Os pedidos de ajuda psicológica dos idosos duplicaram no Centro de Tratamento Psicológico da Associação Geral dos Mulheres em comparação ao período antes da pandemia. O director do centro salientou que, devido à medida de confinamento parcial, o bom relacionamento entre os membros familiares tornou-se num desafio, sendo um dos motivos de aumento de pressão dos residentes. Segundo o responsável, os idosos revelam situações de ansiedade e perturbações por terem dificuldades no acesso a informações sobre as medidas antipandémicas.
A evolução epidémica e a imposição de medidas mais rigorosas na vida social causaram um impacto negativo na saúde psicológico da população, tendo o Centro de Tratamento Psicológico da Associação Geral dos Mulheres de Macau recebido um número de pedidos de ajuda apresentados pelos idosos duas vezes superior em relação à época antes da pandemia. Os pedidos estão relacionados principalmente com apoio emocional, sendo que muitos deles são acompanhados de pedidos de informações e questões fora do domínio psicológico, nomeadamente sobre a política da pandemia.
De acordo com o director do centro, Lao Chan Fong, além dos idosos, outros grupos etários fizeram também pedidos de ajuda devido à sua saúde mental. A contar desde o início do surto no dia 19 do mês passado, o centro de cuidados psicológicos recebeu mais de 200 pedidos de ajuda, sendo a maioria dos requerentes de serviços jovens e pessoas com idade compreendida entre 20 e 40 anos.
Citado pelo Jornal do Cidadão, o responsável explicou que os problemas psicológicos em questão referem-se a problemas de ansiedade e pânico, de relacionamento familiar, por exemplo, da convivência ou da separação a longo prazo.
“Passou já metade do confinamento parcial, a permanência em casa por demasiado tempo pode levar facilmente a problemas emocionais, com sintomas de ansiedade ou pânico devido à incerteza do desenvolvimento da epidemia, com um sentimento maior de instabilidade, e a frequência de ocorrência de sintomas aumenta”, asseverou Lao Chan Fong, sugerindo que os cidadãos construam em si mesmos uma sensação de segurança fazendo limpezas na casa e a conversar com outros sobre os seus sentimentos.
Admitindo que o confinamento parcial resultou num aumento da frequência de conflitos entre os membros da família por passarem mais tempo juntos, Lao Chan Fong espera que os residentes procurem maneiras para alivar essas pressões.
“Muitos idosos têm vivido em locais separados dos familiares, e têm de voltar a morar junto deles recentemente por causa da pandemia, causando mais discussões devido aos hábitos quotidianos”, salientou o terapeuta psicológico, recomendando que as partes devem encontrar tempo e espaço para se separarem e acalmarem, bem como retomar a comunicação para resolver os problemas.
Com a experiência de ter participado na prestação de serviços de alívio psicológico remotamente durante o confinamento das cidades chinesas de Wuhan e Xangai, o profissional de psicoterapia destacou que, embora o Governo tenha feito trabalho de apoio emocional dos residentes, poderá ainda existir uma falta de recursos humanos, pelo que as associações de serviço social podem disponibilizar serviços de cuidados e tomar a iniciativa de contactar os potenciais necessitados para encontrar casos escondidos na comunidade.
Destacando a importância de prestar mais atenção às necessidades dos idosos durante o surto da Covid-19, quando as medidas antipandémicas estão sempre em actualização, Lao Chan Fong espera que as autoridades reforcem a transparência de informação aos idosos, com a intervenção das associações ou centros de seniores.
“Muitos idosos que procuram ajuda no nosso centro não percebem as medidas, não sabem que as autoridades podem prestar os serviços de proximidade para a realização de testes de ácido nucleico, nem estão informados de que podem mostrar a fotografia do resultado de teste rápido de antigénio para se submeterem à testagem massiva em vez de fazer o ‘upload’ na plataforma oficial”, detalhou Lao Chan Fong, realçando que as pessoas de maior idade ficam ansiosas por terem dificuldades em receber informações.
A carência de pleno conhecimento das medidas impostas pelo Governo, sem auxílio em realizar os testes rápidos e o receio de serem punidos por usar máscaras inadequadas, podem ser motivos que provocam perturbação emocional nos idosos, levando o responsável a apelar à comunidade e familiares para ajudarem e cuidarem mais dos cidadãos seniores neste tempo difícil.
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