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      InícioGrande ChinaResidentes de Pequim preferem "esperar para ver" fim de restrições

      Residentes de Pequim preferem “esperar para ver” fim de restrições

      Residentes de Pequim ouvidos pela Lusa reagiram com cepticismo à decisão das autoridades de abolir algumas medidas de prevenção contra a Covid-19, após quase três anos de implementação aleatória e, por vezes, contraditória, pela burocracia local.

      “As directrizes foram emitidas. Agora, se vão ou não ser correctamente implementadas é outra questão”, disse Zhao Rui, professora numa universidade da capital chinesa, à agência Lusa. “Vou esperar para ver”, apontou também Yang Zi, funcionária numa empresa de equipamento médico.

      Outro residente classificou algumas das directrizes como ridículas. “Os edifícios de escritórios e os transportes públicos deixaram de exigir teste nas últimas 48 horas, mas os bares e restaurantes vão manter esse requisito”, acrescentou. “Parece que tudo o que querem é pôr os robôs de volta a trabalhar”, ironizou. Tanghua Wei, de 33 anos, disse à Lusa desejar que haja uma “coordenação efectiva a nível nacional” na implementação das medidas anunciadas.

      Este cepticismo reflecte a arbitrariedade que caracterizou a implementação das directrizes de prevenção epidémica do país, nos últimos três anos, à medida que uma burocracia local com poderes reforçados e com medo de punições tendeu a ter excesso de zelo, apesar dos custos económicos e sociais.

      O combate da China contra a Covid-19 expandiu os poderes no nível mais baixo da burocracia chinesa, os comités de bairro. A nível municipal ou provincial, as medidas tenderam também a variar, sendo mesmo, por vezes, contraditórias, face às directrizes do Governo Central. milhares de quadros do Partido Comunista da China, a nível de cidade e província, e funcionários de comités de bairro, foram demitidos, nos últimos três anos, à medida que a política de ‘zero casos’ de Covid-19 se tornou numa métrica de desempenho fundamental.

      Isto porque Xi Jinping tornou a pandemia numa questão de “prestígio pessoal” e de “supremo interesse nacional”, resumiu Vijay Gokhale, um especialista indiano para assuntos da China, que serviu anteriormente como embaixador em Pequim.

      “Obrigado ao Estado, à sociedade, aos trabalhadores de saúde, aos voluntários, aos seguranças e aos funcionários de condomínio por toda a ajuda”, ironizou Song Mei, chinesa natural de Pequim, sobre o aparelho montado na China para combater o novo coronavírus. “Agora, deixem-me tomar conta de mim própria”.

      Durante quase três anos, a imprensa oficial do país descreveu também o mundo exterior como “devastado pelo vírus”, em contraposição com uma China “segura, sob a liderança do Partido Comunista”. A estratégia de ‘zero casos’ é “sustentável” e “científica” e a China “não pode ser complacente”, escreveu, no mês passado, o Diário do Povo, jornal oficial do Partido.

      A narrativa mudou, subitamente, nos últimos dias, à medida que algumas restrições foram levantadas, na sequência de protestos realizados em várias cidades chinesas. Especialistas citados pela imprensa oficial passaram a dizer que a variante Ómicron é menos virulenta e que o país deve classificar a Covid-19 como uma doença infecciosa de categoria C, ao nível da gripe.

      “O mais difícil agora vai ser remover o terror que cultivaram na mente das pessoas”, observou à Lusa um residente na capital chinesa.

      Ponto Final
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      Redacção do Ponto Final Macau