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      Investigadores da PJ dizem que Suncity explorou jogo ilícito no interior da China  

      Mais quatro agentes da Polícia Judiciária responsáveis pela investigação do caso relativo ao grupo Suncity testemunharam ontem em mais uma sessão de julgamento, apontando ao tribunal que a empresa explorava apostas online no interior da China. No entanto, assumiram que a maioria da análise foi concluída com referência das provas fornecidas pelas autoridades policiais do Continente, sem verificar a respectiva forma de recolha ou autenticação.

       

      Na continuação do julgamento do caso relativo ao grupo Suncity e o seu antigo líder Alvin Chau, foram ouvidas ontem no Tribunal Judicial de Base quatro testemunhas investigadores da Polícia Judiciária (PJ), que afirmaram a participação da Suncity em casos de jogo paralelo e em apostas ilícitas por via online e telefónica na plataforma do grupo UE, particularmente através de um banco clandestino com sede no interior da China.

      Os agentes policiais admitiram, entretanto, que a maior parte da análise de investigação foi feita com base nas provas electrónicas proporcionadas pelas autoridades policiais da China Continental, sobretudo da Polícia de Wanzhou. Nesse sentido, o defensor de Alvin Chau mostrou dúvidas sobre a uniformidade do padrão de obtenção de provas no Continente e na RAEM, bem como a falta da dupla autenticação dos conteúdos de provas por parte da polícia local.

      De acordo com um dos investigadores, a prova fornecida pela polícia do Continente constatou nos registos de comunicação captados no telemóvel da 9.ª arguida, Cheung Ling Ling, que foi detida anteriormente em Wanzhou. Os registos detalham as conversas entre Alvin Chau e Cheung Ling Ling de 2010 a 2020, o que mostrou “a próxima relação entre Cheung e Chau, sendo Cheung uma subordinada do Chau”.

      Recorde-se que Cheung Ling Ling está a ser acusada de ser um dos membros principais da associação criminosa transfronteiriça, tendo sido simultaneamente a representante da Suncity e do magnata dos ‘junkets’, Alvin Chau, no interior da China.

      A arguida já foi julgada em Wanzhou e foi condenada a uma pena de prisão de sete anos e multa de 800 mil renminbis, após a sua confissão, semelhante a outros 34 arguidos do mesmo processo, ao tribunal de Wanzhou sobre a prática de crime de operação ilícita de casinos na China.

      Ao ser questionado pelo advogado defensor de Alvin Chau, o agente da PJ explicou que os registos de conversas já foram convertidos de som para texto antes de serem entregues às autoridades locais e, mesmo assim, o organismo não pediu para ouvir de novo as gravações para verificar a precisão das provas.

      “Não conheço bem o processo de trabalho no interior da China. Eles dão provas, então usamos. Acredito que a recolha de provas está totalmente de acordo com a lei”, assumiu.

      Já o Ministério Público voltou a tentar provar a exploração do jogo paralelo por parte da Suncity. O investigador policial disse também ter encontrado materiais de apresentação e formação para apostas paralelas e mais de 50 mil registos relacionados ao jogo paralelo no servidor da Suncity.

      “Constatam dados da exploração dessa actividade desde 2014, incluindo as informações de partilha de lucros entre a Suncity e as empresas responsáveis de jogo paralelo, o número das contas e forma de liquidação do fundo”, salientou, frisando, porém, que não há informação que comprove a recepção de lucro por parte de Alvin Chau das apostas paralelas.

      Por outro lado, uma outra testemunha destacou ao tribunal que a empresa Suncity possui um banco clandestino para movimentar as verbas dos jogadores entre as contas bancárias no Continente e a plataforma de jogo online do grupo UE. “Os jogadores do Continente fazem depósito nas contas bancárias determinadas, em renminbis, para que seja transferido mais tarde para o grupo UE para apostas online. E para o jogador levantar o dinheiro de volta, o montante é enviado primeiro do UE para uma conta bancária individual num banco na China, e o banco clandestino faz novamente transferência para o jogador”, afirmou a polícia.

      O agente da PJ acusou ainda o 14.º arguido do processo, Su Yiming, de ser o responsável da operação do banco clandestino, onde os seus subordinados tinham criado contas de jogador na Suncity e no UE, de forma a facilitar a recepção e transferência do dinheiro dos jogadores entre os dois lados.

      Segundo a acusação deferida pelo Ministério Público, o banco clandestino, denominado “Empresa Weng Lei”, foi criado em Janeiro de 2018 e operou até Junho de 2020, cuja base de dados contém detalhes de movimentos de verbas dos jogadores nas contas pertencidas a membros do grupo e de indivíduos anónimos.