Agnes Lam, directora do Centro de Estudo de Macau da Universidade de Macau, alertou ontem que, com o aumento da população idosa, a população de meia idade vai enfrentar mais pressão. A académica salientou ainda que Macau está a tornar-se numa sociedade envelhecidae considerou que o Governo deve rever as políticas relacionadas com os mais velhos.
O envelhecimento da população, que se agravou na última década, está a fazer aumentar o índice de dependência total da RAEM, que mostra que a sociedade, nomeadamente as pessoas de meia idade, está a enfrentar mais pressão para sustentar idosos e crianças. O alerta foi deixado ontem pela directora do Centro de Estudo de Macau da Universidade de Macau, Agnes Lam, na Rádio Macau em língua chinesa.
“Com os Resultados Globais dos Censos 2021, vemos que o índice de dependência total registou uma subida acentuada. Este índice era de 23,7% em 2011, e aumentou para 36,3% no ano passado. Ou seja, cada 100 pessoas tem de sustentar outras 36,6 pessoas. A carga está mais pesada do que no passado, com a adição de mais dez pessoas”, apontou a académica.
Agnes Lam citou os dados e salientou ainda que o índice de dependência dos idosos, com idade superior a 65 anos, passou de 8,9%, em 2011, para 16,6%, enquanto o índice de dependência dos jovens com idade menor a 18 anos fixou-se a 19,8%, que era de 14,7% há uma década.
“O relatório mostrou que a proporção da população de jovens e de meia idade está a diminuir, e nos dois extremos – de idosos e adolescentes – está a aumentar. A situação vai continuar a agravar-se, e haverá no futuro muito mais pressão relativamente aos cuidados desses dois grupos etários”, alertou Agnes Lam, explicando que, do ponto da vista da sociologia, o modelo ideal da população será que o grupo etário no meio possua um maior número de pessoas e os dois extremos tenham menos percentagem do total da população.
“Quanto à população local, que se obtém excluindo da população total os trabalhadores não residentes e os estudantes do exterior, o índice de dependência de idosos fixou-se nos 21,2%”, pode ler-se no relatório da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC).
Destacando que as estatísticas são importantes para as autoridades estipularem políticas de habitação, trânsito e educação, Agnes Lam observou que o acréscimo dos referidos índices se deveu principalmente ao envelhecimento da população, o que levou a que a percentagem da população jovem esteja a ser cada vez menor.
A população idosa do ano passado era composta por 82.812 pessoas, representando um aumento de mais de odobro do que os números de 2011, sendo que a proporção desta população em relação à população total atingiu 12,1%.
Segundo lembrou Agnes Lam, a Organização Mundial de Saúde define que uma sociedade está a envelhecer se a proporção de idosos for de 7%, e 14% para uma sociedade envelhecida e 20% é uma sociedade super-envelhecida.
Nesse sentido, Macau já foi categorizado como uma sociedade a envelhecer há uma década e está agora a aproximar-se a uma sociedade envelhecida. “Comparando com outros países e regiões em rápido desenvolvimento, embora o problema do envelhecimento em Macau não seja muito grave, entendemos que, com uma taxa de crescimento de 5%, Macau atingirá definitivamente a sociedade envelhecida, e entrará na sociedade super-envelhecida”, analisou.
Assim, a académica considerou que os resultados de censos alertam a sociedade sobre a necessidade de ajustar as políticas de resposta à qualidade da vida de residentes, bem como a quantidade das instalações de cuidados comunitários para idosos. A também antiga deputada realçou ainda que o Governo deve estar mais orientado para lidar com as questões provocadas pela entrada na sociedade envelhecida, incluindo as necessidades médicas ou emprego dos idosos.
Por outro lado, pelo facto de o relatório revelar que a densidade da população na Taipa e Coloane estar a aumentar, Agnes Lam lamentou que os meios de transporte e os equipamentos sociais ainda não sejam suficientes e completos, sugerindo assim que as autoridades devem envidar mais esforços no planeamento urbanístico, para melhorar as instalações sociais e de educação nessas zonas.
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