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      Sucedem-se notas de pesar pela morte de Carlos Melancia

      Diversas personalidades e instituições decidiram demonstrar o apreço pelo engenheiro, que foi, entre muitas coisas, Governador de Macau de 1987 a 1990. A Fundação Jorge Álvares, da qual foi co-fundador, o Partido Socialista, entre outras personalidades ligadas a Portugal e a Macau, não deixaram passar a oportunidade de comentar o óbito. O presidente da Associação dos Macaenses, Miguel de Senna Fernandes, afirmou mesmo que Melancia “foi um governador especial a governar um lugar especial”.

      O antigo Governador de Macau Carlos Melancia morreu aos 95 anos, no passado domingo, no hospital de São José, para onde foi transportado após uma queda. As notas de pesar multiplicam-se e são muitas as instituições e individualidades que prestaram respeito ao político português nascido em Alpiarça em 1927.

      A directora-geral da Fundação Jorge Álvares foi uma dessas pessoas. Num comunicado já tardio, Maria Teresa Sanches considerou que “é com profundo pesar que venho comunicar o falecimento do curador da Fundação Jorge Álvares, Eng.º. Carlos Montez Melancia, ontem, dia 23 de Outubro”. A responsável lembrou que Melancia “esteve desde o início ligado à Fundação Jorge Álvares, onde foi administrador, entre 2000 e 2009, Presidente da Fundação, entre 2009 e 2016, e Curador desde a criação até hoje. “A sua dedicação e espírito empreendedor muito contribuíram para a consolidação e afirmação da Fundação Jorge Álvares na prossecução dos seus fins estatutários, quer na área cultural quer na área educativa, entre outras, junto de instituições como o Centro Científico e Cultural de Macau e de ensino superior, em especial em Macau”, referiu ainda Maria Teresa Sanches.

      O advogado Rui Cunha referiu ao PONTO FINAL que é com tristeza que vê desaparecer alguém que se conhece e se reconhece méritos. “Temos de reconhecer o mérito de ter contribuído muito validamente para o desenvolvimento deste território e algumas das suas obras constituem marcos importantes do que Macau hoje pode mostrar, como o projecto Nam Van que mudou completamente a face da zona ribeirinha”, referiu.

      Rui Cunha, que nunca privou com Melancia, sempre teve a ideia de ter sido uma pessoa determinada nos seus objectivos, prático, dinâmico e com larga visão para desenvolver Macau. Pena que o seu esforço tenha sido inglório e interrompido bruscamente, porque certamente ainda teria muito para dar a esta terra”, acrescentou o advogado.

      “TURBILHÃO” TRAMOU MELANCIA

      Em declarações à agência Lusa, o presidente da Fundação Oriente, Carlos Monjardino, considerou Carlos Melancia um bom homem, que acabou por ser apanhado num turbilhão, cuja origem não estava nele. “Sempre disse que a aquela história do fax de Macau tinha mais a ver, porventura, com a ‘entourage’ dele [Carlos Melancia] do que com ele, e que ele tinha sido apanhado naquilo”.

      Lamentando o desaparecimento do antigo governador de Macau e ministro de vários governos socialistas, o presidente da Fundação Oriente considerou que Carlos Melancia, durante o tempo que esteve no território, então sob administração portuguesa, “teve pessoas à volta dele que não deveria ter tido” e foi “muito prejudicado por isso”. “Poderia ter tido um mandato um pouco mais sossegado se fosse um bocadinho mais severo na avaliação das pessoas que apareciam”, acrescentou.

      GOVERNADOR ESPECIAL

      O presidente da Associação dos Macaenses, Miguel de Senna Fernandes, também lamentou a morte do antigo governador de Macau. Em declarações ao nosso jornal, destacou “o bom trabalho deixado em Macau”. “Como civil, tinha um ponto de vista diferente da maioria dos outros governadores que eram militares. Tinha uma formação e uma mentalidade contrastante, mais aberta e moderna. Naturalmente sonhou um desenvolvimento económico para Macau e dinamizou em vários sectores do território, criando diversas infra-estruturas que até hoje perduram”, referiu o também advogado.

      Senna Fernandes lembrou que o engenheiro “também criou uma nova filosofia de como desenvolver cultura”, não esquecendo a comunidade chinesa. Ele tinha uma visão moderna e europeia para Macau. Só isto chega para se saudar a sua vida. Porque, Melancia, por não ter sido militar, era uma pessoa mais aberta a todas as soluções sociais e muitas dessas soluções sociais passavam, inclusive, pela comunidade chinesa”, notou, acrescentando que “o novo ritmo que impôs em Macau” foi do agrado do tecido empresarial chinês do território que com ele “tinha uma boa relação”.

      O macaense sugeriu que, muito provavelmente, Melanciateria sido o último Governador de Macau se não tivesse ocorrido o Caso do Fax de Macau, e não tem qualquer dúvida de que, de uma maneira geral, “a comunidade macaense gostou muito dele”. “Era uma pessoa reservada, mas era simpático. Não tinha problemas em ouvir ideias novas e até mesmo assumir algumas dessas ideias. Foi um governador especial a governar um lugar especial”, concluiu.

      O Partido Socialista (PS), partido ao qual Carlos Melancia foi filiado, tendo sido inclusive deputado eleito pelo círculo de Leiria, também publicou na sua página oficial na Internet uma nota de pesar pelo desaparecimento do engenheiro. “O Partido Socialista manifesta a sua consternação perante o falecimento, no último domingo, de Carlos Montez Melancia, antigo governador, ministro, secretário de Estado, deputado e gestor (…) A Direcção Nacional apresenta as suas mais sinceras condolências a todos os seus familiares e amigos.”

      As cerimónias fúnebres decorreram esta terça-feira. O cortejo fúnebre partiu da igreja de São João de Deus às 11h[hora em Portugal] para o Cemitério do Alto de São João, em Lisboa, onde o corpo de Calos Melancia foi cremado, conforme desejo do antigo governador.