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      Despedimentos em massa podem atingir 80% dos trabalhadores após renovação das licenças de jogo

      Ao PONTO FINAL, Luiz Lam, antigo membro da direcção da Associação de Mediadores de Jogos e Entretenimento de Macau, considera que o Governo está “mais ansioso” do que as operadoras de jogo em relação à concessão de licenças de jogo devido à concorrência vinda da Tailândia e do Japão. O especialista no sector de jogo alertou que, após a concessão, uma “onda de despedimentos com velocidade e magnitude sem precedentes” pode chegar ao território, perspectivando que cerca de 80% dos trabalhadores de casinos possam ser despedidos, e a economia de Macau pode mergulhar num estado “moribundo” por um período prolongado de tempo.

       

      Face à ameaça iminente da concorrência da Tailândia e do Japão no caminho rumo à liberalização do jogo, as autoridades de Macau estão mais ansiosas no que diz respeito ao concurso para atribuição de licenças de jogo que teve início na sexta-feira passada, observou Luiz Lam, antigo membro da direcção da Associação de Mediadores de Jogos e Entretenimento de Macau.

      O especialista no sector de jogo lembrou que, após as eleições legislativas na Tailândia, o país do Sudeste Asiático elaborou e publicou um relatório de estudo sobre a liberalização do jogo. Banguecoque revelou que tem um plano para instalar casinos nas principais cidades tailandesas com a previsão de uma receita anual de jogo de 80 mil milhões de dólares norte-americanos. “A liberalização do jogo na Tailândia é uma certeza na agenda”, referiu.

      Quanto ao Japão, neste momento, apesar de estar incluído no Acordo Abrangente e Progressivo para a Parceria Trans-pacífica (CPTPP) e na revisão do artigo 9.º da Constituição japonesa, o país insular no Oceano Pacífico mostrou uma forte intenção na liberalização do jogo, prevendo fazer progressos concretos nesse sentido ainda este ano.

      “Em 2019, o Governo de Macau ainda estava descontraído perante a concessão das licenças de jogo, no entanto, à medida do conflicto intensificado entre a China e os EUA no qual Pequim começou a adoptar uma postura bélica perante empresas de capital estrangeiro, dos surtos epidemiológicos inesperados e do surgimento iminente de mercado de jogo na Tailândia e no Japão, o Governo de Macau começou a ficar mais ansioso em matéria de atribuição das licenças de jogo, acelerando todo o trabalho mesmo sob as medidas de confinamento. Em vez de lançar um concurso público de três meses de prazo como prática habitual, o prazo de apresentação das propostas ao concurso foi reduzido para apenas 45 dias”, contextualizou Luiz Lam ao PONTO FINAL, frisando que “caso alguma operadora de casino desista da participação no concurso público para concessão de licença de jogo, as autoridades podem enfrentar uma crise”.

       

      FUGA DE CAPITAL E DESPEDIMENTOS EM MASSA PODEM SER A NOVA REALIDADE

       

      Luiz Lam acredita que todas as seis concessionárias e subconcessionárias vão participar no concurso, porém, defende que as estratégias das mesmas devem sofrer alguma mudança e as propostas apresentadas não vão ser tão boas quanto as expectativas do Executivo. Além das seis operadoras de casinos que se encontram no território, não devem existir novos proponentes neste concurso, observou.

      Devido à instabilidade e incerteza instalada na nova legislação de actividade de jogo, as concessionárias podem proceder à alienação de activos fixos tangíveis em Macau com a maior brevidade possível após serem concedidas as licenças. Por outro lado, com a queda “inevitável” de lucros de jogo no território, as concessionárias podem proceder a despedimentos massivos após a renovação das licenças, o que pode provocar uma “onda de despedimentos com velocidade e magnitude sem precedentes” em Macau.

      O especialista no sector de jogo indicou que, de acordo com o novo regime jurídico da exploração de jogos em casino em Macau, “a concessão para a exploração de jogos de fortuna ou azar em casino pode ser rescindida unilateralmente pelo Chefe do Executivo quando a concessionária ponha em perigo a segurança nacional ou da Região Administrativa Especial de Macau, ou quando não seja idónea, não cabendo dela recurso contencioso”, o que pode trazer uma sensação de inquietação aos investidores de casinos, fazendo com que os mesmos se preparem melhor para sair a qualquer momento.

      “As concessionárias, nesta altura, ainda estão a aguentar a contratação de 50 mil trabalhadores. No entanto, se olhamos para a dimensão futura de negócio, diria que é apenas preciso cerca de 10 mil trabalhadores. As concessionárias podem motivar um despedimento em massa e cortar 30 a 40% de recursos humanos redundantes, e afinal só um quinto pode permanecer em paz”, alertou Luiz Lam.

       

      SJM E GALAXY SÃO QUEM MAIS PREOCUPA

       

      Luiz Lam considera que as operadoras de casinos de capitais domésticos podem sofrer mais pressão nesta altura crítica, designadamente a SJM Holdings e a Galaxy Entertainment Group Limited.

      Na observação do especialista, como o endividamento da SJM Holdings já excedeu 18 mil milhões dólares de Hong Kong, se não conseguir assegurar a renovação da licença, o banco poderia exigir a amortização antecipada do empréstimo à empresa, contrariamente às outras operadoras de casinos de capitais estrangeiros, que recorreram ao financiamento obrigacionista cuja pior consequência é meramente o encerramento da actividade do estabelecimento da insolvente.

       

      O FUTURO “MORIBUNDO” DO SECTOR DE JOGO EM MACAU

       

      Ao ser questionado sobre o futuro do sector de jogo de Macau, o antigo membro da direcção da Associação de Mediadores de Jogos e Entretenimento de Macau não prevê que a indústria, como principal pilar da economia do território, restaure a sua prosperidade de outros tempos devido à regulamentação da circulação livre de pessoas e capitais reforçadas pelas autoridades de Pequim.

      Para Luiz Lam, a crise de saúde pública vai passar, mas após a epidemia os turistas não irão necessariamente visitar Macau para apostar nos casinos. Com a dificuldade de obtenção de salvo-condutos para a deslocação de residentes chineses a Macau e o desafio de transferência de capital do interior da China para a Macau graças à repressão do branqueamento de capitais, nestas circunstâncias, os visitantes podem escolher destinos alternativos “mais divertidos” como Tailândia, Japão e até Singapura para apostar em jogos de azar. “O sector de jogo em Macau não vai estar morto, mas meio moribundo. Não sei se a economia de Macau vai conseguir encontrar uma saída no futuro, mas para já não vejo o eixo para desenvolvimento. Acredito que nos próximos anos, até uma década, a indústria de jogo pode ficar num estado moribundo,” resumiu.

       

      PONTO FINAL