Costa Nunes terá nova directora a partir do próximo ano lectivo

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FOTOGRAFIA: EDUARDO MARTINS/ ARQUIVO

A antiga directora da Escola Primária Luso-Chinesa da Flora, Felizbina Carmelita Gomes, sucede a Marisa Peixoto que, após cinco anos “muito gratificantes, mas imensamente desgastantes”, pediu à Associação Promotora da Instrução dos Macaenses, que gere o jardim de infância, para sair do cargo. Miguel de Senna Fernandes aplaude o trabalho da ainda directora da instituição, que enquanto liderou a instituição debateu-se com um caso de alegado abuso sexual, que beliscou a credibilidade do Costa Nunes, e quase três anos de pandemia de Covid-19 com diversos problemas de mão-de-obra.

 

O Jardim de Infância Dom José da Costa Nunes vai conhecer uma mudança na direcção da instituição no próximo ano lectivo que começará em Setembro. O PONTO FINAL apurou que a antiga directora da Escola Primária Luso-Chinesa da Flora, Felizbina Carmelita Gomes, actualmente aposentada da esfera pública, sucede a Marisa Peixoto, que liderou a escola nos últimos cinco anos.

“Confirmo a mudança”, começou por dizer ao nosso jornal Miguel de Senna Fernandes, presidente da Associação Promotora da Instrução dos Macaenses (APIM), entidade que gere o Costa Nunes. “A Marisa manifestou interesse em deixar a direcção e nós respeitamos a decisão. Há ciclos que começam e outros que acabam. Ela achou que estava na altura de sair, apesar de nós acharmos que ela era uma peça muito importante na estrutura de liderança. Foram cinco anos desafiadores. Foram cinco anos de coisas positivas e coisas negativas, como é natural, mas no cômputo geral foram cinco anos de estabilidade e o balanço é francamente positivo”, acrescentou o advogado macaense.

Recorde-se que a liderança de Marisa Peixoto foi posta à prova desde o primeiro dia, quando o Jardim de Infância Dom José da Costa Nunes se viu envolvido em acusações de abusos sexuais a menores por parte de um dos seus funcionários que prestava serviços como auxiliar. As denúncias surgiram em Maio de 2018, tendo, na altura, o Ministério Público, após a investigação do inquérito, pela insuficiência de provas, decidido pelo arquivamento provisório em 11 de Fevereiro de 2019. Em Maio de 2019, um ano depois das primeiras denúncias e dois meses depois de seis familiares terem reclamado da decisão que levou ao arquivamento, o processo foi novamente reaberto. Por fim, em Dezembro de 2019, o processo voltou a ser arquivado por falta de provas. Na altura, um juiz de instrução criminal decidiu ilibar o suspeito da prática do crime que era acusado.

A instituição durante quase dois anos viu a sua credibilidade de anos sair bastante beliscada. Miguel Senna Fernandes lamenta o sucedido, mas aplaude Marisa Peixoto pelo trabalho realizado para “reerguer a instituição”. “São problemas que poderiam ter acontecido a qualquer um, mas calhou a ela. Acabou por ser uma grande experiência, até porque ela nunca tinha sido directora e levou com aquilo de chofre. Ela teve um papel essencial no restabelecer da confiança com os pais, porque ela é que deu a cara e esteve no terreno diariamente”, referiu o presidente da APIM, agradecendo ainda aos pais “toda a confiança durante este tempo”.

Marisa Peixoto voltará agora a ser educadora de infância, algo que adora e que lhe vai dar alguma paz de espírito. Contactada pelo nosso jornal, a ainda directora começou por dizer que “apesar de gratificantes, foram cinco anos imensamente desgastantes”.

Por motivos pessoais e familiares, a portuguesa precisa de “mais disponibilidade” e foi por isso que pediu para não continuar a dirigir o jardim de infância. “Preciso de mais disponibilidade e foi essencialmente por isso que pedi para sair da direcção. A minha profissão é educadora e já chega de ser directora. Gostei muito da experiência. Não direi que não voltarei a repetir, mas, para já, faz todo sentido voltar a ser educadora”, explicou.

A sua liderança foi, como se disse atrás, marcada por alguns episódios menos positivos, mas que Marisa encarou como um desafio. Bastante desafiante, até. “Apesar de tudo, conseguimos, e agradeço a todos os colaboradores que me ajudaram, reerguer a confiança dos pais e da comunidade na instituição. Isso foi o mais importante. Temos feito um bom trabalho que se vai manter, com certeza”, vaticinou, acrescentando que agora o infantário ficará “bem entregue”. “Tenho a confiança que sim. É uma pessoa com muitos anos de experiência. Será diferente de mim, como sou diferente das pessoas que vieram antes de mim, mas vai fazer um bom trabalho”.

Felizbina Carmelita Gomes é a pessoa que se segue. Uma escolha que, considera Miguel Senna Fernandes, acaba por ser natural, apesar de o advogado admitir que foi feita com “hesitação”. “Acima de tudo porque ela estava reformada. Aliás, tinha acabado de se aposentar. Daí a minha hesitação. Contudo, era a melhor solução e abordei-a. Chegámos à fala com a Bina e ela aceitou o desafio”, afirmou o presidente da APIM, destacando que “ela tem o perfil ideal”.

A próxima directora do Jardim de Infância Dom José da Costa Nunes foi a última directora da Escola Primária Luso-Chinesa da Flora antes da reestruturação anunciada pelo Governo. Esteve sempre ligada ao ensino público e à direcção escolar, por isso, Miguel de Senna Fernandes acredita, para além da sua mais valia enquanto bilingue, “é uma pessoa que compreende a dinâmica e a lógica das coisas na Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ)”.

 

PONTO FINAL