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      Coutinho diz que plano de apoios é pouco abrangente e sugere fim da política de zero casos

      José Pereira Coutinho criticou o plano anunciado pelo Governo no passado domingo, dizendo que não abrange idosos, famílias monoparentais e cuidadores informais, por exemplo. Ao PONTO FINAL, o deputado sugeriu o fim da política de zero casos, uma vez que o combate ao surto está a atrasar consultas e operações.

       

      Na opinião de José Pereira Coutinho, as medidas de apoio ao combate à epidemia no valor de dez mil milhões de patacas, anunciadas pelo Governo no domingo, não são suficientes, uma vez que não contemplam determinadas faixas sociais.

      Este plano de apoios, recorde-se, tem como objectivo fazer face ao surto na comunidade. O pacote de medidas inclui uma nova ronda de apoio pecuniário, redução e isenção de taxas e impostos, optimização do plano de formação subsidiada, um plano de abonos provisórios para táxis e um carnaval de consumo.

      Ao PONTO FINAL, o deputado, que diz ter registado muitas queixas de cidadãos em grupos de WeChat, começa por apontar que o pacote de medidas não inclui benefícios específicos para os idosos. “Em tempos de pandemia, quem mais sofre em Macau são os cerca de 88 mil idosos que têm de sofrer com o preço dos bens essenciais a aumentar, com o facto de não terem acesso prioritário aos cuidados médicos e por terem de fazer filas durante horas para os testes em massa”. “Quem mais que ninguém está sob enorme pressão são os idosos”, sublinha.

      Por outro lado, há o caso das famílias monoparentais com filhos menores e dos desempregados ou com empregos em regime de part-time. “Estes dez mil milhões não os ajudam directamente. Nem aos part-time nem a quem está desempregado há mais de três anos”, afirma.

      Por fim, o presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) chama a atenção para a situação dos cuidadores informais, que têm de cuidar dos filhos e dos pais que, em alguns casos, estão acamados. “Essa faixa social também ficou de fora”, reitera.

      José Pereira Coutinho deixa também críticas ao sector bancário. Na opinião do deputado, este sector foi “quem mais ganhou e menos contribuiu para a responsabilidade social”. Por isso, “o Governo devia regulamentar uma lei especial obrigatória para ser cumprida pela banca, no sentido de criar uma moratória de um ano em que as pessoas que ficaram sem emprego e não têm capacidade financeira para pagar as amortizações – quer juros quer valores em dívida – possam ser pagos um ano depois”.

      No que toca ao combate ao surto, Pereira Coutinho também tem críticas a fazer às autoridades. Na opinião do deputado, as autoridades devem começar a adoptar uma atitude de permitir a convivência com o vírus, ao invés da aplicação da política de zero casos. Até porque, “agora todos os dias vamos ter casos”.

      As autoridades deixaram temporariamente de administrar vacinas contra a Covid-19, colocando todos os recursos ao serviço da luta contra o surto. Coutinho critica a medida e diz que tem recebido queixas de idosos que se querem vacinar e não podem. “O Governo tem de se esforçar porque, independentemente de haver pandemia, não deve parar de possibilitar as pessoas que querem ser vacinadas contra o coronavírus”, afirma.

      Além disso, “o combate ao Covid está a tirar todos os recursos que estavam destinados para consultas, operações, etc. Ficou tudo parado por causa do combate à pandemia”, refere, acrescentando que médicos e enfermeiros estão sob uma elevada carga de trabalho.

      Por fim, José Pereira Coutinho lembra o episódio que ocorreu na semana passada, quando o Governo implementou a medida de exigir aos trabalhadores dos casinos e da construção civil que realizassem testes de ácido nucleico a cada 48 horas, o que provocou muitas aglomerações nos postos de testes da zona Norte da cidade. Isto levou a que, horas depois, as autoridades retirassem esta medida. “O Governo devia, logo no início, ter pedido auxílio a Zhuhai para mandar vir os 650 técnicos para nos ajudar a fazer os testes de ácido nucleico, evitando-se a desgraça que se deu na zona Norte em que muitos residentes tiveram de fazer fila debaixo de chuva”, aponta.

       

      PONTO FINAL