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      InícioCulturaFilho da terra arrecada prémio em festival de documentários na Escócia

      Filho da terra arrecada prémio em festival de documentários na Escócia

      O realizador André Roseira é um dos vencedores do Close:Up – Edinburgh Docufest, na categoria de Melhor Cineasta Estreante com o filme “Carapau de Espinho”. Anteriormente, o documentário, que foi seleccionado para uma meia-dúzia de festivais, havia arrecadado o prémio Novos Talentos no FIKE – Festival Internacional de Curtas-Metragens de Évora e o prémio de Melhor Documentário no Ocean Coast Film Festival de Lavra, ambos em Portugal.

      O realizador português, nascido em Macau, André Roseira acabou de vencer o prémio de Melhor Cineasta Estreante no Close:Up – Edinburgh Docufest com o documentário “Carapau de Espinho”. A honraria, no entanto, coloca um ponto final no projecto que foi gravado em 2017 e estreado em 2021. “Estou muito satisfeito com o que consegui. Confesso que não estava à espera, mas vou parar por aqui. Penso que o filme já percorreu alguns festivais, tendo ganho três prémios, por isso fecho este ciclo com chave-de-ouro”, afirmou ao PONTO FINAL o autor.

      Anteriormente havia arrecadado o prémio Novos Talentos no FIKE – Festival Internacional de Curtas-Metragens de Évora – que rendeu três mil euros e uma estatueta – e o prémio de Melhor Documentário no Ocean Coast Film Festival de Lavra, ambos em Portugal.

      O documentário foi selecção oficial de diversos festivais, em 2021, de onde se destacam o Barcelona Indie Filmamkers Festival, em Espanha, o Macau International Short Film Festival, na China, o Festival Internacional de Cinema Ambiental da Serra Catarinense, no Brasil, ou o Annual Aarhus Film Festival, na Dinamarca.

      Foi ainda transmitido, também em 2021, durante as comemorações do Dia Mundial da Pesca no Centro Multimeios de Espinho, em Portugal. Já este ano, em Abril, o Museu Municipal de Espinho, no âmbito das celebrações do Dia Internacional dos Museus, exibiu, no dia 21 de Maio, o documentário.

      Todo o trabalho de André Roseira, que ainda teve alguma ajuda de amigos, foi feito entre 2017 e 2021, ano em que mostrou ao mundo o resultado final. Para grandes males, grandes remédios e a pandemia de Covid-19 acabou por permitir ao realizador ter “todo o tempo do mundo” para editar o filme, “fazendo-o com calma”.

      Ainda assim, confessa, enviou o documentário para cerca de 55 festivais, entre os quais os maiores de todos. “Como não obtive respostas, apercebi-me de que, provavelmente, talvez o filme tivesse limitações e, por isso, mudei a minha estratégia e comecei a apostar em festivais independentes e mais pequenos. Correu bem”, notou.

      Agora, André Roseira admite que está a viver um “pequeno/grande dilema” sobre o que se pode vir a seguir na sua vida. “Estou em dúvida. Não sei se aposto na minha carreira de realizador ou se, para já, continuo com o meu trabalho e vida estáveis. É preciso coragem para largar tudo, mas também não me iludo”, confessou.

      O médio prazo pode, no entanto, passar por aplicar a mesma fórmula de Espinho em Barcelona, ou seja, continuar a documentar a actividade piscatória, mas desta vez mais perto de casa. “Como gosto e quero continuar a fazer documentários, talvez aposte em fazer algo com a morte lenta dos pescadores aqui em Barcelona, seguindo a mesma linha”.

      Natural de Macau, aos 18 anos mudou-se para o Porto, mas há cerca e 14 anos que vive em Barcelona onde é repórter de imagem na Betevé, uma televisão local daquela cidade espanhola. Ao PONTO FINAL, André Roseira confessou que 2017 foi “um ano tenebroso a nível pessoal”. “Perdi duas pessoas que amava. Uma delas, a minha tia Maria Teresa Costa, que era de Espinho. Quando adoeceu, meti uma licença sem vencimento e mudei-me para Espinho para estar com ela e, perante a morte, agarrei-me à criação. Fiz este documentário a pensar nela”.

      Da RAEM, para já, pouco interesse. Não há, nem sequer pensou, numa possibilidade de gravar algo no território. “Gosto muito de Macau, afinal foi aí que nasci, mas Macau tornou-se muito pequeno, nos últimos anos e, como calcula, não estou a falar do tamanho do território. Não pensei em nada, assumo. Para além disso, tenho algumas limitações, principalmente ao nível da língua, pois o meu chinês não é suficiente. Não está nos meus planos e, assim, de repente, não me imagino a voltar para aí”, concluiu.