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Terça-feira, 7 de Fevereiro, 2023
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      ESCRITA NA BRISA

      Somente a alma é profissional 

      O poeta Mo Mo disse que fotografar é uma arte de observar e focalizar com a alma. É verdade que um bom fotógrafo sabe muito bem como pressionar o obturador com a alma que, no meu entender, é mais profissional do que quaisquer habilidades e técnicas. Até porque as câmaras fotográficas mais sofisticadas são do amadorismo caso um fotógrafo, mesmo profissional, não saiba trabalhar com a alma. Cabe realmente à alma que leva o fotógrafo a tomar uma atitude para com o mundo, para as pessoas e coisas que o rodeiam, bem como para consigo próprio, o que determina o que é fotografável e como fotografar. 

      Há gente que não se sente cansada de fotografar graciosas peónias, elegantes flores de lótus ou sensuais beldades utilizando um conjunto de refinados equipamentos fotográficos, temas esses, porém, que nada me interessam, porque prefiro captar imagens de forma espontânea. Quando ando pela rua ou viajo por uma terra, mantenho o olhar atento e vigilante para ver o que possa ser significante, e se o descobrir, levanto a minha câmara fotográfica ou telemóvel, que uso na maioria dos casos, para fotografar. Eis uma reação psicológica ou da alma causada instintivamente pelo ato de “ver”, uma espécie de emoção de encontrar algum significado no meio da mediocridade. 

      Hoje em dia, o telemóvel dotado da função fotográfica já tornou todos os utentes em fotógrafos e  

      vivemos bombardeados pelas imagens.  Entretanto, embora seja fácil tirarmos fotografias belíssimas, não é fácil encontrarmos fotografias que nos toquem na alma.  

      (Texto escrito para a minha exposição de fotografia que se realizará entre 7 e 30 de Novembro, no Armazém do Boi, em Macau)