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      Debandada de portugueses deve ser encarada como “uma questão temporal que é fruto da conjuntura da pandemia”

      A afirmação foi feita pelo cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong durante as comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas na RAEM. Paulo Cunha Alves considera ainda que se deve “celebrar Portugal em qualquer circunstância, seja em ambiente de pandemia ou em ambiente de guerra”. O diplomata ressalva ainda que “é importante para manter este ambiente de boa convivência e boa co-habitação que temos tido ao longo dos quase últimos 500 anos”

       

      Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Tal como manda a tradição, à hora marcada do dia 10 de Junho, uma parte da comunidade portuguesa reuniu-se na escadaria do Consulado Geral de Portugal em Macau para assistir à cerimónia do hastear da bandeira com o grupo de Escuteiros Lusófonos de Macau e a Banda do Corpo de Polícia de Segurança Pública a fazer as honras da casa.

      Depois de ecoada “A Portuguesa”, tempo de convívio. Antes do início da romagem à gruta de Camões, o cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, o embaixador Paulo Cunha Alves, acedeu a conversar com os jornalistas presentes, considerando a “extrema” importância da celebração do dia. “Temos de celebrar Portugal em qualquer circunstância, seja em ambiente de pandemia ou em ambiente de guerra há sempre que relevar os valores nacionais, a nossa cultura, as nossas tradições. E lembrar que existimos e estamos presentes em todo o mundo, que somos um povo bastante considerado onde quer que estejamos”, começou por dizer o diplomata.

      O dia era de festa e celebração, mas o momento da comunidade portuguesa em Macau também é de alguma apreensão. Instado a comentar a debandada de portugueses no território, principalmente nos últimos meses e agora no Verão que vem, Paulo Cunha Alves notou que, “durante estes séculos da nossa presença em Macau, sempre houve momentos em que a comunidade saia mais e outros em que saia menos. Encaro isto como uma questão temporal que é fruto da conjuntura da pandemia e que tem obrigado as pessoas a tomarem decisões que são sérias, mas que cada um deve tomá-las e assumi-las por si mesmo”.

      Sem dados estatísticos na mão, o diplomata, que faz quatro anos de missão a 30 de Setembro próximo, admite que, nos últimos meses, “tem havido um certo aumento” de pedidos de certificados de bagagem de nacionais portugueses que querem regressar a Portugal. “Não tenho dados estatísticos. Nós só tomamos conhecimento quando as famílias pedem um certificado de bagagem. Nós nem sequer sabemos quantas pessoas constituem um agregado familiar e nem toda a gente leva bagagens e móveis para Portugal. Há muita gente que vai embora e nós não sabemos. A inscrição consular não é cancelada. Mas claro que se notou um certo aumento desses pedidos nos últimos meses”, afirmou.

      Paulo Cunha Alves também comentou as afirmações da presidente da Casa de Portugal, Maria Amélia António que sugeriu, recentemente, que a comunidade portuguesa estaria a precisar de sinais de carinho por parte de quem manda. “Acho que qualquer avaliação neste sentido é subjectiva. Depende muito do contexto, da experiência que a pessoa teve no território. A minha experiência é apenas de quatro anos. Se calhar, não posso comparar tão bem as situações quanto a presidente da Casa de Portugal o faz. É difícil dizer o que são sinais de carinho, também. Penso que têm havido medidas bastante positivas nas últimas semanas, como por exemplo a criação do projecto piloto que permite aos portugueses não residentes na RAEM de virem até cá visitar familiares e amigos. Eu considero isso um sinal de carinho. Há outros que são vistos como sinais menos positivos como a questão dos cortes financeiros de apoio às associações, mas também acho, ao mesmo tempo, que embora isso seja verdade, temos de compreender o contexto de limitação de fundos. A vida hoje em Macau não é a mesma que era em 2018 e também temos que perceber que as próprias associações têm necessidade de se adaptar às circunstâncias e encontrar novas formas de financiamento. As associações são entidade orgânicas que devem evoluir em consonância com a evolução do mundo. Espero que todos nós façamos esse esforço para continuar com a nossa actividade em Macau”, afirmou o embaixador, ressalvando “que é importante para manter este ambiente de boa convivência e boa co-habitação que temos tido ao longo dos quase últimos 500 anos”. “É isso que é preciso preservar no futuro se toda a gente quiser que Macau continue a ser um local muito especial na Ásia, e único, diria até, porque não conheço outra cidade como Macau, com estas características, onde a presença do Ocidente esteja tão marcada”.

      O embaixador, que deverá manter-se no cargo, o mais tardar, até 31 de Dezembro, faz um balanço positivo dos últimos anos, admitindo que “ainda faltam muitos meses e muita coisa pode acontecer”, quando instado a escolher as prioridades para transmitir ao próximo Chefe de Missão. Ainda assim, Paulo Cunha Alves considera que “a prioridade das prioridades será continuar a zelar pelo bem-estar da comunidade portuguesa aqui em Macau e proporcionar uma melhoria contínua dos serviços consulares através de novos instrumentos e de novas técnicas. Estou a pensar, por exemplo, na questão do voto electrónico e outras questões que merecem discussão pelos órgãos competentes em Lisboa, nomeadamente a Assembleia da República”.

      As comemorações do 10 de Junho continuaram com as homenagens ao poeta maior, Luís Vaz de Camões, junto da gruta com o seu nome durante a tradicional romagem. À noite, pelas 20h, na Casa Garden da Fundação Oriente, a diversos músicos apresentaram um concerto de tributo a Rui Veloso.

       

      PONTO FINAL