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      InícioSociedadeIdentificadas cinco potenciais vítimas de tráfico de pessoas em Macau  

      Identificadas cinco potenciais vítimas de tráfico de pessoas em Macau  

      Cinco residentes de Macau estiveram envolvidos em potenciais casos de tráfico humano nas últimas duas semanas, nos quais os criminosos oferecem oportunidades atraentes de emprego em casinos no sudeste da Ásia, referiu ontem a Política Judiciária. Observando os números de casos de tráfico humano recentemente verificados em Hong Kong e Taiwan, as vítimas de tráfico humano podem acabar sujeitas a coerção, sequestro, abuso físico, exploração sexual e até colheita ilegal de órgãos humanos, segundo o revelado nas regiões vizinhas.

       

      Cinco vítimas de Macau foram identificadas nas últimas duas semanas em potenciais casos suspeitos de tráfico humano, revelou ontem a Política Judiciária (PJ) numa conferência de imprensa. A Direcção dos Serviços de Turismo garantiu que não recebeu nenhuma denúncia nem sinalização de eventuais vítimas de tráfico de seres humanos neste ano, apesar da emergência deste tipo de casos no Sudeste da Ásia, onde as vítimas caem em armadilhas de falsas ofertas de emprego com salários atraentes.

      Nos últimos dias têm sido observados vários casos de tráfico humano em Hong Kong e Taiwan, relatando que alguns cidadãos destas regiões foram ardilosamente enganados para aceitarem propostas falsas de emprego no sudeste da Ásia, acabando por se tornarem vítimas de tráfico humano, sujeitas a coerção, sequestro, abuso físico, exploração sexual e até colheita ilegal de órgãos humanos.

      A Política Judiciária revelou ontem três casos relacionados com ofertas de emprego vindas de países do sudeste da Ásia, envolvendo cinco residentes de Macau.

      De acordo com uma denúncia de uma residente de Macau feita a 4 de Agosto às autoridades policiais, o irmão da denunciante, mediante a referência de um “amigo”, viajou para o Laos a 11 de Julho para supostamente trabalhar num casino como funcionário de relações públicas, com a promessa de um salário mensal de cinco mil dólares norte-americanos. Apercebendo-se que poderia ter sido enganada, a vítima conseguiu sair do Laos em 7 de Agosto, permanecendo noutro país do sudeste da Ásia “em segurança”, referiu a PJ.

      Noutro caso relatado a 17 de Agosto, um residente recebeu uma oferta de emprego onde lhe era exigido trabalhar no sector de jogo no Sudeste da Ásia, num cargo de relações públicas. Não ficando convencido da proposta, decidiu rejeitá-la e apresentar uma queixa à polícia.

      A PJ deu ainda a conhecer um outro caso no qual três mulheres estavam ontem preparadas para ir para o Camboja, mas, após uma denúncia feita por um familiar de uma delas, acabaram por desistir da ideia com o auxílio das autoridades policiais. As vítimas tinham idades entre os 20 e os 30 anos e, além de dois desempregados, exerciam na RAEM cargos na área administrativa e do jogo. Os casos que se detectaram no território foram submetidos a acompanhamento e a investigações mais aprofundadas pelas autoridades policiais.

      Na explicação do responsável da PJ, num contexto de elevada incerteza e de contracção da economia, os criminosos, frequentemente através das redes sociais ou pessoas próximas, divulgam vagas atraentes de emprego, destinadas a trabalhadores do jogo, jovens à procura de trabalho ou desempregados, no sentido de convencer as vítimas a deslocarem-se directamente aos países do sudeste da Ásia, como Camboja, Tailândia, Laos, Myanmar, Vietname, Indonésia, ou através paragens intermediárias em Singapura ou em Guangzhou. Mal chegam ao destino, as vítimas sofrem abusos, são vítimas de violência física ou sequestradas. Os traficantes humanos acabam por as forçar a praticar actividades criminosas no estrangeiro através do recurso a ameaças ou à força, ou de coacção, rapto e fraude.

      TRÁFICO HUMANO TORNA-SE ACTIVO NAS REGIÕES VIZINHAS

      O crescimento cada vez mais desenfreado dos casos de tráfico de pessoas recrutadas de territórios na costa sul da China tem chamado a atenção da comunidade destas jurisdições.

      Segundo revelam meios de comunicação social de Taiwan, a rede de crime organizado espalha-se pelos países da Península Indochina, no Sudeste Asiático, como Camboja, Tailândia, Laos e Myanmar. De acordo com os relatos, estima-se que cerca de três mil cidadãos taiwaneses tenham ficado presos nestes destinos.

      Hong Kong também não ficou de fora. Segundo o Departamento de Imigração de Hong Kong, no início desta semana, 17 denúncias foram apresentadas desde Janeiro deste ano indicando o desaparecimento de cidadãos de Hong Kong nos países do Sudeste Asiático, abrangendo Camboja, Tailândia, Laos e Myanmar. De acordo com as autoridades da antiga colónia britânica, a maioria dos casos surgiu de alegados envolvimentos amorosos ou falsas propostas de emprego, convencendo as vítimas a viajar para outro país e forçando-as a dedicarem-se a actividades clandestinas.

      Num comunicado emitido nesta quarta-feira, o Gabinete do Comissário do Ministério dos Negócios Estrangeiros em Hong Kong declarou que atribui grande importância à protecção consular relacionada com a região administrativa especial e mantém uma estreita comunicação com os serviços de imigração e embaixadas nos países do Sudeste Asiático para se manter a par da situação e em busca das pessoas desaparecidas.

      As autoridades diplomáticas afirmaram ainda que “a actual situação de segurança no Myanmar é complicada”, apelando aos residentes da região administrativa especial para evitarem viagens para o norte de Myanmar, sobretudo Myawaddy e Tachilek, afastando-se de burlas informáticas e jogos ilícitos, para garantir a sua segurança pessoal.

       

      PONTO FINAL