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      InícioGrande ChinaAbrandamento económico obriga Congresso do PC Chinês a tomar decisões “difíceis”

      Abrandamento económico obriga Congresso do PC Chinês a tomar decisões “difíceis”

      A China enfrenta uma “crise financeira em câmara lenta”, que vai obrigar Pequim a tomar as “mais difíceis” decisões das últimas décadas, à medida que o modelo de crescimento assente na construção se esgota, advertem analistas.

       

      O fim deste modelo, que transformou a China na segunda maior economia do mundo e foi o principal motor de crescimento da economia mundial na última década, coincide com uma reorganização da liderança do país, durante o 20º Congresso do Partido Comunista Chinês, que arranca no dia 16 de Outubro e deve reforçar o estatuto do secretário-geral da organização, Xi Jinping.

      “A China pode continuar a ‘empurrar com a barriga’ por mais alguns anos”, diz à agência Lusa o economista Michael Pettis. “Mas vai ser forçada mais tarde a fazer uma transição ainda mais dolorosa”, adverte.

      O professor de teoria financeira na Faculdade de Gestão Guanghua, da Universidade de Pequim, refere-se ao fim do investimento massivo feito na construção de imóveis e grandes obras públicas, que permitiu ao país asiático converter-se na segunda maior economia do mundo, mas que gerou também muito “crescimento fictício”, através da alocação de capital para ativos incapazes de gerar retorno suficiente para cobrir o crescente endividamento público e privado. “O excesso de investimento em todo o tipo de projectos de construção inflaciona o crescimento há vários anos”, descreve.

      Desde a crise financeira global de 2008, enquanto as economias desenvolvidas estagnaram, a China construiu a maior rede ferroviária de alta velocidade do mundo, mais de oitenta aeroportos ou dezenas de cidades de raiz, alargando a classe média chinesa em centenas de milhões de pessoas.

      Segundo um estudo do Fundo Monetário Internacional​​​​​​​ (FMI​​​​​​​), entre 2013 e 2018, a China contribuiu para cerca de 28% do crescimento do PIB mundial – mais do dobro da participação dos Estados Unidos.

      O investimento representa, em média, cerca de 25% do Produto Interno Bruto (​​​​​​​PIB) global, variando entre 17% e 23% para economias desenvolvidas e entre 28% e 32% para as economias em desenvolvimento. No caso da China, o investimento equivaleu a cerca de metade do PIB nos últimos dez anos. “Quando a dívida de um país é usada para financiar investimentos cujos benefícios económicos são inferiores ao custo da mão-de-obra e dos recursos empregues – conhecido como ‘investimento improdutivo’, a dívida começa a aumentar mais rapidamente que o PIB”, explica Pettis. “Nas últimas duas décadas, o índice de endividamento oficial da China aumentou de aproximadamente 150% para quase 280% do PIB – um dos aumentos mais rápidos que qualquer país já experimentou”, diz.

      No ano passado, os excessos do setor foram finalmente alvo dos reguladores chineses, que passaram a exigir às construtoras um teto de 70% na relação entre passivos e ativos e um limite de 100% da dívida líquida sobre o património líquido.

      As novas regras asfixiariam o sector, levando ao colapso da maior construtora da China, o grupo Evergrande, e tiveram um efeito de contágio nas finanças dos governos locais, que dependem da venda de terrenos para obter receitas.

      Funcionários públicos de várias cidades contaram à agência Lusa ter recebido este ano cortes salariais de até 25%. Em alguns casos, os cortes ascenderam a metade do ordenado.

      A crise no imobiliário tem também fortes implicações para a classe média do país. Face a um mercado de capitais exíguo, o setor concentra uma enorme parcela da riqueza das famílias chinesas – cerca de 70%, segundo diferentes estimativas. Logan Wright, sócio da consultora Rhodium Group, considera num relatório que a China atravessa uma “crise financeira em câmara lenta”.

      Michael Pettis diz que Pequim deveria transferir mais riqueza do Estado para as famílias, através do aumento dos salários e da criação de um sistema robusto de segurança social, visando gerar um modelo económico assente no consumo interno, e menos dependente do investimento. Este ajuste é, porém, “extremamente difícil de realizar politicamente”, explica. “A distribuição do poder político na China, como em qualquer país, é, em parte, consequência da distribuição do poder económico”, nota. “Uma grande mudança no segundo quase certamente desencadearia uma mudança proporcional no primeiro”. Lusa

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      Redacção do Ponto Final Macau