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      Pessimismo no ambiente laboral motiva cada vez mais jovens a aceitarem trabalho temporário  

      Cerca de 70% dos jovens de Macau estão pessimistas quanto às suas perspectivas de emprego e 56% deles baixaram os seus requisitos para encontrar trabalho. De acordo com os resultados de um inquérito da Associação de Nova Juventude Chinesa de Macau, devido às dificuldades na procura de trabalho e desenvolvimento da internet, quase metade dos jovens inquiridos está interessada em trabalhos ‘freelance’ e temporários. Porém, mostram-se preocupados com a instabilidade de rendimentos e falta oportunidades de promoção a nível profissional.

       

      Um inquérito conduzido pela Associação de Nova Juventude Chinesa de Macau revela que os jovens locais estão pessimistas relativamente à situação de emprego, sendo que quase 70% dos jovens entrevistados disseram estar muito mais preocupados com as suas perspectivas profissionais após o surgimento da pandemia.

      Tendo em conta que o inquérito foi realizado entre Maio e Julho deste ano, a associação acredita que, com o impacto socioeconómico do último surto comunitário da Covid-19, a atitude entre os jovens sobre o emprego deve ser ainda mais negativa do que o resultado da análise actual. Ao mesmo tempo, 56% dos inquiridos admitiram que têm agora menos requisitos na procura de emprego, ou seja, estão dispostos a aceitar um trabalho com condições menos favoráveis.

      Entre mais de 800 questionários recebidos dos jovens com idade compreendida entre 18 e 34 anos, 47% dos participantes expressaram claramente a vontade de trabalhar num emprego temporário. A flexibilidade do horário de trabalho, a acumulação de experiência profissional e a obtenção de rendimentos mais elevados são as principais razões pelas quais os jovens querem um emprego não regular como opção da carreira.

      A análise apontou que o mercado de trabalho continua a piorar e o número de postos de trabalho tem vindo a diminuir por causa do impacto epidémico, e os recém-licenciados e novos trabalhadores estão a enfrentar “uma situação de emprego gravemente complicada”. É realçado ainda que menos de um terço dos jovens concordam que os apoios ao emprego do Governo são eficazes.

      “Esta pandemia mudou, entretanto, os hábitos de consumo e de vida dos cidadãos, o pagamento electrónico e as compras online tornaram-se cada vez mais populares, e um grande número de trabalhos temporários foi criado com o desenvolvimento da Internet e plataformas online, como funcionários de entrega de comida e de emissões ao vivo online [KOL]”, observou o inquérito, concluindo que mais jovens optaram por juntar-se à chamada ‘Gig Economy’. Os que exercem o modelo de trabalho da ‘Gig Economy’ referem-se a trabalhadores em regime ‘freelance’, temporário e sem contrato de trabalho.

      Citado pela associação, um relatório da Organização Internacional do Trabalho sobre as tendências de emprego juvenil descobriu que os desafios para o grupo compreendem a quantidade de postos de trabalho e a qualidade de emprego e, como resultado, a maioria só pode recorrer “à forma de emprego informal e vulnerável”.

      “No entanto, o modelo de trabalho da ‘Gig Economy’ implica geralmente dificuldades para os jovens acumularem rendimentos suficientes e estáveis, e conseguirem promoções na escada de carreira na sociedade”, alertou.

      O representante da equipa de análise, Hugo Leong, mostrou-se preocupado com o facto de os trabalhadores da ‘Gig Economy’ estarem numa posição frágil na relação laboral, por existir uma certa diferença entre a segurança social e a remuneração com os trabalhadores a tempo inteiro.

      Os jovens reconhecem no inquérito que há desvantagens desse modelo laboral face ao emprego a tempo inteiro, como a baixa estabilidade de rendimentos no emprego (66,7%), falta de espaço para promoção (40,2%) e baixa estabilidade na fonte de emprego (36,9%).

      Os resultados mostram ainda que 55% dos jovens consideram que “é difícil atender às expectativas da família com emprego flexível” e 52% julgam que é difícil obter uma melhor qualidade de vida ao trabalhar a tempo parcial. Segundo a análise, os jovens de idade mais avançada ou casados mostram, de forma geral, menos apetência para o modelo de trabalho ‘Gig Economy’.

      Hugo Leong acredita que o trabalho ‘freelance’ é uma tendência profissional no futuro, pelo que espera que haja mais garantia legal para proteger os interesses e direitos laborais dos que se dedicam a este modelo de trabalho. “É preciso estabelecer orientações para as empresas de plataformas online, incentivá-las a melhor o regime de pagamento de salários e da segurança social, bem como estabelecer um mecanismo razoável de crescimento da remuneração e reforçar a protecção contra acidentes operacionais”, asseverou.

       

      PONTO FINAL