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      InícioCulturaSilviano Santiago vence Prémio Camões 2022

      Silviano Santiago vence Prémio Camões 2022

      O escritor brasileiro recebeu, entre outros prémios, o Jabuti 2017, o Prémio Oceanos em 2015, com o romance “Mil Rosas Roubadas”, e o segundo lugar do Prémio Oceanos, em 2017, com “Machado”, sobre Machado de Assis. O júri considerou que Silviano “é um pensador capaz de uma intervenção cívica e cultural de grande relevância, com um contributo notável para a projecção da língua portuguesa como língua do pensamento crítico, no Brasil e fora dele”.

      O escritor brasileiro Silviano Santiago é o vencedor do Prémio Camões 2022, anunciou, esta segunda-feira, o ministro português da Cultura, Pedro Adão e Silva. “Silviano Santiago, além de escritor com uma obra literária com vários prémios nacionais e internacionais (Jabuti, Oceanos, etc.), é um pensador capaz de uma intervenção cívica e cultural de grande relevância, com um contributo notável para a projeçcão da língua portuguesa como língua do pensamento crítico, no Brasil e fora dele (nos países ibero-americanos, africanos, nos Estados Unidos e na Europa)”, indicou o júri da 34.ª edição do Prémio Camões, citado pelo comunicado do Ministério da Cultura de Portugal.

      Para o brasileiro, em declarações ao Estadão, jornal onde chegou a colaborar como colunista, este “prémio chega num momento difícil para o mundo e para o Brasil”. “Não deixa de ser, para mim, em particular, um momento de alegria – um reconhecimento do meu longo trabalho em literatura”, acrescentou o homem de 86 anos que vai agora receber um prémio pecuniário no valor de 100 mil euros (cerca de 797 mil patacas).

      Ensaísta, romancista e contista, Silviano Santiago nasceu em 1936, em Formiga, estado de Minas Gerais, no Brasil.Doutorado em Letras Francesas pela Universidade de Sorbonne, de Paris, em 1968, com uma tese sobre “Os Moedeiros Falsos”, de André Gide, a biografia divulgada pelo Prémio Camões identifica-o igualmente como bacharel em Letras Neolatinas pela Universidade Federal de Minas Gerais (1959), com especialização em Literatura Francesa, como bolseiro do Centre d`Études Supérieures de Français, no Rio de Janeiro, entre 1960 e 1961.

      Silviano Santiago recebeu, entre outros prémios, o Jabuti 2017, o Prémio Oceanos em 2015, com o romance “Mil Rosas Roubadas”, e o segundo lugar do Prémio Oceanos, em 2017, com “Machado”, sobre Machado de Assis. “Em liberdade” e “Stella Manhattan” são outras das suas obras de grande relevo, sendo este último dedicado à temática LGBT.

      O Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, saudou a atribuição da edição deste ano do Prémio Camões ao escritor brasileiro Silviano Santiago, destacando o seu percurso como poeta, ficcionista e ensaísta. “Professor com uma distinta carreira em universidades do seu país e dos Estados Unidos, poeta e ficcionista, vencedor dos prémios Jabuti e Oceanos, é também um destacado ensaísta, tendo estudado a literatura do período colonial e as obras de Carlos Drummond de Andrade e João Guimarães Rosa, entre outros, e publicado instigantes ensaios de crítica político-cultural, por exemplo sobre a ideia do Brasil ou sobre a América Latina”, destacou o chefe de Estado numa nota publicada na página oficial da Presidência da República.

      O primeiro-ministro português também felicitou o escritor brasileiro por vencer o prémio, considerando que se trata de um merecido reconhecimento para uma obra e vida dedicadas à literatura. Para António Costa, é um “merecido reconhecimento para uma obra e uma vida dedicadas à literatura, enquanto romancista, ensaísta e professor”.

      O júri da 34.ª edição do Prémio Camões foi constituído pelos professores universitários portugueses Abel Barros Baptista e Ana Maria Martinho, da Universidade Nova de Lisboa, a são-tomense Inocência Mata, da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, os brasileiros Jorge Alves de Lima, membro da Academia Paulista de História e da Academia Campinense de Letras, e membro do Conselho Científico do Centro de Memória da Unicamp, que presidiu o júri, Raúl Cesar Gouveia Fernandes, do Departamento de Ciências Sociais e Jurídicas do Centro Universitário FEI, em São Bernardo do Campo, e a moçambicana Teresa Manjate, docente e investigadora na Universidade Eduardo Mondlane.

      O Prémio Camões de literatura em língua portuguesa foi instituído por Portugal e pelo Brasil, com o objectivo de distinguir um autor “cuja obra contribua para a projecção e reconhecimento do património literário e cultural da língua comum”.

      Segundo o texto do protocolo constituinte, assinado em Brasília, em 22 de Junho de 1988, o prémio consagra anualmente “um autor de língua portuguesa que, pelo valor intrínseco da sua obra, tenha contribuído para o enriquecimento do património literário e cultural da língua comum”.

      O galardão foi atribuído pela primeira vez, em 1989, ao escritor Miguel Torga.

      Em 2019, o prémio distinguiu o músico e escritor brasileiro Chico Buarque, autor de “Leite Derramado” e “Budapeste”, entre outras obras; em 2020, o professor e ensaísta português Vítor Aguiar e Silva (1939-2022). No ano passado, foi atribuído à escritora moçambicana Paulina Chiziane, autora de “Balada de Amor ao Vento” e “Ventos do Apocalipse”.

      O Brasil lidera a lista de distinguidos com o Prémio Camões, com 14 premiados cada, seguindo-se Portugal, com 13 laureados, Moçambique, com três, Cabo Verde, com dois, mais um autor angolano e outro luso-angolano.

      A história do galardão conta apenas com uma recusa, exactamente a do luso-angolano Luandino Vieira, em 2006.