dos quais com registo de agravamento de doenças subjacentes.
Recorde-se que o Governo Central realizou uma conferência de imprensa de saúde na terça-feira, anunciando os novos padrões para casos de morte provocados pela pandemia – as mortes causadas por pneumonia ou insuficiência respiratória são classificados como óbitos causados pela Covid-19, enquanto as mortes causadas pelo agravamento de outras doenças, por exemplo cardiovasculares e cerebrovasculares, não serão consideradas como casos de morte da pandemia.
Alvis Lo avançou que, na maioria das situações, a epidemia é apenas um factor que agrava outras doenças crónicas, que levam à morte. Ademais, o responsável aconselhou as de crianças até aos três anos que testem positivo a recorrerem às consultas externas comunitárias, de forma a receberem a medicamentação certa.
Na mesma ocasião, Kong Chi Meng, director dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ), afirmou que foram instalados 14 postos de consulta externa na cidade, para atender aproximadamente mil pessoas por dia.
Já o presidente do Instituto de Acção Social (IAS), avançou que 90% dos lares da sua tutela registam infecção de utentes e trabalhadores, algo que o organismo já esperava. Hon Wai disse que os lares estão com falta de pessoal, portanto, os funcionários infectados que não apresentem sintomas podem regressar ao trabalho, desde que usem máscaras e procedam à desinfecção.











