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      InícioGrande ChinaHong Kong critica alegada ingerência britânica no caso do magnata Jimmy Lai

      Hong Kong critica alegada ingerência britânica no caso do magnata Jimmy Lai

      O Governo de Hong Kong acusou ontem o Reino Unido de interferir na justiça local, na sequência de um encontro entre um ministro britânico e advogados do magnata dos 'media' do território Jimmy Lai.

      “Nunca toleraremos e lamentamos fortemente qualquer forma de interferência de qualquer poder ou indivíduo estrangeiro nos procedimentos judiciais e assuntos internos de Hong Kong”, indicou numa declaração, acusando Londres de “tentar desacreditar” o Estado de direito na região semiautónoma chinesa.

      “Qualquer arguido que tente procurar ajuda e conspirar com um poder político estrangeiro para fugir ao processo de justiça criminal, é um acto flagrante que mina o Estado de direito de Hong Kong e interfere com os assuntos internos” da região, acrescentou.

      O Governo de John Lee considerou ainda que “tais atos por parte de um réu constituem, muito provavelmente, desobediência pelo tribunal”.

      Já preso por outras acusações, Jimmy Lai, magnata pró-democracia de 75 anos, enfrenta ainda uma sentença de prisão perpétua num processo por “conluio com forças estrangeiras”, um crime ao abrigo da Lei de Segurança Nacional imposta por Pequim à região, na sequência dos protestos de 2019. Lai fundou o jornal diário independente de Hong Kong Apple Daily, que entretanto foi encerrado.

      O julgamento de Lai, naquela acusação, devia ter começado em Dezembro, mas foi adiado para próximo Setembro depois de Hong Kong ter pedido a Pequim para impedir Lai de ser representado por um advogado londrino. “É realmente estúpido da parte dos advogados de Jimmy Lai ter pedido ao governo [do primeiro-ministro britânico, Rishi] Sunak para intervir”, afirmou, numa mensagem ontem divulgada na rede social Twitter, uma delegada do Conselho Executivo de Hong Kong, Regina Ip.

      Para Ip, esta tentativa dos advogados de Lai justifica que se impeça o envolvimento de advogados estrangeiros em “casos de segurança nacional”, um poder dado ao líder de Hong Kong, John Lee, por Pequim no mês passado.

      Críticos indicaram que a decisão iria minar a independência do poder judicial de Hong Kong e dar mais poder ao Comité de Segurança Nacional, controlado por responsáveis locais e também por Pequim.

      A questão surgiu, pela primeira vez, quando Lai contratou o proeminente advogado britânico Tim Owen para o defender. Vários juízes locais aprovaram a decisão, apesar das objeções do governo.

      Entretanto, o gabinete de Sunak confirmou que a secretária de Estado para a região Ásia-Pacífico, Anne-Marie Trevelyan, se tinha encontrado com a equipa jurídica do réu, na terça-feira. “Temos sido claros de que as autoridades de Hong Kong têm de deixar de visar vozes pró-democracia, incluindo Jimmy Lai”, disse o porta-voz de Sunak, Max Blain, em Londres. “O Ministério dos Negócios Estrangeiros tem prestado apoio a Jimmy Lai há algum tempo, e a secretária para a Ásia Anne-Marie Trevelyan reuniu-se já com a equipa jurídica. Pensamos ser essa a abordagem correta nesta fase”, acrescentou.

      A líder da equipa jurídica. Caoilfhionn Gallagher, disse que o filho de Lai esteve em Londres, esta semana, para pedir aos responsáveis britânicos para protegerem o pai. “Ele está a ser sujeito a ‘lawfare’, ou múltiplos processos e acções judiciais, todos concebidos para o silenciar e desacreditar e enviar uma mensagem clara a outros que não se devem atrever a criticar as autoridades chinesas ou de Hong Kong”, disse a advogada, numa resposta por e-mail à agência de notícias Associated Press.

      O Reino Unido, juntamente com outras nações ocidentais, criticou a repressão da China contra as liberdades políticas na antiga colónia britânica, cuja soberania foi transferida para a China em 1997, com a promessa de Pequim de manter as liberdades ao abrigo do princípio “um país, dois sistemas” até 2047.

      Lusa

      ViaLusa
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      Redacção do Ponto Final Macau