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      Morreu Ana Luísa Amaral, poetisa que “vivia pela e para a poesia”

      Morreu na sexta-feira a poetisa portuguesa Ana Luísa Amaral, que recentemente venceu o Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-Americana. Ana Luísa Amaral também passou por Macau, em 2019. Yao Jingming, que a acompanhou na visita a Macau, descreve-a como “uma das grandes poetisas portuguesas”. Ana Luísa Amaral “vivia pela e para a poesia”, recorda Yao Jingming ao PONTO FINAL.

       

      A poetisa Ana Luísa Amaral, recentemente galardoada com o Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-Americana, morreu na sexta-feira, aos 66 anos, informou a Universidade do Porto (UP). Em comunicado, a UP avança que a poetisa faleceu vítima de doença prolongada. Ana Luísa Amaral esteve em Macau em 2019 e foi acompanhada na sua visita por Yao Jingming, director do Departamento de Português da Universidade de Macau (UM), que a recorda ao PONTO FINAL como “uma das grandes poetisas portuguesas”.

      Nascida em Lisboa, em Abril de 1956, a escritora e professora universitária Ana Luísa Amaral, tradutora de romancistas e poetas, vivia em Leça da Palmeira desde os 9 anos e recebeu múltiplas distinções ao longo da carreira, estando, entre as mais recentes, o Prémio Vergílio Ferreira, da Universidade de Évora, o galardão espanhol Leteo, da Direcção de Acção e Promoção Cultural de Leão, e o Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-Americana, atribuído pelo Património Nacional de Espanha e a Universidade de Salamanca, que reconhece o contributo significativo de uma obra poética para o património cultural deste universo.

      Doutorada em Literatura Norte-Americana pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, onde foi professora, Ana Luísa Amaral soma dezenas de títulos de poesia publicados, desde “Minha Senhora de Quê” (1990), além de já ter escrito teatro, ficção e vários livros para a infância. Este ano, a sua obra poética foi reunida em “O Olhar Diagonal das Coisas”, incluindo os mais recentes “Sopros”. A obra de Ana Luísa Amaral encontra-se traduzida e publicada em várias línguas e países, tendo obtido numerosas distinções, como o Prémio Literário Correntes d’Escritas, o Premio Letterario Poesia Giuseppe Acerbi e o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores. A sua obra é editada em Portugal pela Assírio & Alvim.

      Aposentada da docência, a poetisa exercia as funções de membro da direcção do Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa, no âmbito do qual dirigia o grupo internacional de pesquisa Intersexualidades.

       

      PASSAGEM POR HONG KONG E MACAU

       

      Em 2019, a poetisa passou por Hong Kong e Macau. Ana Luísa Amaral participou no evento International Poetry Nights in Hong Kong, iniciativa bienal fundada pelo poeta chinês Bei Dao em 2009. Quem sugeriu a Bei Dao que convidasse Ana Luísa Amaral para o evento foi Yao Jingming, director do Departamento de Português da Universidade de Macau.

      Ao PONTO FINAL, o poeta recorda: “Nesse evento costumam juntar-se poetas de vários países do mundo. É organizado por um poeta conhecido na China, Bei Dao, que me perguntou quais os poetas portuguesas que eu poderia recomendar. Sabia que ela era muito conhecida e que a poesia dela tinha muita qualidade. Por isso, recomendei-a ao senhor Bei Dao. Bei Dao aceitou e convidou-a para ir a Hong Kong”.

      Depois de uma semana em Hong Kong, Ana Luísa Amaral esteve mais quatro dias em Macau, tendo sido acompanhada por Yao Jingming na sua visita à região. Yao lembra que Ana Luísa Amaral “gostou muito de Macau”. A poetisa também participou num recital organizado pela UM, juntamente com outros poetas internacionais que tinham estado no evento de Hong Kong.

      Yao Jingming chegou também a traduzir para chinês uma antologia de cerca de 30 poemas de Ana Luísa Amaral. “Traduzi para os chineses conhecerem um novo rosto da poesia portuguesa”, assinala. O professor da UM destaca o quotidiano na poesia de Ana Luísa Amaral. “Liga a poesia à sua vida, ao nosso quotidiano, à actualidade. É daí que extrai a sua poesia”, explica, sublinhando a observação atenta do dia-a-dia que a poetisa coloca nos seus poemas.

      Yao diz-se muito surpreendido com a morte da poetisa portuguesa. Até porque, segundo conta, conversou com ela recentemente, através da internet. Na conversa, falaram sobre poesia portuguesa, tradução, e a obra de Ana Luísa Amaral.

      “Era uma senhora muito simpática, muito humana”, descreve Yao Jingming, sublinhando a sua “grande paixão pela poesia”. Era “uma das grandes poetisas portuguesas”, considera. Na opinião do professor da UM, Ana Luísa Amaral “vivia pela e para a poesia”.

      O reitor da UP, António de Sousa Pereira, afirmou na nota de pesar da instituição que “a sua obra literária irá certamente garantir que o nome de Ana Luísa Amaral perdurará para todo o sempre, mas quem teve o privilégio de a conhecer de perto terá a memória de uma pessoa generosa e uma activista dedicada às causas da igualdade e da solidariedade social”.

      A também investigadora e professora da Faculdade de Letras da UP é recordada por António de Sousa Pereira como “uma autora extraordinária, uma académica distinta e uma cidadã empenhada”, lê-se na nota. O funeral realizou-se ontem, no Tanatório de Matosinhos.