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      InícioPolíticaProcesso de chegada ao aeroporto é "inqualificável, insustentável e repugnante"

      Processo de chegada ao aeroporto é “inqualificável, insustentável e repugnante”

      Para José Pereira Coutinho, a recepção dos passageiros que chegam ao Aeroporto Internacional de Macau é “inqualificável, insustentável e repugnante”. Ontem, na Assembleia Legislativa, o deputado falou mesmo em “tratamento desumano” e acrescentou que o processo implementado pelo Governo parece ser “uma punição” para as pessoas que saíram de Macau.

      “Inqualificável, insustentável e repugnante”. É assim que José Pereira Coutinho descreve o processo de chegada a Macau através do aeroporto. “Será que, em consciência, qualquer titular de um principal cargo público da RAEM, se sujeitaria a este tipo de tratamento no seu regresso a Macau?”, questionou o deputado na reunião plenária de ontem da Assembleia Legislativa (AL).

      Recentemente, o Governo promoveu alterações no processo que tinham como objectivo reduzir o tempo de espera no aeroporto. Recorde-se que, quem chega do estrangeiro, tem de realizar testes de ácido nucleico assim que aterra no aeroporto e depois esperar pelos resultados, antes de ser levado para o hotel de observação médica onde tem de ficar durante sete dias. O período de espera era de, em média, oito horas. Coutinho afirmou que os problemas na chegada se mantêm e assinalou que o processo “mais parece ser uma punição” por os residentes terem saído de Macau.

      O presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) indicou que o seu gabinete recebeu várias críticas e reclamações sobre a situação. As queixas, segundo Coutinho, têm a ver com as “condições desumanas” em que ocorre o desembarque dos passageiros.

      “O calvário inicia-se com a longa espera dos autocarros após aterragem do avião. Depois, os passageiros são transferidos para os autocarros, sem que sejam dadas prioridades aos idosos, deficientes, grávidas [ou pessoas] com filhos menores, demorando uma eternidade na execução dos testes de ácido nucleico”, criticou, acrescentando que “o sofrimento dos passageiros estende-se à falta de apoios, principalmente apoios aos idosos que são obrigados a arrastar as pesadas bagagens do armazém dentro do aeroporto para os autocarros e posteriormente para o Pac On e de seguida para o hotel”.

      Na sala de espera do Pac On “continua a reinar uma enorme confusão” na espera pelos resultados dos testes. “Os ‘coitados dos seguranças’ bem se esforçam para esclarecer, informar e responder às perguntas para além das suas funções e responsabilidades como seguranças do aeroporto”, apontou. O “calvário” da burocracia “contribuiu sobremaneira para o aumento de tempo de espera, a falta de informação e de coordenação logística do processo”, criticou o deputado.

      Pereira Coutinho também denunciou um caso em que um residente chegou a Macau, através do aeroporto, com as duas filhas menores. O homem tinha reservado dois quartos, mas ainda assim teve de partilhar o quarto “de reduzidas dimensões” com as duas filhas. O pai acabou por testar positivo à Covid-19 durante a quarentena e infectar também as filhas. Um “incidente lamentável”, considerou o deputado.

      “Apesar destes assuntos já terem sido abordados por diversas vezes, no passado, mantém-se a intransigência na interpretação das medidas de confinamento, que obrigam a que filhos menores estejam na companhia dos pais, ou tutores, independentemente do resultado dos testes. A legislação e as medidas sanitárias terão que ser revistas para contemplar as excepções necessárias a estas situações”, afirmou Coutinho no hemiciclo.

      “Classificar de vergonhosa esta recepção aos passageiros no Aeroporto Internacional de Macau é um eufemismo. Esta é uma situação inqualificável, insustentável e repugnante”, reiterou, questionando: “Será que, em consciência, qualquer titular de um principal cargo público da RAEM se sujeitaria a este tipo de tratamento no seu regresso a Macau?”.

      O deputado eleito por sufrágio directo apontou também uma “grave falta de coordenação e de partilha de dados e informação entre os diversos serviços públicos”, já que os residentes, ao chegarem a Macau, têm de continuar a preencher vários documentos com os seus dados.

      Pereira Coutinho já tinha questionado o Governo sobre a situação e, na altura, propôs a troca da observação médica em hotel por quarentena domiciliária. Ontem, Coutinho voltou a insistir na ideia, explicando: “Esta sugestão, para além de ter um impacto positivo nos potenciais futuros visitantes do território, com óbvios benefícios para a economia local, resolveria também o problema da ausência de instalações para internamento de passageiros infectados, que obriga as autoridades a optarem por soluções insatisfatórias, tais como o alojamento de passageiros assintomáticos e/ou infectados em hotéis de observação médica, aumentando o risco de contágio dos funcionários e auxiliares nesses locais”.

      “Macau tem que voltar a funcionar com normalidade”, afirmou, salientando que a região deve passar a conviver com o vírus, “para que Macau mantenha a sua competitividade, é necessário que nos empenhemos na implementação de medidas mais arrojadas de reforma e reforço das funcionalidades do território”, concluiu Coutinho.

      PONTO FINAL