Chan Chak Mo reconheceu que a apresentação de resultado negativo do teste de ácido nucleico para comer nos restaurantes vai certamente afectar as operações na indústria. O presidente da União das Associações dos Proprietários de Estabelecimentos de Restauração e Bebidas de Macau alertou para a carência de mais orientações concretas realizadas pelo Governo, esperando, entretanto, pelo levantamento de mais restrições após o período de estabilidade. O deputado destacou ainda a importância de circulação transfronteiriça normal com o Continente para a sobrevivência do sector.
A exigência da apresentação do certificado negativo de teste de ácido nucleico, realizado nos últimos três dias, para consumo de comida e bebidas dentro dos estabelecimentos vai de certeza ter impacto na retoma e no funcionamento da indústria da restauração, admitiu Chan Chak Mo, considerando que a medida é “relativamente complicada” para implementar na prática.
O presidente da União das Associações dos Proprietários de Estabelecimentos de Restauração e Bebidas de Macau salientou que a execução da medida, nomeadamente a verificação dos resultados negativos de teste com validade de 72 horas, aumenta o encargo de trabalho para os funcionários da linha da frente dos restaurantes.
De acordo com o também deputado, embora tenha sido anunciado o levantamento das restrições, o sector ainda não possui informação muito completa sobre a execução das medidas, como, por exemplo, a competência de fiscalização sobre o assunto, bem como as disposições sancionatórias caso existam falhas na verificação do certificado de teste.
“Como assegurar que os funcionários sabem como verificar o resultado negativo do teste? Como será fiscalizada a situação?”, questionou Chan Chak Mo, frisando que a indústria ainda está a aguardar por mais orientações emitidas pelo Governo para o funcionamento durante o período de estabilidade. “Além do certificado do teste de três dias, qual é a capacidade máxima dos estabelecimentos? Como limitar o número de clientes, a distância entre eles e se é necessário instalar separadores nas mesas? Não foram todos informados”, disse.
Citado pelo All About Macau, Chan Chak Mo destacou que, apesar dos impactos na retoma da operação dos comerciantes, a indústria entende que as exigências são formuladas de acordo com a evolução pandémica, pelo que o sector vai continuar a cooperar com as medidas relevantes, sendo que “o combate contra a epidemia mantém-se como a prioridade da sociedade” mesmo depois de vigorar o período de estabilidade.
“A indústria tem entrado em comunicação com o Governo sobre as medidas antiepidémicas. O Governo entende perfeitamente a situação de cada indústria, mas a prioridade é sempre combater a epidemia. Sejamos honestos, se ainda se registarem mais surtos, até falar na passagem fronteiriça com o interior da China será inútil”, asseverou o também membro do Conselho Executivo, manifestando, no entanto, a esperança de que sejam levantadas ainda mais restrições após o período de estabilidade, nomeadamente revogar a exigência de mostrar o certificado de teste.
A RAEM entrou ontem no período de estabilidade. Com o actual baixo risco de transmissão de vírus, as autoridades anunciaram o levantamento das medidas relativas ao encerramento dos estabelecimentos de entretenimento, como cinemas, salões de beleza e ginásios, permitindo o consumo de comidas e bebidas no interior dos estabelecimentos, apresentando o resultado de teste de ácido nucleico.
Segundo Chan Chak Mo, devido às restrições de circulação transfronteiriça, muitos residentes apenas podem permanecer e consumir no território, prevendo que o volume de negócio possa registar uma recuperação gradual nos restaurantes que se situam nas zonas habitacionais.
Contudo, a situação tem sido pior para os estabelecimentos de comida nas zonas turísticas, sendo que muitos deles estão com operação suspensa. “Sei que alguns já fecharam o negócio”, confessou, referindo que estes restaurantes “devem sofrer mais porque não há visitantes a virem a Macau, como nas imediações das Ruínas de São Paulo, Rua do Cunha e até nos casinos”, lamentou.
Chan Chak Mo considera que o essencial é a recuperação do turismo, dado que caso Macau continue a ser afectado pela epidemia e não tenha uma passagem fronteiriça normal com o interior da China, a economia local pode apenas depender do consumo interno. “Enquanto o problema dos visitantes não for resolvido, por mais que a assistência económica seja prestada, o apoio do Governo é só de curto prazo. O sistema económico de Macau envolve bastantes sectores que precisam de negócios com turistas. Se o número de visitantes fica a zero, muitas indústrias não vão conseguir suportar a situação”.
PONTO FINAL











