Fornecedores enfrentam mais pressão operacional devido à desinfecção de mercadorias importadas

0
60
FOTOGRAFIA: GONÇALO LOBO PINHEIRO

Numa reunião onde se juntaram a Associação da União dos Fornecedores e as autoridades da RAEM, vários membros representantes de empresas fornecedoras levantaram a discussão sobre as dificuldades no negócio colocadas pelos trabalhos de desinfecção dos produtos importados após a chegada em Macau. As autoridades, contudo, destacaram a dificuldade de realizar a desinfecção logo na origem dos produtos por falta de fiscalização do processo sanitário. Alguns fornecedores aproveitaram para pedir uma cooperação comercial com as empresas dos países lusófonos.

 

O sector de fornecedores está a enfrentar pressões operacionais devido à pandemia e ao aumento de trabalho relativamente à desinfecção de mercadorias importadas, o que se tornou necessário devido à pandemia. Este assunto foi abordado pelos membros da Associação da União dos Fornecedores, numa reunião realizada na passada segunda-feira com as autoridades governamentais.

Citados pelo jornal Ou Mun, alguns membros da associação, nomeadamente fornecedores da cadeia fria e de carne congelada, salientaram na ocasião que os procedimentos actuais de desinfecção dos produtos tem causado um aumento do custo de importação, sendo que os fornecedores estão ao mesmo tempo a correr riscos de perda de produtos importados, pedindo assim que as mercadorias sejam desinfectadas antes da chegada à RAEM.

“Muitos bens para a vida quotidiana da população de Macau são importados e têm de ser adquiridos e transportados de Hong Kong. No passado, houve casos em que nos testes de ácido nucleico foram detectados vírus da Covid-19 nas amostras na embalagem da mercadoria, sendo necessário destruir a mercadoria toda. As perdas relevantes serão assumidas totalmente pelos fornecedores”, lamentaram.

Os vogais mostraram-se ainda mais desiludidos uma vez que as operações e restrições de importação tornaram a respectiva indústria de Hong Kong “relutante em fornecer produtos”, fazendo com que as empresas fornecedoras locais tenham agora menos escolha de cooperação e devem suportar um custo maior para continuar o negócio.

Neste caso, o sector espera que o Governo possa estudar a viabilidade de implementar a desinfecção na fonte em Hong Kong, com o objectivo de reduzir o risco de as mercadorias sejam importadas contaminadas, diminuindo também a ocorrência de destruição de produtos.

Por seu turno, o chefe do Departamento de Segurança Alimentar do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), Cheong Kuai Tat, acredita que será melhor executar o trabalho de desinfecção em Macau de acordo com as orientações dos Serviços de Saúde, considerando que “a prevenção epidémica na cadeia fria alcançou resultados e eficácia”.

O responsável apontou que, para a sugestão de realizar a desinfecção na fonte, ou seja, em Hong Kong, será difícil e “haverá problemas de fiscalização para as autoridades da RAEM fazerem o seu trabalho”, pelo que irá manter a desinfecção de mercadorias no território.

Admitindo que a pandemia tem colocado mais carga de negócios ao sector, o representante do IAM realçou que o surto da Covid-19 na RAEHK foi grave, e é inevitável ao Governo da RAEM impor mais restrições e controlo nos produtos importados para Macau. “Quanto às mercadorias testadas positivas, o organismo tratará dos produtos de forma flexível, em conformidade do nível de risco de amostra”, assegurou o IAM.

 

Mais cooperação com os países lusófonos

 

Entre outros temas discutidos durante a reunião, vários membros solicitaram mais oportunidades e apoio ao negócio das empresas comerciais e logísticas, isenção parcial de renda e devolução fiscal, entre outros. Os membros pediram ainda que o Governo reforce a promoção de cooperação entre as Pequenas e Médias Empresas locais e os países lusófonos.

Segundo noticiou a imprensa chinesa Exmoo, os negócios actuais da indústria local são principalmente realizados com as empresas de Portugal e Brasil, verificando-se “uma escassez de oportunidades comerciais com outros países de língua portuguesa”, pelo que consideram que “o actual papel de Macau como plataforma da cooperação económica e comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa não tem sido particularmente eficaz”.

Já o Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM) garantiu que tem lançado uma série de eventos de projectos especiais para promover a relação comercial entre as duas partes. Segundo o vogal executivo do Conselho da Administração do IPIM, U U Sang, o organismo vai continuar a realizar eventos promocionais, esperando que promova ainda mais a cooperação entre as empresas de países de língua portuguesa no interior da China e de Macau no futuro.

 

PONTO FINAL