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      “Os portugueses têm um dos espíritos mais fortes, inovadores e flexíveis do mundo”

      O cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong entre 2013 e 2018, Vítor Sereno, está agora em funções no Japão. Foi a partir de Tóquio que, em entrevista à edição nipónica da revista Esquire, deixou elogios à comunidade portuguesa espalhada pelo mundo. Sereno aproveitou ainda para elogiar o Japão que, diz, “é um país com um elevado nível de consciência cívica e pode ser um modelo para todos os países”.

       

      Vítor Sereno esteve em Macau entre 2013 e 2018 como cônsul-geral de Portugal na RAEM e na RAEHK. Depois disso, seguiu viagem para Dakar, onde foi embaixador de Portugal no Senegal. Já em Março de 2022 assumiu funções como embaixador português no Japão. Três meses depois de iniciar funções em Tóquio, a edição japonesa da revista Esquire entrevistou o embaixador português, que aproveitou para deixar elogios ao país e à comunidade portuguesa espalhada pelo mundo.

      “Como diplomata, conheço muitos países e sinto que os portugueses têm um dos espíritos mais fortes, inovadores e flexíveis do mundo”, começou por dizer Sereno, acrescentando que os portugueses “têm um espírito positivo e uma paixão por tornar as coisas novas e melhores”. “Espero usar esse espírito e paixão para construir uma nova dimensão nas relações com o Japão. Penso que essa é a minha responsabilidade e um papel muito importante”, apontou.

      Questionado sobre quais as áreas específicas em que gostaria de aprofundar as relações Portugal-Japão, o embaixador deu o exemplo do sector tecnológico e das energias renováveis: “Actualmente, cerca de 70% da energia [usada em Portugal] é proveniente de fontes renováveis, tal como a energia eólica, das marés e das ondas. Estamos na vanguarda nesse campo, mas somos fracos em energia de hidrogénio. Portanto, temos algo a aprender com o Japão quando se trata de hidrogénio, e penso que é aí que podemos igualar ambos os lados”.

      Vítor Sereno também destacou a digitalização dos cuidados de saúde, assinalando que a taxa de vacinação contra a Covid-19 em Portugal foi alta logo desde cedo, tendo sido um dos primeiros países a ter alcançado a imunidade em massa. Na opinião do embaixador, “isto só foi possível devido à digitalização dos cuidados de saúde, e devido à nossa capacidade de responder de forma flexível a novas situações”. “Acredito que fazendo uso das competências que Portugal possui, podemos formar parcerias com o Japão em vários campos”, salientou.

      Outro campo que Sereno coloca em destaque é o da área das finanças. O embaixador lembra que Portugal tem investido em sectores-chave de várias economias, incluindo Londres. “A correspondência destas empresas e partes interessadas é também a minha tarefa como embaixador”, afirmou, dizendo-se “muito interessado” na economia e comércio, que “estão no centro da evolução do país”. Recorde-se que Vítor Sereno foi o vencedor do prémio da Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa para o melhor diplomata económico no ano passado. O português adiantou que a sua embaixada está já a trabalhar em mecanismos para emparelhar empresas e governantes portugueses e japoneses.

      “Penso que quando estas coisas estiverem no seu lugar, a cultura e o turismo irão naturalmente florescer também. Portugal e o Japão têm uma amizade próxima de cerca de 500 anos, e eu gostaria de tirar o máximo partido disso”, afirmou.

      Recorde-se que navegadores portugueses chegaram ao Japão em 1543, mas só em 1860 é que foi assinado o Tratado de Amizade e Comércio entre os dois países. O artigo da Esquire lembra também que os portugueses influenciaram a gastronomia nipónica e traça paralelismos entre os dois países salientando serem países pacíficos e com uma baixa taxa de crimes.

      Na entrevista, Vítor Sereno recuou cinco anos até ao dia em que visitou pela primeira vez o Japão: “O meu primeiro encontro com este maravilhoso país foi em 2017, enquanto cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong. Na altura, a Macau Airlines tinha voos para Tóquio e Osaka, por isso fui primeiro para Tóquio. Apanhei então o comboio-bala para Quioto, Nara e Osaka. Se eu tivesse de resumir a minha impressão do Japão, seria simplesmente ‘fantástico’”. Sereno descreve o Japão como “um país com um elevado nível de consciência cívica” e que “pode ser um modelo para todos os países”. “Também adoro o facto de terem um grande respeito pelas pessoas idosas. Sinto-me muito honrado por ser o embaixador de Portugal num país tão maravilhoso”, afirmou.

      Apesar da história de 500 anos entre Portugal e o Japão, “não nos podemos sentar sobre os nossos louros durante muito tempo”. “Quero voltar a trazer electricidade para as relações entre Portugal e o Japão. E eu quero mostrar cada vez mais que Portugal é um país jovem e competitivo. Essa é a minha missão como embaixador, essa é toda a ideia”, frisou na entrevista.

      Vítor Sereno já se encontrou com os responsáveis dos 23 bairros de Tóquio e contou à Esquire que descobriu uma paixão em comum com o autarca de Shibuya: As maratonas. “A coisa mais importante na minha vida é a estabilidade. Uma delas é a estabilidade que a minha família – a minha mulher e os meus filhos – me proporciona. A outra é a minha própria estabilidade, tanto física como mental. Ainda me desafio em todos os tipos de desportos, incluindo futebol e maratona. Acredito que manter a estabilidade física e mental através da actividade física é o lema que me caracteriza como ser humano. Portanto, o desporto é uma parte essencial da minha vida”.