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      Ex-funcionários da Suncity dizem que jogo paralelo fazia parte do negócio da empresa  

      O jogo paralelo faz parte das actividades do grupo Suncity e os funcionários recebiam formação sobre apostas paralelas e foram exigidos a promover a exploração, testemunharam ontem dois ex-funcionários de Alvin Chau em mais uma audiência de julgamento. Uma delas indicou ainda que o volume do jogo paralelo promovido era um dos elementos na avaliação do desempenho dos trabalhadores.

       

      Dois antigos funcionários da Suncity, enquanto testemunhas do processo relativo ao grupo anteriormente presidido por Alvin Chau, afirmaram ontem em tribunal que o jogo paralelo “fazia parte do negócio” da empresa, bem como as apostas por meio telefónico. As duas testemunhas apontaram ainda que existia um grupo no seu departamento que se dedicava à operação e promoção de apostas paralelas.

      Realizou-se ontem mais uma audiência do julgamento do caso relativo ao grupo Suncity, em que 21 arguidos, incluindo o seu antigo chefe, Alvin Chau, vários chefias de departamentos e alguns jogadores estão a ser acusados por crimes de associação criminosa, exploração ilícita de jogo e branqueamento de capitais.

      As duas testemunhas inquiridas ontem começaram a trabalhar na Suncity em 2018, nomeadamente no departamento do desenvolvimento de mercado. Ambos declaram que o seu departamento tinha habitualmente duas equipas, de jogadores e de agentes, sendo que eles pertenciam ao grupo responsável pelos assuntos de jogadores, como “acompanhar os jogadores visitantes, ajudar nas reservas de quartos de hotel e transportes”, enquanto “a equipa de agentes era responsável pelas actividades promocionais do jogo paralelo”.

      Um deles salientou na sessão de julgamento que houve matérias de explicação sobre o funcionamento do jogo paralelo durante a formação abrangente de funcionários, no início das suas carreiras na empresa, mas reiterou que o jogo paralelo não era uma “obrigatoriedade” para o trabalho dos funcionários da Suncity. Já a outra antiga vice-gerente do atendimento de clientes revelou que a exploração das apostas paralelas era um dos elementos para avaliar o desempenho dos trabalhadores do grupo.

      Num documento apresentado pelo Ministério Público, em que consta uma tabela de KPI (Key Performance Indicator) dos funcionários, verifica-se que a avaliação do trabalho era composta por volume de negócio de “operação” e de “apostas telefónicas”. Neste caso, a testemunha admitiu que a “operação” era sinónimo de “jogo paralelo” e, se optasse por não promover o jogo paralelo, seria sujeito a corte do salário.

      “As chefias do departamento tinham pedido para promovermos o jogo paralelo aos apostadores, era parte do negócio da Suncity. […] Mas a minha equipa não fez isso, porque o nosso público-cliente não era esse tipo de jogadores”, destacou a testemunha, acrescentando que já tinha visto algumas vezes a exploração dessa actividade nas salas VIP da Suncity.

      “Havia um grupo de pessoas ali com um papel e a marcar as contas, mas não usam uniformes da empresa. Outras pessoas no casino designavam-nas como ‘departamento de operação’, mas não sei se este departamento de operação pertencia à Suncity”, indicou.

      A testemunha frisou, entretanto, que o responsável da empresa do banqueiro do jogo paralelo em causa era Cheong Chi Kin. “Ouvi dizer que para este tipo de apostas podia-se falar nas condições com esta pessoa”, referiu a testemunha, incerta, porém, se seria o 5.º arguido do caso, uma vez que não reconhecia a sua cara.

      Recorde-se que os 5.º e 6.º arguidos, Cheong Chi Kin e Tim Chau Chun Hee, confessaram anteriormente na audiência o seu envolvimento na exploração do jogo paralelo, mas reiteraram que era apenas um negócio pessoal e não estava relacionado com o grupo Suncity, particularmente com o magnata de ‘junkets’ Alvin Chau.

      Por outro lado, perante as perguntas do advogado defensor de Alvin Chau, a testemunha disse entender que algumas das actividades operadas pela Suncity “não eram legais”. Recusou-se a explicar inicialmente, mas a ex-funcionária indicou no final que a forma de os clientes receberem dinheiro da conta da Suncity no interior da China não era normal. “Normalmente o jogador podia pedir directamente um cheque no casino, mas teve de receber dinheiro por transferência de uma conta terceira”, asseverou.