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      Início Ásia Protestos no 50.º aniversário da imposição da lei marcial nas Filipinas

      Protestos no 50.º aniversário da imposição da lei marcial nas Filipinas

      As Filipinas assinalaram ontem, com protestos previstos em várias cidades, o 50.º aniversário da Lei Marcial, decretada pelo falecido ditador Ferdinand Marcos, pai do actual Presidente Marcos Jr., que originou uma década de violência.

       

      O maior protesto foi realizado na capital, Manila, no campus da Universidade das Filipinas (UP, na sigla em inglês), onde milhares de estudantes e vítimas da Lei Marcial marcharam juntos pela memória dos desaparecidos e contra a desinformação que marcou o regresso ao poder da famosa dinastia.

      A UP foi o foco intelectual da luta anti-Ferdinand Marcos, e boa parte das vítimas de tortura e dos desaparecidos durante a Lei Marcial eram estudantes ou ligados à universidade pública, conhecida por uma proximidade ideológica com grupos de esquerda e com a insurgência comunista dos anos 60 e 70.

      Protestos também se realizaram noutras partes de Manila, incluindo no popular bairro de Tondo, num outro campus da UP na cidade de Cebu e em Davao, no sul do país. “Tantos sacrifícios após a ditadura de [Ferdinand] Marcos para consolidar uma democracia, parece-me que eles foram varridos por um bombardeamento de desinformação que permitiu que um Marcos voltasse ao poder”, disse à agência Efe uma vítima de tortura durante o período da Lei Marcial, May Rodriguez.

      A Lei Marcial entrou em vigor em 21 de Setembro de 1972, suspendendo a constituição das Filipinas e levando à supressão da imprensa e à perseguição dos opositores políticos de Ferdinand Marcos. Dias depois da lei entrar em vigor, o maior canal de televisão do país, ABS-CBN, foi encerrado e o principal crítico de Ferdinand Marcos, Benigno Aquino, foi detido.

      Durante a aplicação da Lei Marcial, que durou 11 anos e só terminou em 1981, cerca de 3.257 pessoas foram mortas, mais de 34 mil torturadas e mais de 70 mil detidas sem proteção dos seus direitos fundamentais, segundo estimativas da organização não-governamental (ONG) de proteção dos direitos humanos Amnistia Internacional.

      Em 13 de Setembro, Marcos Jr. justificou a imposição da Lei Marcial com as “duas guerras” que o pai Ferdinand enfrentava: a insurgência comunista e os separatistas muçulmanos da ilha de Mindanau (sul).

      Numa entrevista, o atual chefe de Estado negou que a dinastia Marcos esteja a reescrever a história recente do país, mas não fez qualquer menção às violações de direitos humanos durante a ditadura de Ferdinand Marcos.

      Marcos Jr. discursou ontem na Assembleia Geral das Nações Unidos, em Nova Iorque, tendo apelado à defesa dos direitos humanos. “Os Marcos devem pelo menos reconhecer o seu papel naqueles dias sombrios”, disse Carlos Conde, investigador da ONG de proteção dos direitos humanos Human Rights Watch. “Sem verdade, sem espaço para os filipinos entenderem e aceitarem o que aconteceu durante a Lei Marcial, nunca poderemos seguir em frente”, acrescentou. Lusa

       

      Ponto Finalhttps://pontofinal-macau.com
      Redacção do Ponto Final Macau