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      Início Política Serviços de Saúde em alerta devido à saída de psiquiatras e psicoterapeutas

      Serviços de Saúde em alerta devido à saída de psiquiatras e psicoterapeutas

      Vários médicos deixaram os cargos nos últimos anos, incluindo os psiquiatras e psicoterapeutas, e, além disso, a média de idades das equipas está a aumentar. Por isso, os Serviços de Saúde mostram-se preocupados com uma possível onda de reformas dos profissionais e querem complementar os recursos humanos. Na reunião plenária de ontem da Assembleia Legislativa, o responsável de serviço de psiquiatria do São Januário admitiu também que a pandemia e o confinamento impactaram a saúde mental dos residentes.

      Os Serviços de Saúde alertam para escassez de recursos humanos de médicos, particularmente entre os profissionais psiquiatras e psicoterapeutas. Perante as preocupações dos deputados relativas a saúde mental dos cidadãos e aos recursos médicos para responder ao aumento de pedidos de ajuda, Kwok Wai Tak, chefe substituto de serviço de psiquiatria do Centro Hospitalar Conde de São Januário (CHCSJ) adiantou que poderá haver uma “onda de aposentação” dos profissionais médicos num futuro a curto-prazo.

      Por ocasião de reunião plenária de ontem da Assembleia Legislativa, o médico revelou que a perda de recursos humanos é um problema que o serviço médico público está a enfrentar, tendo sido, nos últimos dois anos, registada uma saída contínua de psiquiatras em Macau, pelo que as autoridades estão a “trabalhar arduamente para elevar o número de profissionais, esperando ainda aumentar as vagas de formação no futuro”.

      “Na verdade, não só para os médicos de saúde mental, mas em determinados serviços sanitários públicos, o número de trabalhadores está a baixar. A idade média das equipas em geral está a subir, poderá surgir uma onda de reformas”, revelou, acrescentando que tem comunicado o problema aos dirigentes dos Serviços de Saúde no sentido de complementar a mão-de-obra. No entanto, o médico assumiu que deverá demorar alguns anos para resolver totalmente a escassez actual.

      Kwok Wai Tak admitiu ainda que a epidemia da Covid-19 faz aparecer mais problemas de saúde mental e emocionais na comunidade local, devido às diversas restrições na vida normal da população.

      “Devido à pandemia, não podemos sair de casa, existem confinamentos em certas zonas. Não apenas os idosos, as pessoas de outros grupos etários podem também sofrer esses impactos”, frisou. Kwok Wai Tak destacou que os cidadãos podem não saber muito sobre saúde mental, ou desconhecer os meios de procura de apoio, estando, portanto, “escondidos”.

      O médico disse esperar que, além de lidar com os factores objectivos de pandemia, seja disponibilizada a maior possível assistência relacionada com o assunto. Aliás, enfatizou que o apoio dos amigos e membros familiares é muito importante.

      A questão dos problemas emocionais foi levantada pelo deputado José Pereira Coutinho. “Nos últimos três anos, a qualidade de vida da maioria dos residentes piorou, devido às medidas de isolamento social internas e externas, resultando no aumento do desemprego, e suicídios. Nestes anos ocorreram mudanças nos hábitos e comportamentos alimentares da população, piorando o seu estilo de vida, aumentando a frequência do consumo de bebidas alcoólicas e do tabaco, e a ansiedade, (…) resultando num aumento dramático de pessoas com doenças mentais, com quadros clínicos associados à depressão que conduzem a situações de suicídio”, alertou o deputado na sua interpelação oral apresentada na reunião ontem.

      Segundo José Pereira Coutinho, as estatísticas dos Serviços de Saúde indicam que houve já mais mortes registados nos primeiros nove meses do ano do que o total do ano passado. Recorde-se que ocorreram 18 casos de suicídios de Julho a Setembro, totalizando 65 casos no ano corrente.

      No que diz respeito ao tempo de espera para atendimento de tratamento psicológico por parte dos necessitados, o representante dos Serviços de Saúde avançou que, seja na primeira consulta seja na consulta de acompanhamento, o organismo espera manter o ritmo de serviços para que os pacientes recebam o tratamento dentro de quatro a oito semanas. Contudo, se for de caso urgente, os Serviços de Saúde vão ajustar para organizar a consulta necessária.

      Kwok Wai Tak considera que, além de tratamentos em especialidade no hospital, os serviços de apoio comunitário de saúde mental são indispensáveis, mas tem dúvidas de que se possa estabelecer em breve a segunda equipa de prestação de serviços psicológicos comunitários, que visa prestar cuidados comunitários e serviços de reabilitação aos pacientes psiquiátricos. O médico explicou que o lançamento envolve questão de recursos humanos e requer a cooperação de equipas médicas e assistentes sociais.

      Os Serviços de Saúde reiteram que está a ser implementado o mecanismo de prevenção conjunta de quatro níveis sobre a saúde mental, com base nas orientações da Organização Mundial de Saúde. O mecanismo é composto pelos serviços comunitários, serviços específicos para instituições sem fins lucrativos, serviços nos Centros de Saúde e serviços do Serviço de Psiquiatria do CHCSJ.