A Human Rights Watch pediu ontem às autoridades de Hong Kong para libertarem 47 proeminentes activistas acusados de conspiração e que podem enfrentar sentenças entre os dez anos e a prisão perpétua.
A organização Human Rights Watch (HRW) apelou ontem às autoridades de Hong Kong para que libertassem um total de 47 activistas que foram acusados de conspiração, podendo enfrentar sentenças entre os dez anos e a prisão perpétua.
“A ameaça muito real de prisão perpétua devido ao ativismo pacífico mostra o total desrespeito de Pequim tanto pelos processos políticos democráticos quanto pelo estado de direito”, disse Maya Wang, investigadora especialista em China da organização não-governamental (ONG).
Especificamente, os 47 detidos – com idades entre 24 e 66 anos – são acusados de conspirar para subverter o poder do Estado após organizar eleições primárias em julho de 2020 para eleger candidatos ao Conselho Legislativo.
Entre os acusados, que já se declararam culpados, estão o fundador do movimento Occupy Central, Benny Tai Yiu Ting, o líder estudantil Joshua Wong Chi Fung, ou os ex-deputados do Conselho Legislativo Wu Chi Wai, Claudia Mo, Eddie Chu e Alvin Yeung.
Mais de 600.000 habitantes de Hong Kong foram às urnas convocadas pelo movimento político pró-democracia em Julho de 2020, cujos resultados serviriam para eleger os candidatos às eleições do Conselho Legislativo em Setembro, que foram posteriormente adiadas devido à pandemia da covid-19.
As autoridades chinesas sustentam que essas primárias não foram apenas ilegais, pois não estão refletidas nas leis eleitorais de Hong Kong, mas também violaram a lei de segurança nacional, pois tinham como objetivo boicotar o governo, provocar uma crise institucional e exigir sanções de países estrangeiros.
“Os Governos interessados devem demonstrar o seu compromisso com a democracia e os direitos humanos sancionando os responsáveis que atropelam os direitos fundamentais do povo de Hong Kong”, disse Wang, enfatizando que “acções internacionais trarão conforto” para aqueles que estão a fazer “o correcto”.
Os acusados devem comparecer ao tribunal em 9 de Setembro, num julgamento que será realizado sem um júri para evitar a possibilidade de interferência estrangeira, revelou na quarta-feira o novo secretário Departamento de Justiça de Hong Kong, Paul Lam Ting-kwok.
Ontem, o proeminente activista pró-democracia de Hong Kong Albert Ho foi libertado sob fiança por motivos de saúde, enquanto aguarda julgamento sob a lei de segurança nacional por uma acusação realizada em Setembro de 2021, informou o jornal local Free Press. O ex-deputado, que estava preso após uma condenação de 16 meses emitida em maio de 2021 por incitar a participação numa manifestação não autorizada em 2019, aguardava outro julgamento sob a acusação de incitar a subversão.
Durante o segundo semestre de 2019, Hong Kong testemunhou inúmeras e massivas manifestações antigovernamentais pedindo a melhoria dos mecanismos democráticos da ex-colónia britânica.
Desde então, o Governo de Pequim impôs novas leis eleitorais e de segurança nacional que, na opinião das ONG de direitos humanos, estão a servir para desmantelar a sociedade civil em Hong Kong e dificultar ainda mais a conquista do poder de sectores da sociedade críticos do Executivo chinês. Lusa













