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      Início Sociedade Tai Wa Hou culpa trabalhadores dos hotéis de quarentena por infecções

      Tai Wa Hou culpa trabalhadores dos hotéis de quarentena por infecções

      A razão que levou às situações de contágio epidémico nos hotéis de quarentena terá a ver com os funcionários que não seguem rigorosamente as instruções sanitárias acerca da gestão dos locais de isolamento, referiu ontem Tai Wa Hou. O médico-adjunto do Centro Hospitalar Conde de São Januário garantiu que o organismo tem dado mais formação aos seguranças, trabalhadores de limpeza e recepcionistas dos hotéis, tendo agora mecanismos de inspecção da implementação dos trabalhos nos hotéis.

       

      Reagindo ao surgimento de contaminação da Covid-19 nos hotéis de observação médica, Tai Wa Hou, médico-adjunto da direcção do Centro Hospitalar Conde de São Januário, direccionou a culpa para os funcionários das instalações, apontando que as infecções se devem ao incumprimento das orientações de gestão dos hotéis de quarentena.

      “Muitas vezes os funcionários de hotéis não seguem bem os princípios e indicações de gestão das instalações de isolamento, e assim provocaram a infecção pelo vírus”, assinalou ontem o médico, no fórum da Rádio Macau em língua chinesa.

      Tai Wa Hou sublinhou que os trabalhadores dos hotéis não possuíam conhecimentos completos da prevenção e controlo da epidemia, pelo que a formação sobre as medidas sanitárias é muito importante para os seguranças, trabalhadores de limpeza e recepcionistas dos hotéis de quarentena.

      “A equipa médica dos Serviços de Saúde tem andado a dar formação ao pessoal dos hotéis sobre como usar os equipamentos e como vestir a roupa protectora do vírus. Muitas vezes são infectados durante o processo”, afirmou.

      Dessa forma, o responsável salientou que a Direcção dos Serviços de Turismo (DST) já tem um mecanismo de fiscalização permanente. “Não se presume que eles acompanhem todas as instruções 24 horas por dia, o Governo tem equipas de fiscalização para enviar aos hotéis, de modo a inspeccionar no local a situação da implementação das medidas antiepidémicas”, disse, assegurando que as autoridades têm vindo a optimizar a gestão dos hotéis de isolamento.

      Recorde-se que se registou recentemente mais uma infecção com um funcionário dos hotéis de quarentena nesta semana, após um trabalhador que está sujeito a gestão de circuito fechado no Hotel Tesouro ter dado positivo no teste de ácido nucleico na terça-feira. O incidente levou a que alguns hóspedes fossem obrigados a permanecer em observação médica por um período prolongado até sábado.

      Além da cadeia de infecção detectada entre os seguranças do Hotel Tesouro e Hotel Golden Crown China, em Setembro do ano passado, foram infectados cerca de 60 trabalhadores e hóspedes no Hotel Parisian durante o surto nos últimos dois meses. A DST incumbiu a supervisão ao Hospital da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau após o surto no Parisian, tendo a entidade constatado insuficiência nos trabalhos de prevenção epidémica.

      O médico Tai Wa Hou admitiu que os hotéis para observação médica têm “condições limitadas”, dado que as instalações não foram construídas para a finalidade médica, e a transformação temporária para um local de uso médico leva tempo. Actualmente, os hotéis de isolamento são geridos em conjunto pelos Serviços de Saúde e de Turismo, cabendo às autoridades sanitárias a avaliação da adequabilidade dos hotéis como locais de quarentena, a estipulação de orientações, bem como a formação dos trabalhadores, enquanto a DST é responsável pela fiscalização do funcionamento concreto.

      É de salientar que, durante 44 dias do surto mais recente, foram registados 1.821 casos infectados no território, o que representa 0,3% da população total de Macau. Entre os casos, 61,3% eram de infecção assintomática.

      Foram realizadas 14 rondas de teste em massa e seis rondas de testagem para grupos considerados de alto risco, representando um total de 11 milhões de amostragens. Durante esse período, 21 milhões de resultados de teste rápido de antigénio foram declarados às autoridades, o que ajudou à detecção de 419 infectados. Houve ainda 302 zonas que foram seladas onde habitam ou trabalham cerca de 79 mil cidadãos.

      O médico justificou que o Governo está sempre a avaliar a situação pandémica de forma dinâmica, “o que não significa que não temos planos”. O responsável referiu ainda que, do ponto de vista médico, o confinamento é a forma mais eficaz para combater a pandemia, mas devem ser consideradas as necessidades económicas e vida social normal.

      Tai Wa Hou reiterou que a maioria dos trabalhos realizados durante o surto esteve alinhada com o plano de contingência estabelecido pelos Serviços de Saúde, mas “não se pode seguir cegamente, e devem-se ajustar as políticas dinamicamente dependendo da situação”.

       

      PONTO FINAL