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      InícioGrande ChinaMedidas de bloqueio ameaçam posição da China nas cadeias de fornecimento

      Medidas de bloqueio ameaçam posição da China nas cadeias de fornecimento

      A política de ‘zero casos’ de covid-19 ameaça a posição da China nas cadeias produtivas, à medida que o bloqueio de cidades e províncias gera imprevisibilidade e afecta a confiança dos investidores, alertam líderes empresariais.

      “Nunca se sabe o que vai acontecer a seguir”, resume Takayuki Shomura, vice-director-geral do grupo japonês Tailift Group, um dos maiores fabricantes de empilhadores do mundo, à agência Lusa, à margem da Cimeira de Multinacionais de Qingdao, no leste da China.

      Na primeira metade do ano, as vendas do grupo no país asiático caíram cerca de 50%, à medida que a altamente contagiosa variante Ómicron obrigou as autoridades chinesas a impor medidas de confinamento extremas, para salvaguardar a estratégia de ‘zero casos’, assumida como um triunfo político pelo secretário-geral do Partido Comunista Chinês, Xi Jinping.

      O isolamento de Xangai e de importantes cidades industriais como Changchun e Cantão, tiveram forte impacto nos sectores serviços, manufatureiro e logístico.

      Num painel intitulado “Reconstruir a Indústria Global e as Cadeias de Fornecimento sob Múltiplos Choques”, Zhang Yansheng, investigador no Centro de Relações Económicas Internacionais da China, disse que as atuais medidas de prevenção epidémica obrigaram os fabricantes a manter grandes reservas de componentes, o que resultou num aumento dos custos, e a recorrer a fornecedores não chineses, numa fórmula designada “China + 1”. “Tens que estar preparado para o pior cenário”, explicou à Lusa Jiang Zuolin, vice-presidente de Operações para a China do grupo Festo, multinacional alemã especializada em automação industrial.

      Uma das estratégias passa por trabalhar num “circuito fechado”, em que os funcionários estão interditos de sair das instalações das fábricas. “Preparamos atividades para os trabalhadores e passamos a oferecer pequeno-almoço, almoço e jantar”, descreveu Jiang. “Melhoramos também a qualidade dos dormitórios, para que as pessoas se sintam em casa”, acrescentou.

      A nível logístico, a empresa criou reservas de componentes e diversificou as cadeias de abastecimento. “Não podemos colocar os ovos todos na mesma cesta”, resumiu.

      A tolerância zero à covid-19 implica também o encerramento praticamente total das fronteiras da China. O país autoriza apenas um voo por cidade e por companhia aérea, o que reduziu o número de ligações aéreas internacionais para o país em 98%, face ao período pré-pandemia.

      Os voos estão também sujeitos à política do “circuit breaker” (‘interruptor’, em português): quando são detetados cinco ou mais casos a bordo, a ligação é suspensa por duas semanas. Caso haja dez ou mais casos, a ligação é suspensa por um mês.

      Wu Jingkui, presidente na China do grupo espanhol Amadeus, especializado em soluções tecnológicas para viagens, disse à Lusa acreditar que a liderança do país está ciente dos danos causados pelas restrições em vigor, mas que encontrar o ponto de equilíbrio é uma “dor de cabeça”, face às circunstâncias do país. Com 1,4 mil milhões de habitantes, a China é a nação mais populosa do mundo.

      Um estudo da Universidade Fudan, em Xangai, publicado em maio passado, concluiu que a variante Ómicron sobrecarregaria o sistema hospitalar do país e resultaria em cerca de 1,6 milhões de mortos, caso a China modere ou reduza as medidas de prevenção, devido à baixa taxa de vacinação entre os idosos e menor eficácia das inoculações domésticas.

      Zhang Yansheng, que é também um dos principais assessores económicos do Governo chinês e secretário-geral do Comité Académico da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, órgão máximo de planeamento económico da China, alertou para uma tendência de “declínio” na globalização da economia mundial, agravada por fricções geopolíticas. “O que mais nos preocupa é a formação de dois sistemas paralelos, que obrigarão os países a escolher um lado”, apontou. “O nosso desafio agora é que as multinacionais estrangeiras mantenham a confiança no mercado chinês”. Lusa

      Ponto Final
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      Redacção do Ponto Final Macau